Estudando o Espiritismo

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domingo, 10 de novembro de 2013

Diretrizes para o Atendimento Fraterno e Tratamento Espiritual na casa Espírita

Diretrizes para o Atendimento Fraterno e Tratamento Espiritual na casa Espírita

Em elaboração por Fábio Pires

Compilação e ampliação de material encontrado em diversas fontes na Web.

Índice

Apresentação geral e objetivos

1 - Perfil do atendente fraterno
2 - Ambiente adequado para o atendimento fraterno
3 - Sugestões da terapêutica espírita
4 - Problemas mais comuns que chegam no atendimento
5 - Organização geral dos trabalhos de atendimento fraterno
6 - Equipe de Atendimento Fraterno
7 - Condutas durante o ato da entrevista
8 - Perfil do assistido
9 - Estudo e exemplo de casos

Apresentação geral e objetivos:

A tarefa de atendimento fraterno envolve alta responsabilidade, pois é a porta de entrada de muitos que chegam na casa. O atendente fraterno representa não apenas a casa espírita, mas também a doutrina e o auxílio Divino na vida da alma que chega em busca de socorro. O indivíduo chega na maioria das vezes experimentando a dor, desenganado e busca na doutrina espírita o socorro ou a consolação. O atendimento fraterno tem esta missão de acolhimento e acompanhamento do candidato. É uma tarefa que requer disciplina, seriedade, boa vontade e preparo. Esta tarefa reflete as condições de um Centro Espírita. É um dos campos onde mais a casa espírita pode atuar em sua missão de agente de transformação, missão de levar a mensagem do evangelho de Jesus aos corações sofridos e demostrar que a cura está vinculada à mudança de atitude mental e de comportamento. É necessário que o centro então se organize e se prepare para esta relevante tarefa de acolher, ouvir, consolar, orientar e educar que chamamos de atendimento fraterno. É necessário presteza, simpatia e agilidade, além de grande discrição e seriedade. Neste caso, a primeira impressão que a pessoa terá do trabalho será muito importante. Pessoas sérias não retornarão a locais onde não transpirem idoneidade e credibilidade.

O Atendimento Fraterno consiste em receber a pessoa que busca a Casa Espírita, proporcionando lhe oportunidade de expor livremente, em caráter privativo, suas dificuldades, fornecendo-lhe breves orientações evangélico-doutrinárias para compreensão de seus problemas, assim como encaminhá-la, se assim desejar, aos recursos espirituais que a Casa Espírita possui, assim como transmitir-lhe estímulos de que esteja precisando.

O Atendimento Fraterno é uma relação que deve estar presente em todas as atividades da vida humana, nas relações inter-pessoais, em especial na Casa Espírita.

Objetivo primacial: receber bem e orientar com segurança todos aqueles que o buscam. Não se propõe a resolver desafios nem as dificuldades, eliminar doenças nem os sofrimentos, mas propor ao participante os meios hábeis para a própria recuperação. (Joanna de Ângelis)

• Atender, fraternalmente, os que chegam;
• Ensejar clima de serena confiança que contribua para reerguer o ânimo do atendido;
• Ouvir e orientar à luz do Evangelho de JESUS e da Doutrina Espírita;
• Apresentar JESUS e seu Evangelho à luz do Espiritismo;
• Transmitir esperança como realidade possível;
• Introduzir o conceito de reforma íntima como única terapia que definitivamente
solucionará problemas e dificuldades apresentadas.

1 - Perfil do atendente fraterno

a - Conhecimento da Doutrina Espírita
b - Padrão razoável de elevação mental e moral
c - Busca contínua da vivência evangélica
d - Equilíbrio emocional
e - Tato Psicológico e capacidade de escutar
f - Tolerância para com as dificuldades do próximo e para com as diferenças
g - Capacidade de guardar segredo
h - Integração com as pessoas da casa espírita
i - Ser sócio da casa e participar dos eventos da casa, apoiando a diretoria

a - Conhecimento da Doutrina Espírita - Com o conhecimento básico da doutrina espírita, aliado à boa vontade e ao bom senso, o atendente será fiel à proposta que a doutrina tem para oferecer, evitando aconselhamentos supersticiosos ou sem base doutrinária ou até tratamentos válidos mas que não são a proposta da casa espírita. Toda atividade prática necessita do estudo prévio, para se conhecer o que vai ser aplicado. Esta regra deveria ser observada com mais rigor nas casas espíritas, pois é comum observarmos pessoas carentes de maior preparo no serviço de orientação. Há um hábito geral de se estudar pouco. Pensamos que a boa vontade basta, mas com a experiência percebemos que precisamos de boa vontade mais preparo que advém do conhecimento.

O Conhecimento da Doutrina Espírita: Não se pode fazer um bom atendimento fraterno na Casa Espírita, sem conhecer o Espiritismo. Seria o mesmo que falar de uma coisa que não se conhece.

O essencial é uma boa familiaridade com a Codificação – as obras de Allan Kardec. É claro que o Atendente não tem a obrigação de saber tudo. A Doutrina espírita é uma ciência - filosófica muito nova. Penetra em todos os ramos do conhecimento humano. Seria presunção achar que sabemos muito. No entanto, é indispensável ter os conhecimentos básicos.

Alem da Codificação, existem livros clássicos de grande valor. Só para mencionar alguns: A Série André Luiz; a coletânea de obras sobre Obsessão/Desobsessão do Espírito Manoel Philomeno de Miranda; a Série Psicológica de Joanna de Ângelis; os romances históricos do Espírito Emmanuel; a vasta obra das médiuns Ivone do Amaral Pereira e Zilda Gama, entre outros livros mediúnicos.

Ao lado das obras mediúnicas, existem maravilhosas pesquisas de autores encarnados, que merecem a nossa atenção.

b - Padrão de elevação mental e moral - Condição necessária para a sintonia com os benfeitores maiores na sagrada tarefa de orientar as almas aflitas em busca de auxílio, dando intuições e proteção ao trabalhador.

Boa Moral: O requisito moral é indispensável. Se o atendente não tiver um comportamento saudável, será difícil sintonizar com os bons espíritos. Ao menos ele tem que estar sinceramente engajado na melhora como pessoa. Nesse sentido vale a pena lembrar de uma das características de “O Homem de Bem”, apresentada por Allan Kardec:

“Estuda suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar para combate-las. Emprega todos os esforços para poder dizer que no dia seguinte, há nele algo de melhor do que no dia anterior.”

Dentro desse item – Boa Moral -, estão incluídos:

• A Prece – É necessário o habito constante da oração.

• O interesse fraternal pelas pessoas (gostar de gente).

