Estudando o Espiritismo

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sábado, 16 de julho de 2016

Amar o Próximo como a Si Mesmo


O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI
O Livro dos Espíritos, Lei de Justiça, de Amor e de Caridade, Cap. XI

Por que não amamos o Próximo?
O Mandamento Maior
Os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, para o tentar, propôs-lhe esta questão:
-  Mestre, qual o mandamento maior da lei? – Jesus respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento; este o maior e o primeiro mandamento. E, aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. Toda lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos. (Mateus, 22:34 a 40)
- Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois nisto que consistem a lei e os profetas. (Mateus, 7:12)
- Tratai todos os homens como quereríeis que eles vos tratassem. (Lucas, 6:31)
Desse modo, proclamando que os dois mandamentos se equivalem, Jesus deixa bem claro que amar a Deus é, também, amar o próximo, ou, para amar a Deus é preciso amar o próximo.
Explica Allan Kardec, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, que “amar o próximo como a si mesmo; fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros, aquilo que para  nós desejamos. Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissensões, mas, tão somente união, concórdia e benevolência mútua”.
E por que não amamos o próximo? Porque somos egoístas, só pensamos em nós e em que nos interessa imediatamente. Quem ama de verdade, pensa no outro em primeiro lugar.
Allan Kardec, pergunta, na Questão 876 de “O Livro dos Espíritos”, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?
E os Espíritos Superiores responderam: - O Cristo vo-la deu: Desejai para os outros o que quereríeis para vós mesmos. Deus colocou no coração do homem a regra de toda a verdadeira justiça, pelo desejo de cada um de ver respeitar seus direitos. Na incerteza do que deve fazer em relação ao seu semelhante em uma dada circunstância, o homem se pergunta como ele desejaria que se fizesse para com ele em circunstância semelhante: Deus não poderia dar-lhe um guia mais seguro que a sua própria consciência.
O Espírito Públio diz-nos que “o perdão pede que perdoemos para recebê-lo de Deus. O amor pede que amemos para que assumamos a condição divina que está dentro de cada criatura. Há os que dão ao próximo o pior que possuem, na indiferença, no desprezo, na crueldade com que o tratam. Agindo assim, demonstram o pouco que possuem para si mesmos. Quem se torna indiferente ante a dor do próximo, vacinando-se contra o impulso da bondade, inocula-se com o vírus da solidão, já que, a seu benefício, ninguém poderá invocar reciprocidade do Universo no atendimento de suas dores. Aprendamos a ser escravos do Amor, porque, dia vai chegar em que os que são senhores do egoísmo e do mundo, estarão deformados pelo chicote com que se ferem reciprocamente, a esmolar a piedade daqueles que, servos do verdadeiro sentimento, aprenderam no suor amoroso as mesmas lições que a maioria só aprenderá nas lágrimas desesperadas do desencanto”. (Relembrando a Verdade, Espírito Públio, psicografia de André Luiz Ruiz)
Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles...
Viveremos no paraíso, aqui na Terra, quando todos os homens compreenderem e seguirem esta orientação, pois, todos terão o suficiente para viver, com digno trabalho, vestimenta e alimentação adequadas.