• Equilíbrio Emocional: Ponderação, paciência, segurança.

• Saber ajudar-se. A pessoa já deve ter um amadurecimento de vida, saber dos seus planos. Deve ter uma vida mais ou menos delineada.

d - Equilíbrio emocional - O atendente pode escutar casos bastantes impactantes, escabrosos ou muito dolorosos. Mesmo assim deve manter-se em harmonia, concentrando-se na ajuda e evitando comentários desnecessários ao atendimento. “Preparar-se bem, psicológica e doutrinariamente, faz-se imprescindível para o desempenho correto do mister a que o atendente fraterno deseja dedicar-se”.

“Uma proposta psicoterapeutica válida deve ser estruturada no sentido da descoberta do ser integral e da finalidade existencial que pode ser alcançada por todos”. (Joanna de Ângelis)

e - Tato psicológico e capacidade de escutar - Aprender a ouvir calmamente as queixas, os desabafos e os choros, em sintonia com o parceiro de luz invisível, pois o atendimento já estará se processando e vai além das palavras emitidas ou dos passes administrados. O atendimento com pressa prejudica a qualidade do trabalho.

Bom Tato Psicológico: Esse item é valioso. É adquirido com a vivencia e estudo simultaneamente. A característica primacial de alguém que tem um bom tato psicológico é a capacidade de saber ouvir. Divaldo P. Franco esclarece:

“A capacidade de saber ouvir é valiosa, porque o cliente, normalmente, quer falar. Na maioria das vezes, não deseja ouvir respostas, quer “desabafar”, como muitos o afirmam, porque, na falta de uma resposta para o problema, ele necessita de alguém que o ouça. Então, o atendente deve possuir esse tato psicológico para dar oportunidade ao visitante de liberar-se do conflito. Evitar, quanto possível, que ele fale de questões intimas, de que se arrependerá depois, quando passar o problema.”

“O Atendimento Fraterno não é um confessionário. Como o próprio nome diz, é um encontro, no qual se atende fraternalmente àquele que tem qualquer tipo de carência”.

 “Com tato psicológico pode-se desviar, no momento oportuno, uma questão que seja inconveniente e interromper o cliente na hora própria, a fim de que não se alongue demasiadamente, gerando um “élan” de afinidades entre o terapeuta do atendimento e aquele que o busca, evitando produzir-se o que, às vezes, ocorre entre o psicoterapeuta convencional e o seu paciente.”

“O Atendente Fraterno deve manter-se em condição não preferencial por pessoas, numa neutralidade dinâmica, como diria Joanna de Ângelis, porque todos são iguais – diz a Justiça – perante a Lei. A todos, então, que têm problemas e nos buscam, deveremos atender com carinho, sem preferências, sem excepcionalidades e sem absorvermos o seu problema, para que ele não se torne um paciente nosso e não transfira todos os seus desafios para nossa residência.”

Esse tato psicológico possui também aquilo que Suely Caldas Schubert chama de “Empatia”. A empatia é um estado de identificação profunda com o outro. É mergulhar dentro do outro. É nessa identificação que o verdadeiro entendimento ocorre.

Para ter empatia, é necessário inicialmente ter simpatia. A empatia significa “sentir dentro”. A simpatia significa “sentir com”. A empatia significa transcender a dimensão tempo (“Eu tenho tempo para lhe ouvir”), e os próprios conteúdos emocionais do atendido (“Eu me coloco à sua disposição e, nesse momento, você é a pessoa mais importante e os seus problemas são o centro do meu interesse”). A empatia, proporciona segurança e confiança ao atendido. Ele ficará à vontade para falar.

Essa empatia, está embutida na Caridade, “conforme entendia Jesus”. Na questão 886 de “O livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta:

“Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, conforme entendia Jesus?”

Os Espíritos respondem:

“Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.”

Ouvir com o Coração - Mensagem de Joanna:

Alem da faculdade de escutar-se com os ouvidos, pode-se faze-lo também com a mente, com a emoção, com interesse, com malícia, com descaso, com ressentimento, com alegria, com o coração...

A arte de ouvir é muito complexa.

Normalmente se ouvem as informações pensando-se em outras questões que predominam, desviando a atenção e impedindo que se fixem as impressões daquilo que se informa.

Algumas vezes, ouvem-se as narrativas que são apresentadas com estados de espírito crítico e perdem-se os melhores conteúdos, porque não estão de acordo com o pensamento e a conduta de quem escuta.

Em diversas oportunidades, ouvem-se as pessoas com indiferença, pensando-se nos próprios problemas e inquietações, distantes do sofrimento alheio, por considerar-se muito grande o próprio.

É comum ouvir-se por obrigação social ou circunstancial, estando-se noutro lugar e situação mental, embora fisicamente ao lado.

As criaturas humanas convivem umas com as outras, mantendo-se sempre estranhas, não conseguindo sair do próprio cárcere em que restringem os passos, embora preservando a aparência de livres.

Por conseqüência, a solidão e a depressão aumentam na razão direta em que se avolumam os grupos sociais sempre ávidos de novidades e posses transitórias, quase coisas nenhumas.

A saturação que decorre do mesmismo, das atividades repetitivas, embora de alta gravidade, que terminam por se transformar em corriqueiras para quem as escuta, responde pelo aturdimento e desinteresse daqueles que se colocam na condição de ouvintes.

Especialmente as pessoas que escutam as narrações dos sofrimentos humanos, de tal forma se acostumam com os dramas e tragédias que, por mecanismo defensivo, distanciam-se dos fatos e oferecem palavras destituídas de emoção e de significado, que momentaneamente atendem aos aflitos, sem os confortar com segurança.

É compreensível essa atitude, porque também são indivíduos que sofrem pressões, angustias, ansiedades e organizam programas de felicidade que não se completam conforme gostariam.

Tornam-se, desse modo, ouvintes insensíveis.

Despertando para a circunstancia aflitiva, de que eles também necessitariam de ser ouvidos e orientados, na solidão em que se encontram, nas necessidades a que estão expostos, são induzidos a fazer uma avaliação de conduta, mudando de atitude em relação àqueles que os buscam.

Passam então a ouvi-los com o coração.

Isto é, participam da narrativa do outro com espírito solidário, saindo da própria solidão.

*

Ouvir com o coração!

Quem narra um drama é gente que, como tal, deve ser considerada.

Não é um caso a mais, um cliente, um necessitado, um pesadelo do qual se deve descartar.

Está sobrecarregada e não sabe como prosseguir. Necessita de ajuda. Requer atenção.

Pode ser molesto para quem ouve. No entanto, uma palavra dita com o coração consegue o milagre de modificar-lhe a visão em torno do que lhe ocorre, encorajando-a para prosseguir no cometimento.

Um sorriso de compreensão dá-lhe um sinal de que está sendo entendida e encontrou alguém que com ela simpatiza e dispõe-se a ser-lhe amigo.

Esscasseiam os amigos, os afetos verdadeiros.

Multiplicam-se aqueles que fazem parte dos mortos-vivos da sociedade consumista, quando ela necessita de seres que pensam e que sentem, vibrando em espírito de solidariedade.

Cada pessoa é um país a conquistar-se e a ser conquistado.

Particularmente, quando está fragilizada, isolada na ilha da sua aflição, perdida na fixação do sofrimento, anseia por outrem que lhe possa arrancar a âncora infeliz que lhe retem.

Há, no entanto, uma forma para a mudança de conduta, beneficiando-se e auxiliando aos demais.

Procurar ouvir em cada ser uma historia, como se fosse um escritor, um jornalista, alguém interessado na outra vida.

Descobrir o novo, o inusitado no seu próximo, com olhos mais percucientes, penetrando no âmago da ocorrência.

Deixar-se inspirar pelo outro, pela sua necessidade, pela sua aflição, pela sua alegria e mensagem, quando isso ocorrer.

Alem de ouvir, oferecer algo em troca: uma palavra alentadora, um gesto fraternal em forma de abraço, um sorriso compassivo, qualquer coisa que responda ao suplicante de maneira encorajadora.

Ampliar o coração no rumo de quem fala ou de quem apenas, em silencio, demonstra a sua terrível aflição.

Ouvir com o coração é também uma forma feliz de falar com o coração, mediante ou não o uso de palavras.

É vibração de amor que se expande e que retorna em música de solidariedade.

Os médicos, invariavelmente, utilizando-se do estetoscópio, auscultam o coração dos seus pacientes, mas raramente escutam a mensagem discreta que ele transmite, pedindo socorro fraternal, ajuda emocional, bondade estimuladora...

Aprende, tu, a ouvir com o coração, tudo quanto outros corações s estejam procurando dizer-te

Descobrirás um mundo totalmente novo, enriquecedor, no qual te encontras e ainda não havias percebido, alegrando-te com a honra imensa de estar nele e ajuda-lo a ser cada vez mais feliz

Portanto, ao Atendente Fraterno, mais ainda, necessita ter alguns requisitos:

1 -  HUMANOS BÁSICOS:

- Saber ajudar-se;
- Interesse fraternal por outras pessoas;
- Conhecimento das relações humanas e inter-pessoais;
- Hábito da prece e do estudo;
- Ser pessoa moralizada;
- Equanimidade, ponderação, paciência, segurança, equilíbrio emocional.

2 - NATUREZA EVANGÉLICO-DOUTRINÁRIA:

- Conhecimento evangélico-doutrinário;
- Integração nas atividades da Casa Espírita;
- Ser aplicador de passe.

3 - OUTROS REQUISITOS:

- Comedido, discreto, fraterno, afável, gentil, caridoso, carismático;
- Ouvir mais do que falar, expressar sentimentos com sinceridade e interesse real de ajuda,
capacidade de levar o atendido à compreensão de si mesmo;
- Evitar interromper àquele que fala;
- Ter paciência, reservando-lhe o tempo necessário para apresentar a idéia, o pedido de
orientação e de ajuda, para libertar-se da opressão do drama que o aflige;
- Não fazer perguntas embaraçosas, quando a questão seja apresentada de forma nebulosa. O
que não foi dito poderá constranger o atendido, caso se veja convidado a detalhar situações delicadas ou
perturbadoras;
- Quando convidado a opinar, expressar com bondade aquilo que deduz, buscando sempre
ajudar, nunca aumentando o peso das preocupações, acusando, seja quem for, ou estimulando a
consciência de culpa;
- Demonstrar simpatia na face, exteriorizando interesse, ao invés do enfado, em razão do tema
parecer cansativo ou sem maior significado;
- Quando a narrativa se alongar em forma repetitiva, sugerir, fraternalmente, que as queixas,
lamentações, reclamações, auto-piedade, devem ser substituídas por confiança e fé em DEUS.

Além disso incluimos:

a) Preparo prévio geral: Diferentemente de outros trabalhadores da Casa que possuem uma referência prévia em relação à tarefa (Coordenador de Grupo; Roteiro Sistematizado; Bibliografia Sugerida; Palestrante: tema anteriormente escolhido, etc.); o Atendente não pode antecipar quem sentará à sua frente: Alguém com tendência suicida? Alguém com ódio do próximo? Necessário, portanto, seu preparo em leituras de livros edificantes, sintonia elevada, prática de prece, hábito da meditação; simulação mental de atendimento a possíveis tipos de problemas. O material mental arquiva-se na memória e é trazido à tona muitas vezes, por intervenção de amigos espirituais, quando situações semelhantes se apresentam na tarefa.

b) Inspiração ostensiva de trabalhadores espirituais: Pela impossibilidade de preparo prévio específico, os trabalhadores espirituais superam essa fragilidade esmerando em oferecer as inspirações necessárias ao Atendente. Daí que, muitas vezes estabelecem com o Atendente um intercâmbio intenso de idéias e de sugestões mesmo que ele não se dê conta disso. Afinal, o irmão em atendimento para chegar até ali, já requereu muito esforço espiritual. Por isso, todo empenho deve ser feito para evitar que a oportunidade seja desperdiçada. O preparo do Atendente é indispensável, para possibilitar essa sintonia utilizar, os recursos da leitura, meditação, prece, sintonia elevada.

c) Necessidade de conscientização e permanente reflexão sobre a natureza do trabalho: O trabalho do Atendente é feito em solidão e muitas vezes, o atendido nunca mais é visto. É necessário, portanto, que o Atendente reflita, constantemente, que o seu trabalho é feito perante o olhar do mundo espiritual. Que a mais importante aprovação deve vir de sua consciência tranquila por ter feito o melhor que podia. Não sendo assim, a tendência é desestimular-se e abandonar a tarefa.
2 - Ambiente adequado para o atendimento fraterno

O local onde serão feitas as entrevistas deverá ser reservado. Não se pode esquecer que vão ser tratados assuntos da intimidade das pessoas e que se deve ter o maior respeito e discrição possível, frente a tantos dramas. Uma pequena sala pode ser determinada para tal fim, podendo ser aproveitada também para outras atividades, caso o Centro Espírita tenha problema de espaço. As entrevistas realizadas em sistema aberto, ou seja, vários entrevistadores em uma única sala, realizando o trabalho ao mesmo tempo, têm o grande inconveniente de não oferecer ao assistido a privacidade tão necessária nessa hora em que ele vai ali desnudar o seu problema. Entretanto, existem casas que o fazem e dizem ter resultados satisfatórios.