Conta-nos o Espírito Neio Lúcio que “um grande senhor que soubera amontoar sabedoria, além da riqueza, auxiliava diversos amigos pobres, na manutenção do bom ânimo, na luta pela vida. Sentindo-se mais velho, chamou o filho à cooperação. O rapaz deveria aprender com ele a distribuir gentilezas e bens. Para começar, enviou-o à residência de um companheiro de muitos anos, ao qual destinava trezentos reais mensais. O jovem seguiu-lhe as instruções. Viajou seis quilômetros  e encontrou a casa indicada. Contrariando-lhe a expectativa, porém, não encontrou um pardieiro em ruínas. O domicílio, apesar de modesto, mostrava encanto e conforto. Flores perfumavam o ambiente e alvo linho vestia os móveis com beleza e decência. O beneficiário de seu pai cumprimentou-o, com alegria efusiva, e, depois de inteligente palestra, mandou trazer o café num serviço agradável e distinto. Apresentou-lhe os familiares e amigos que se envolviam, felizes, num halo enorme de saúde e contentamento. Reparando a tranquilidade e a fartura, ali reinantes, o portador regressou ao lar, sem entregar a dádiva. – Para quê? – confabulava consigo mesmo – aquele homem não era um pedinte. Não parecia guardar problemas que merecessem compaixão e caridade. Certo, o genitor se enganara. De volta, explicou ao velho pai, particularizadamente, quanto vira, restituindo-lhe a importância de que fora emissário. O ancião, contudo, após ouvi-lo calmamente, retirou mais dinheiro da bolsa, dobrou a quantia e considerou:
- Fizeste bem, tornando até aqui. Ignorava que o nosso amigo estivesse sob mais amplos compromissos. Volta à residência dele e, ao invés de trezentos, entrega-lhe seiscentos reais, mensalmente, em meu nome, de ora em diante. A sua nova situação reclama recursos duplicados.
– Mas, meu pai – acentuou o moço -, não se trata de pessoa em posição miserável. Ao que suponho, o lar dele possui tanto conforto quanto o nosso.
– Folgo bastante com a notícia – exclamou o velho. E, imprimindo terna censura à voz conselheiral, acrescentou: - Meu filho, se não é lícito dar remédio aos sãos e esmolas aos que não precisam delas, semelhante regra não se aplica aos companheiros que Deus nos confiou. Quem socorre o amigo, apenas nos dias de extremo  infortúnio, pode exercer a piedade que humilha ao invés do amor que santifica. Quem espera o dia do sofrimento para prestar o favor, muita vez não encontrará senão silencio e morte, perdendo a melhor oportunidade de ser útil. Não devemos exigir que o irmão de jornada se converta em mendigo, a fim de parecermos superiores a ele, em todas as circunstâncias. Tal atitude de nossa parte representaria crueldade e dureza. Estendamo-lhe nossas mãos e façamo-lo subir até nós, para que nosso concurso não seja orgulho vão. Toda gente no mundo pode consolar a miséria e partilhar as aflições, mas raros aprendem a acentuar a alegria dos entes amados, multiplicando-a para eles, sem egoísmo e sem inveja no coração. O amigo verdadeiro, porém, sabe fazer isto. Volta, pois, e atende ao meu conselho para que a nossa afeição constitua sementeira de amor para a eternidade. Nunca desejei improvisar necessitados, em torno de nossa porta e, sim, criar companheiros para sempre. Foi então que o rapaz, envolvido na sabedoria paterna, cumpriu quanto lhe fora determinado, compreendendo a sublime lição de amizade real”. (Alvorada Cristã, Espírito Neio Lúcio, psicografia de Chico Xavier)
André Luiz, no livro Nosso Lar, psicografia de Chico Xavier, relata que, ao receber a visita de sua mãe, espantou-se ao ouvi-la dizer que reencarnaria para ajudar seu esposo. Ocorre que, na última encarnação, ele aparentava ser um homem de respeito, porém, manteve vários casos com outras mulheres. Agora, ele vivia no Umbral atormentado por duas dessas mulheres. Sua mãe explicou que o retorno à carne era a solução ideal, pois, ela voltaria a tê-lo como marido e receberia as duas infelizes como suas filhas.