a - Ter um local apropriado para os atendimentos
b - Sala de localização estratégica para quem entra no centro
c - Ambiente da sala agradável, discreto e confortável
d - Privacidade

a - Ter um local apropriado para os atendimentos - Dada a importância da tarefa é uma providência justa reservar uma ou mais salas, para evitar que o tarefeiro fique circulando com o assistido pela casa, em busca de um espaço. Isso por si já é uma dificuldade para o atendente.Isso ocorre mais nos dias em que a casa está cheia, como ocorre nos finais de semana.
  • Temperatura: O Calor excessivo pode irritar. O frio em excesso pode deprimir. Essas condições podem afetar na audição. 
  •  Ruído: Pode também prejudicar a depender do nível de concentração da pessoa.  
  •  Iluminação: Uma iluminação excessiva pode prejudicar a expressão facial e os gestos da pessoa que está falando. Também é necessário evitar usar uma meia-luz, já que a penumbra pode “afastar” psiquicamente as pessoas. Nesse caso o atendido pode se achar falando sozinho. De bom alvitre seria uma iluminação normal.  
  • Preocupação com o meio ambiente: Evitar atender em locais onde as pessoas ficam transitando. O ambiente deve ser tranqüilo. Ademais é um local onde os bons espíritos irão preparar a psicosfera, e ajudar o atendente na inspiração.  
  • Saúde: É recomendável que o atendente não realize a tarefa quando doente ou mal – humorado. O seu estado anormal de saúde pode afetar na sua atenção, na sua comunicação, portanto no atendimento fraterno. 

b - Sala de localização estratégica para quem entra no centro - Isto facilitará o acolhimento de quem chega, muitas vezes aturdido. Facilmente a pessoa é isolada neste ambiente e terá o atendente condições de dar atenção que precisa, sem sem interrompido por outras pessoas.

3 -  Sugestões da terapêutica espírita

Deve se ter cuidado com a colocação das propostas, evitando impressionar as pessoas com diagnósticos alarmantes, sobre companhias espirituais, energias "pesadas ou escuras" em qualquer parte do corpo ou até mesmo sugerir problemas de saúde, como depressão, pânico ou "problema no aparelho digestivo".

a - Frequentar as reuniões doutrinárias
b - Fluidoterapia
c - Água fluidificada
d - Evangelho no lar
e - Tratamento espiritual
f - Hábito da prece
g - Hábito do estudo
h - Buscar o bom comportamento
i - Processo contínuo de Reforma Íntima
j - Serviço voluntário

b - Fluidoterapia - A fluidoterapia é uma arma poderosa no tratamento das enfermidades espirituais. A maioria dos casos são resolvidos com estes procedimentos: orientação, passes e água fluidificada. É fundamental o Centro Espírita contar com uma equipe de passistas alinhada no mesmo pensamento de servir ao próximo e que tenha a plena consciência da gravidade da tarefa que está empreendendo. É preciso que também esteja consciente da necessidade de um constante trabalho de reformulação moral interior. Afinal a qualidade dos fluidos doados está na razão direta da moralização do médium. A equipe não poderá ter variação freqüente, a não ser nos casos de necessidade.
Os passes serão administrados nos dias do próprio atendimento, podendo nos casos graves, serem aplicados mais de uma vez por semana, e por mais de um passista.

i - Processo contínuo de Reforma Íntima - A maneira mais eficaz de se evitar futuros tratamentos espirituais será o investimento do candidato ao processo de renovação íntima, através do autoconhecimento e da sua adequação às leis morais, entre as quais a lei do progresso que nos convida a melhorar sempre.

j - Serviço voluntário - Nos casos graves, as enfermidades espirituais podem levar as criaturas a condições tão degradantes que impossibilitam-nas ao trabalho de qualquer natureza. Porém, na maioria das situações as pessoas podem se dedicar a algum tipo de trabalho e isso deve ser estimulado como parte da terapia reequilibrante. A ociosidade agrava qualquer mente em desalinho.
Entretanto, deve-se ter o cuidado para não levar adiante a idéia corrente de que basta colocar o obsediado para "trabalhar" para livrá-lo da obsessão. Isso é procedimento de casas que não fundamentam seus trabalhos na metodologia kardequiana, portanto pouco têm a oferecer aos que buscam auxílio em situações de desespero. Como geralmente a parte assistencial é a linha de frente dos trabalhos dessas casas, generalizou-se esse grave equívoco em nosso meio, o que trouxe imensos prejuízos para a resolução dos problemas mais sérios.
4 - Problemas mais comuns que chegam no atendimento

Os problemas que se apresentam são os mais variados, desde simples perturbações espirituais até obsessões graves, passando por problemas de ordem emocional, física e psíquica. A pessoa que ali está vê no entrevistador alguém que pode ajudá-lo a resolver seus problemas. Coloca com confiança a situação que o levou a buscar ajuda e têm expectativas em melhorar sua condição.

A maioria dos problemas que chegam são da própria criatura. São problemas psíquicos,  dificuldades emocionais e relacionais, conflitos e agitações mentais. Importante se evitar o viés de enxergar sempre um Transtorno Obsessivo ou mediúnico na maioria dos casos que chegam. Lembrar da lição espírita "Causas atuais das aflições"e considerar este ensinamento, estimulando o atendido a fazer a parte dele, tomando a atitude que lhe será recomendada e que está descrita aqui na parte "Sugestões da terapêutica espírita". Os acompanhantes espirituais foram atraídos por sintonia e quando retirados, se o indivíduo não muda para melhor o processo de atração deverá se repetir. O grupo espírita tem o dever de informar bem as pessoas neste sentido.

São vários os problemas que surgem no Atendimento Fraterno. É necessário que o atendente fraterno tenha algumas noções básicas (ainda que simples) acerca dos problemas da personalidade, a fim de não confundi-los com os processos obsessivos, quando na realidade são conflitos da própria personalidade, transtornos, traumas psíquicos, do individuo, o Espírito encarnado.

O psiquiatra Jorge Andréa, esclarece:

“Essas estruturas doentes, do Espírito ou da Individualidade, imprimem nas células nervosas desvios metabólicos a refletirem uma intensa gama de personalidades doentias, conseqüência de autenticas respostas cármicas.”.

De uma forma muito simples, a personalidade é o resultado de vários fatores em uma encarnação. A palavra personalidade está vinculada a “persona” que quer dizer “mascara”. É o papel que a pessoa assume na vida, graças a inúmeros fatores de ordem educacional, social, histórica, resultado também da interação social.

Portanto, ao longo das reencarnações sucessivas, assumimos inúmeras personalidades.

A Individualidade é o Eu profundo, o Ser, o Espírito Imortal. Está alem das personalidades.

Os problemas da personalidade, na interação social, nas tensões, nos problemas que surgem, de alguma forma atingem a Individualidade. Segundo o Psicólogo Rollo May, a origem dos problemas da personalidade é “uma falta de ajustamento das tensões dentro da personalidade.” A meta portanto, é ajustar as tensões.

Como ocorrem essas tensões? Diante dos desafios da vida, a pessoa experimenta tais sentimentos. Isso vai proporcionar um certo ajustamento na personalidade. Em um processo dinâmico, a pessoa está sempre se ajustando. É a evolução.

Jorge Andréa elucida:

“Devemos considerar, como personalidade desviada, as condições dinâmicas que atingem o caráter e cuja intensidade ou grau modificarão a conduta e conseqüentemente a vida social. Desse modo, estarão enquadrados os indivíduos que destoam da média, apresentando tanto agressividade exagerada como passividade extrema, os desvios sexuais, os alcoólatras, e uma série de disfunções da personalidade. Geralmente são indivíduos que acham que sua reações são mais desencadeadas pelo meio em que vivem do que partindo deles próprios.” (negrito nosso)

a - Problemas emocionais
b - Obsessões espirituais
c - Transtornos Psiquiátricos
d - Conflitos existenciais
e - Conflitos de relacionamento
f - Problemas familiares
g - Problemas sociais
h - Perda de entes queridos
i - O desesperado
j - O desanimado
k - O descrente
l - O fanático
m - O espírita
n - Transtornos mediúnicos
o - O que quer resolver problemas dos outros
p - O sábio
q - O pessimista
r - Enfermidades orgânicas
s - Problemas finenceiros


c - Transtornos Psiquiátricos -

Depressão: A depressão, muitas vezes, tem como pano de fundo a Consciência de Culpa do Espírito que errou no passado. É um transtorno que merece a avaliação de um especialista. Portanto, nunca é demais recomendar a pessoa procurar um médico, um psicólogo, e ao mesmo tempo orienta-la no tratamento que a doutrina espírita recomenda:

• Aplicação de passe

• Reforma Moral (O mais importante)

É necessário estimular o paciente depressivo a trabalhar, na medida do possível. Que ele possa atuar em alguma atividade edificante. De preferência uma tarefa que lhe exija movimentação física. Isso facilitará a sua concentração, e ele vai sair – naquele momento – da faixa depressiva, facilitando o auxilio dos espíritos bons. Portanto, Trabalho no Bem!

Ao lado disso, cultivo da oração, estudo, freqüência às reuniões doutrinarias, e Evangelho – Terapia!

Recomenda Joanna de Ângelis:

Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus.

Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho.

Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar.

Quando sitiado pela idéia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista.

Açodado pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.

Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão.

Toda vez que uma idéia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-te a razão, recorre à prece e à polivalência de conceitos, impedindo-lhe a fixação.


Agradecendo a Deus a bênção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanismos inconscientes de culpa, e produze com alegria.

Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procedem do Espírito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável.

Em clima de compreensão e afabilidade, o atendente pode dizer ao depressivo que depende muito do esforço pessoal dele, a fim de se libertar da depressão.

O esquizofrênico

A esquizofrenia é uma enfermidade mental semelhante à obsessão espirítica e pode ser classificada como auto-obsessão. Os pacientes portadores dessa anomalia mental escutam vozes constantemente e têm mania de perseguição. Julgam-se saudáveis e na maioria das vezes resistem ao tratamento médico ou espírita. Nos casos em que o enfermo aceitar, ele poderá ser encaminhado ao tratamento convencional de desobsessão. O entrevistador não deverá considerar as manifestações do psiquismo doentio desses pacientes, como sendo informações consistentes para suas investigações. Geralmente os esquizofrênicos são Espíritos muito endividados com o passado, que estão em encarnações de grave expiação. A terapia espírita deverá estar associada ao tratamento psiquiátrico.

e - Conflitos de Relacionamento: São muito comuns. Normalmente a pessoa apresenta conflitos com o filho, pai, mãe, cônjuge, amigos... Os motivos apresentados são os mais variados. A nossa orientação, calcada nos ensinamentos espíritas, deve ser sempre com o intuito de libertar a pessoa. Que ela possa ser feliz, libertando-se da angústia, mesmo que não correspondida, e/ou compreendida pelo outro.

Solução para os relacionamentos perturbadores: (Dica de Joanna de Ângelis)

“A solução para os relacionamentos perturbadores, não é a separação, como supõem muitos. Rompendo-se com alguém, não pode o individuo crer-se livre para um outro tentame, que lhe resultaria feliz, porquanto o problema não é da relação em si, mas do seu estado íntimo, psicológico. Para tanto, como forma de equacionamento, so a adoção do amor com toda a sua estrutura renovadora, saudável, de plenificação, consegue o êxito almejado, porquanto, para onde ou para quem o individuo se transfira, conduzirá toda a sua memória social, o seu comportamento e o que é.

“Desse modo, transferir-se não resolve problemas. Antes, deve solucionar-se para transladar-se, se for o caso, depois.”

f - Problemas familiares - Relações familiares adoecidas,  heranças, infidelidade conjugal

h - Perda de entes queridos - Geralmente procuram o centro inconformados pela perda de alguém da família, com o objetivo de conseguir notícias do ente querido. Confortá-lo com a ajuda das ferramentas da Doutrina Espírita. Pode-se anotar o nome do desencarnado para fazer preces por ele ou verificar na sessão prática com está sua situação, se houver necessidade. Nunca prometer mensagens mediúnicas. Isso gera uma expectativa na família e nem sempre tal coisa é possível. As conversas em torno da imortalidade da alma trazem grande conforto espiritual, bem como a sugestão da leitura de livros adequados para o caso. O convívio na casa, no contato com a Doutrina Espírita, com o tempo fará a pessoa compreender mais e sofrer menos.

Morte de Pessoas amadas: Nesse caso, normalmente a pessoa acerca-se do Atendimento Fraterno procurando alguma forma de receber notícia do ser querido que morreu. É necessário esclarecer a pessoa. Não podemos prometer uma coisa, que não sabemos se é possível. Não podemos enganar a pessoa. Então, temos que orienta-la, dizendo a verdade, mas sem parecer agressivo, rude, grosseiro, sem magoar. Alguns sentimentos são bastante comuns nesse caso:

• Estado de Choque: É o primeiro momento. Ocorre logo depois da morte.