Conta-nos o Espírito Léon Tolstói “que, há muito tempo, na Judeia, vivia um jovem chamado Davi. Nascera sadio, tivera infância alegre e a juventude cheia de prazeres. Era forte e bonito, razão pela qual as mulheres apaixonavam-se por ele. Numa manhã de inverno, porém, acordou com certa fraqueza nas pernas, com muitas dores, não conseguindo levantar-se mais após uma semana. Davi, ao perceber que não mais poderia andar, ficou desesperado, chorou muito, conformando-se depois de alguns meses com o que não poderia mudar: estava paralítico. Certa ocasião, ouviu falar de um profeta que andava curando cegos, surdos, estropiados, leprosos e endemoninhados (Do latim endemoniare. A meu juízo deveria ser endemoniado, que na verdade, significa enraivecer, enfurecer. No Espiritismo denominamos a pessoa obsidiada, um encarnado que sofre a ação de um Espírito inferior, o obsessor. A palavra demônio vem do grego daimónion, que significa gênio, bom ou mau). Assim, ao saber que o Profeta, conhecido por Jesus de Nazaré, estava nas proximidades, suplicou ao irmão mais velho Jacó que o levasse ao encontro do Carpinteiro galileu. Jacó, então, improvisou uma espécie de padiola e o transportou até o local onde grande multidão aguardava. Ao lado de Davi, um pobre infeliz cego e paralítico chamado Jonas, aguardava também. Davi encheu-se de compaixão por Jonas. Ele, pelo menos enxergava e participava de tudo. E o Profeta começou a falar e Davi sentiu imensa paz a invadir-lhe o íntimo. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, Davi chorou. Olhou ao redor e viu que muitos também choravam ao ouvirem as palavras do Rabi. Quando terminou sua alocução, o Profeta  colocou suas mãos sobre a cabeça dos que se aproximavam. A multidão agitou-se. Formou-se um grande tumulto, pois, muitos queriam ser curados. Davi, puxado por Jacó, conseguiu aproximar-se. Depois de algumas horas, um dos discípulos, chamado Simão Barjonas, gritou: - O Mestre precisa retirar-se. Só atenderá mais uma pessoa.
Davi sorriu, pois estava bem perto dele. Com certeza seria o felizardo. Contudo, olhando para o lado, viu o pobre  paralítico e cego Jonas, sentindo imensa compaixão por ele, que nem teria a felicidade de ver Jesus ali tão perto. Davi lembrou-se que Jesus dissera um pouco antes: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; esta é a Lei e os Profetas”. Olhou para Jesus, que o fitava com os olhos serenos e ternos, sentindo que a mensagem dele lhe seria suficiente para toda a vida. Ser curado já não lhe parecia tão importante. Sorriu para Jesus e virou-se para o cego a seu lado. Jesus entendeu, sem necessidade de palavras. Aproximou-se e colocou a mão sobre a cabeça de Davi, que ficou muito emocionado. Em seguida, Jesus dirigiu-se a Jonas, o cego e paralítico, impondo-lhe a mão na cabeça, disse: - Levanta e anda! Estás curado. Sob gritos de alegria, o rapaz ergueu-se exclamando: - Aleluia! Aleluia! Estou enxergando! E chorava e ria, ria e chorava.
Davi retornou para casa puxado pelo irmão, conquanto não tivesse sido curado, estava satisfeito. Seu irmão Jacó não entendeu o que se passara, considerando um absurdo seu irmão não ter aproveitado a oportunidade que tivera, estando tão perto do Profeta. Davi permanecia calado e pensativo durante todo o trajeto de volta à aldeia, não se dando conta das recriminações do irmão. Estava resignado e disposto a prosseguir suportando a enfermidade, confiante naquele Deus que era todo amor e misericórdia, ao qual Jesus se referira. Ao chegar em casa, quando o irmão Jacó o ajudava a deixar a maca improvisada para acomodar-se ao leito, Davi percebeu, cheio de júbilo, que também podia andar. Também fora curado pelo Mestre Jesus, que era todo compaixão pelos sofredores.
Profundamente emocionado, Davi recordou-se das palavras que ele lhe dissera e que ficariam gravadas em seu espírito para sempre: “Faze aos outros tudo o que queiras que eles te façam”. (A Eterna Mensagem do Monte, Espírito Léon Tolstói, psicografia de Célia Xavier de Camargo)