• Sentimento de Culpa: A pessoa acha que poderia ter evitado a desencarnação do ser querido. Ou então, tem arrependimento de alguma coisa que fez e/ou deixou de fazer com relação ao ser amado.

• Ausência física da pessoa: Essa é a parte mais dolorosa. O dia – a – dia, o cotidiano sem o ser querido. Ele continua fazendo tudo, mas sem a presença do outro. Isso lhe proporciona saudade, leva-o a recordações, à tristeza. Enfim, é toda uma adaptação.

É necessário esclarecer à pessoa que ela é humana. Tem o direito de sentir saudade, e até de chorar. Mas que não se revolte! Que não se rebele! Que não se desespere! Porquanto se assim se comportar, o ser querido que está se adaptando no mundo espiritual, vai vê-la chorando, e vai ficar angustiado também – porque não pode fazer nada.

Que ela se dedique ao bem, para não cair na depressão. O ser querido não tem culpa de ter desencarnado sem consulta prévia. Evitar a angustia, é prova de amor por aquele que partiu.

i - O desesperado - A pessoa que procura o centro em estado de desespero, tem que ser acudido a qualquer momento. Em primeiro lugar, procura-se acalmá-la envolvendo-a em palavras de conforto, transmitindo-lhe confiança e carinho. Na maioria das vezes está sem condições para ouvir instruções mais objetivas, portanto o melhor será encaminhá-la ao passe, para num segundo momento entrar com as conversas instrutivas e de orientação.
O desespero pode ser oriundo das mais diversas causas, mas todo o fundamento dele se baseia na falta de fé e confiança no futuro. A pessoa se desespera porque não vê saída para seu problema. O sentido de perda lhe traz a sensação de que tudo está acabado. Através da segura orientação da Doutrina Espírita, temos que incutir lentamente no indivíduo a confiança em Deus e em Sua justiça, tirando-o do desespero. Com o tempo e o auxílio dos amigos espirituais, o paciente reencontrará o equilíbrio.

j - O desanimado - Normalmente um paciente é desanimado porque sua vida está sem sentido. Ele não tem ânimo para o trabalho e na maioria das vezes se isola do convívio social e familiar. Freqüentemente tem depressão profunda e pensamentos que se relacionam com a morte. É necessário ter muita cautela com a orientação doutrinária e ter sempre o cuidado de encaminhar o caso também ao médico terreno para que seja avaliada a necessidade do uso de medicações, por possíveis enfermidades físicas que possam estar instaladas no organismo.
Se possível, envolver a família na orientação, mostrando os riscos que corre o doente de enveredar-se pelo caminho do desequilíbrio. Explicar, através do diálogo fraterno e convincente, a necessidade de sua moralização, pela prática da religiosidade, da moral e organização da própria vida.

k - O descrente - É aquele que inicia sua conversa já dizendo que foi trazido por sua família ou amigos, mas que não acredita em nada etc. Na maioria das vezes quer ser convencido de alguma coisa ou espera que seus problemas sejam resolvidos por outros. Tenta fazer parecer que não está muito interessado na ajuda oferecida pelo centro espírita. Nestes casos, deixar claro que ele só será auxiliado se quiser e que terá que se esforçar para isso. Evitar atitudes paternalistas com o paciente. Muitas vezes a ação mais enérgica do entrevistador faz com que o indivíduo mude sua postura perante a vida. Mostrar as desvantagens da descrença e os benefícios que poderia ter, revertendo esse quadro.

l - O fanático - Esse tipo de personagem é muito encontrado entre espíritas que supõem resolver seus problemas com a ação dos Espíritos superiores, sem se esforçarem para vencer as dificuldades. Geralmente não aceitam interferências de terceiros em suas convicções e nos casos de doenças orgânicas chegam a desprezar o tratamento da medicina terrena. Acham que, por trabalharem no centro espírita, os irmãos espirituais estão a postos para ajudá-los a resolver seus problemas. É muito delicada a abordagem desse tipo de personalidade, pois trata-se na verdade de pessoas equivocadas quanto ao papel do Espiritismo na vida do homem.
Procurar orientar no sentido da compreensão das verdades divinas, retirando-o da faixa de fanatismo em que se encontra. Se houver condições psíquicas adequadas, mostrar racionalmente ao paciente seu equívoco de posicionamento. O exagero em qualquer setor da vida produz sofrimentos. Trabalhar para retirá-lo desse estado, com orientações através de entrevistas e palestras.

m - O "espírita" - São pessoas que se dizem "espíritas" porque tiveram contato com terreiros de Umbanda, Candomblé e mesmo com o Espiritismo. Querem ler muitas obras psicografadas (ou dizem que já o fizeram) e vão logo afirmando que gostariam de trabalhar na casa. Procuram auxílio por não estarem bem, mas na maioria das vezes, já dizem o que acham necessário para a solução de seus males. Isso torna bem difícil uma orientação mais efetiva. Na medida do possível, conscientizá-lo sobre a responsabilidade de ser espírita e demonstrar que a possibilidade de trabalho será definida mais tarde. Primeiro é necessário buscar um estado mínimo de equilíbrio espiritual.

n - Transtornos mediúnicos - O médium - Este tipo de assistido já vem com o diagnóstico de sua "mediunidade". Acha que a mediunidade é a causa de sua perturbação. Verificar, através da própria entrevista, onde exerce (ou exerceu) seu trabalho de intercâmbio; se num terreiro ou num centro espírita. A atividade mediúnica inadequada pode gerar perturbações no psiquismo das pessoas. Além do mais, dependendo de onde estava "trabalhando", o paciente pode estar sendo vítima de processo obsessivo oriundo de contaminação. Orientá-lo no sentido de que seu dom será reavaliado mais tarde, depois do tratamento. Jamais prometer que ele vai trabalhar como médium na casa, pois muitas vezes a pessoa vem à entrevista com essa intenção. Nunca encaminhar o paciente para sessões práticas de Espiritismo, antes de submetê-lo a tratamento, mesmo que o paciente já tenha tido orientação kardequiana.

o - O que quer resolver problemas dos outros - Geralmente são pais aflitos ou cônjuges tentando fazer qualquer coisa para salvar determinada situação de desequilíbrio instalada em suas vidas. Não raro querem se submeter a tratamento no lugar do necessitado, na desesperada tentativa de ajudá-lo, pois de maneira geral são pessoas refratárias a procurar ajuda. O entrevistador deve esclarecer como se dá o auxílio espírita e a necessidade da presença do doente na casa. Deve pedir que façam o possível para trazê-lo no centro espírita. Oferecer ajuda indireta através do livro de pedidos de amparo. Em casos graves, pode-se anotar nome e endereço do necessitado, para ser levado às sessões práticas.

p - O sábio - O "sábio"

Aquele que busca auxílio na casa espírita, mas acha-se muito sábio, culto e inteligente e não se sente à vontade submetendo-se à orientação de alguém que ele julga ser inferior a ele. Através da conversa, quer mostrar-se superior e se o entrevistador não for suficientemente experiente, ele pode monopolizar o diálogo, tornando infrutífero o trabalho de esclarecimento. Agir com tato, demonstrando que todos temos muito a aprender na escola da vida. Nos casos em que o entrevistado demonstrar que quer "duelar" no campo das idéias, deve-se ter a sutileza de desviar seu intento, fazendo-o ver que aquele não é o momento e o local apropriado para disputas. Jamais esquecer que se está diante de pessoa em desequilíbrio. Mostrar que a casa espírita e o Espiritismo estão ali para ajudá-lo, se tiver humildade para se colocar como necessitado da alma.

q - O pessimista

O pessimismo é uma atitude mental inadequada que gera uma energia negativa na mente da pessoa, prejudicando todas as atividades na vida. Tratar com o pessimista é muito difícil, pois ele se coloca a todo momento como fracassado e descrente de possíveis melhorias. Geralmente são indivíduos que portam auto-obsessões e não raro freqüentam casas espíritas a vida inteira.
O pessimista pode necessitar de psicoterapia e têm-se que estar atentos a esse fato, para encaminhá-lo a profissionais da área, se for necessário. Com o estabelecimento da ajuda espiritual, sua atitude mental poderá se modificar, facilitando a compreensão das instruções a ele oferecidas através das palestras e conversas periódicas na sala de entrevistas.

r - O portador de doença orgânica

Normalmente a pessoa que procura a casa espírita com problema orgânico, pensa encontrar ali a cura de sua doença, pois acha que vai ser "operado" etc. É bom que seja informado que a etiologia das doenças podem ser de ordem externa e interna. Externas são aquelas provenientes do meio onde vivemos e circunstâncias da própria matéria que constitui nosso organismo. Internas, quando são oriundas do corpo espiritual e constituem-se em conseqüências de condutas e posicionamentos inadequados de outras encarnações. É importante certificar-se se o paciente está em assistência médica e jamais se deve suspender o uso de medicamentos. Encaminhar para tratamento adequado na casa espírita.

O portador de doença grave

São pessoas que vêm à casa espírita, normalmente trazidas por seus familiares, em estado de desespero por portarem doenças graves e às vezes crônicas. Essas pessoas vêm com grande esperança de serem curadas. É importante não prometer curas milagrosas, mas a ajuda que a Doutrina Espírita traz é fundamental para a superação da prova a que o paciente está submetido. A fluidoterapia e a orientação sobre a origem dos males ajudará o enfermo no processo de conscientização e até, quem sabe, da cura propriamente dita. Prescrever assistência espiritual e deixar claro que o tratamento espírita é um auxiliar da medicina terrena.

Alguns pacientes portadores de obsessões graves, poderão necessitar de uma terapia medicamentosa. O entrevistador, sempre que achar necessário, deverá encaminhar o paciente ao médico terreno, para que ele proceda conforme a necessidade. Caso ele já esteja sob cuidados médicos, evidentemente a terapia deverá ser mantida e jamais o entrevistador poderá interferir nesse procedimento.
Receituários alopáticos, homeopáticos ou fitoterápicos devem ser terminantemente evitados na casa espírita. Esse tipo de trabalho é muito propício ao endeusamento de médiuns, ao estímulo à vaidade pessoal do mesmo e, por isso mesmo, à facilidade do concurso de Espíritos pouco adiantados, que via de regra, acabam comandando o núcleo espírita. Lembrar sempre que a terapia espírita se fundamenta na moralização dos pacientes, dos Espíritos perturbadores e na fluidoterapia. Nada mais.

Provas e/ou Expiações: Estão nesse grupo os casos de: Doenças mentais irreversíveis, epilepsia, estado de coma, câncer, AIDS, entre outros. Quem busca o atendimento, invariavelmente é alguém que tem um parente assim. Muitas vezes é a pessoa que cuida, e está cansada. Não sabe mais o que fazer. É necessário explicar a pessoa os mecanismos da Lei de Causa e Efeito. Com a lógica da reencarnação nem tudo aquilo que é tragédia, realmente o é.

Lembrar a pessoa que acompanha o ser enfermo, que ela tem uma grande missão junto a ele. Estão vinculados. A pessoa que sofre hoje, não é infeliz: Está se depurando! Esta reparando a insensatez do passado. E o familiar que se encontra ao lado, ajuda nesse processo.

Quem sabe, se o filho de hoje que tem autismo, não foi o suicida do passado que atirou contra a própria cabeça, destruindo o cérebro? Quem sabe se este que tem câncer, não foi o viciado do passado? Quem sabe se esse que tem esquizofrenia, não foi aquele criminoso rebelde que matou e traiu? Ninguém sofre por inocência.

Ao mesmo tempo, oferecer-lhe a exata dimensão da misericórdia divina. Quando passar essa existência física, quando essa prova for superada, o enfermo de hoje vai se liberar totalmente feliz, e recuperado! A partir de então, terá a oportunidade de se reencarnar em um corpo saudável. Alguns anos de limitação na Terra, de sofrimento bem suportado, pode poupar séculos de amargura, no mundo espiritual.


5 - Organização geral dos trabalhos de atendimento fraterno

a - Plantão na recepção
b - Identificação do trabalhador
c - Panfleto com a programação das atividades da casa
d - Lista de serviços gratuitos prestados na cidade 
e - Cursos de reciclagem
f - Fichas específicas para comunicação escrita
g - Os atendimentos podem ocorrer cerca de duas horas antes do horário das reuniões públicas.
h - Reuniões extraordinárias para avaliação de resultados
i - Encaminhamento do assistido

a - Plantão na recepção - Cada grupo pode, no dia da sua reunião, escolher um ou mais pessoas para ficarem na entrada da casa, acolhendo as pessoas que entram, orientando quanto às atividades e encaminhando para o que for necessário. Uma boa receptividade dá uma boa impressão e estimula quem chega, muitas vezes confuso, a procurar a ajuda. Uma capacidade de observação é importante para o recepcionista, pois em alguns casos mais graves a pessoa precisará ser encaminhada diretamente para a sala reservada para o atendimento fraterno. Quando não for necessário o atendimento fraterno alguém do grupo de apoio conversará dando as boas vindas e combinando com a pessoa para retornar para a reunião deste dia ou de outro dia que for mais conveniente para o visitante. Seria de bom tom acolher a todos para evitar que o visitante entre e participe da palestra sem que ninguém o recepcione ou estabeleça alguma relação com ele.

b - Identificação do trabalhador - Necessária principalmente em centros de maior movimento de pessoas. O visitante entra na casa e não sabe a quem pedir informação, os trabalhadores da casa podem usar crachás no atendimento ao público.

c - Panfleto com a programação das atividades da casa - A equipe de atendimento deve conhecer em detalhes todos os atendimentos que a casa oferece. Não só dias e horários, mas o objetivo daquele trabalho, público alvo, como é feito o atendimento, quem deve ser enviado para aquele tipo de trabalho, assim, se for o caso, poderemos encaminhar o paciente para um atendimento mais específico;

d - Lista de serviços gratuitos prestados na cidade. Serviços de saúde, de psicoterapia, balcão jurídico etc. prestados por outras casas irmãs, que podem suprir as demandas. A lista poderá ter contato telefônico e endereço das entidades filantrópicas.

e -  Cursos de reciclagem - Promovem uma maior comunicação entre todos os trabalhadores da casa, com troca de informações  e  análise sigilosa do tratamentos de  alguns dos pacientes.

f - Fichas específicas para comunicação escrita - São papéis impressos com campos para identificação do assistido. Pode haver um papel que serve de encaminhamento do entrevistador para o grupo de tratamento espiritual, com a possibilidade de indicação do tipo de tratamento indicado. Pode ter alguma ficha onde se pode escrever alguma orientação para ser entregue ao assistido. Pode se optar por cores diferentes de fichas onde o atendente encaminha o assistido com a ficha da cor específica relacionada a um tipo de tratamento.

Fichas de informações

Esta ficha, devidamente preenchida com os dados de identificação na recepção, estará agora nas mãos do entrevistador para que se procedam as anotações inerentes ao caso. As informações mais pertinentes deverão ser ali anotadas, pois servirão para estabelecer uma linha de ação, assim como serão necessárias para o devido acompanhamento de cada caso. Todas as informações são absolutamente confidenciais e esta ficha será arquivada em local apropriado. Terá acesso a ela somente aqueles que estão envolvidos com essa tarefa. Evidentemente será utilizada em possíveis retornos.

Carteira de controle

Da mesma maneira que as fichas, as carteirinhas de controle são necessárias para um acompanhamento mais efetivo do tratamento realizado com os pacientes. Ali serão anotadas as datas dos passes ministrados, por pessoa encarregada pela organização desse procedimento, bem como a data do retorno do mesmo à Sala de Entrevistas para a avaliação final. É uma boa maneira também de se aferir faltas ou abandonos de tratamentos.
Existem algumas resistências ao uso de "carteiras de tratamento" e as críticas baseiam-se no fato de se estar burocratizando o atendimento. Os bons resultados dos trabalhos com esse método, no entanto, nos anima a continuar nessa linha de ação.

g - Os atendimentos podem ocorrer cerca de duas horas antes do horário das reuniões públicas - Algumas casas iniciam com os atendimentos depois a reunião pública doutrinária e depois o tratamento espiritual. Assim os que estão em tratamento permanecem na casa após a palestra para se submeter ao tratamento. 

h - Reuniões extraordinárias para avaliação de resultados - Em todo e qualquer trabalho que se realiza, faz-se necessário um estudo dos resultados, como método de aferição de sua produtividade. Isso se aplica a qualquer empreendimento. Neste caso, a observação dos resultados nos dará um idéia da qualidade da assistência que está sendo oferecida aos pacientes que procuram a casa. Saber se os casos estão sendo resolvidos, se as pessoas estão satisfeitas com o tipo de serviço oferecido é obrigação de todo trabalho sério. Aqui entra a importância das fichas de atendimento e das carteirinhas de controle para realização dessa avaliação.
Existem três itens básicos que nos auxiliam nessa avaliação: a) resolução do processo; b) insucesso no tratamento; c) abandono da assistência.
A experiência tem demonstrado que o Espiritismo pode resolver em torno de 70% dos casos de obsessões de um modo geral. Se os casos atendidos não estão sendo resolvidos, ou existe um percentual considerável de abandono, os métodos de trabalho precisam ser revistos passo a passo, da recepção à reunião mediúnica, passando pelo passe e reunião pública.

Não há outro meio de se saber os resultados de qualquer trabalho a não ser avaliando-o. A terapêutica espírita também não foge à regra. As avaliações dos assistidos devem ser periódicas, em data de retorno previamente marcada na entrevista inicial. Desta forma poderemos fazer duas coisas importantes: dar mais atenção à pessoa que está em assistência na casa e avaliar suas condições espirituais atuais. Caso sua situação espiritual não esteja evoluindo bem, deve-se continuar o tratamento e submeter o caso a uma nova investigação. Este também é um dos motivos da necessidade da carteira de controle.

i - Encaminhamento do assistido - Finalmente, depois da avaliação e liberação do paciente da assistência espiritual recebida, convém direcioná-la para algum setor da casa, se for de sua vontade permanecer nela. Neste caso, ela pode ser encaminhada para os cursos que o Centro Espírita oferece e que devem ser adequados para o seu nível de entendimento. Também poderá ser estimulado a servir, como voluntário, nas fileiras do trabalho caritativo.
Não é conveniente colocar pessoas com enfermidades espirituais em cursos de estudos da Doutrina Espírita, sem antes submetê-la a assistência dos Espíritos amigos, pois o bom senso nos diz que indivíduos em desequilíbrio não estão em condições de assimilar as idéias com naturalidade.
Devemos lembrar que nem todos os que vão em busca de assistência nas casas espíritas querem aprender Espiritismo. Muitos, depois de "curados", voltam para suas crenças de origem. Isso deve ser muito respeitado. Não devemos fazer de nossas casas espíritas uma armadilha para arrebanhar adeptos. A Doutrina Espírita é destinada aos Espíritos quem tem amadurecimento para compreendê-la. Não se pode forçar ninguém a aceitá-la.
Enfim, se através do Atendimento Fraterno da casa espírita, as pessoas conseguirem recuperar seu equilíbrio e serenidade, o trabalho já terá atingido seu objetivo. Se elas vão ficar freqüentando a casa espírita, isso o tempo dirá.

6 - Equipe de Atendimento Fraterno

a - Recepcionista
b - Grupo de apoio
c - Sala de preparação
d - Atendente fraterno
e - Passista
f - Grupo de Tratamento Espiritual
g - Reunião Mediúnica

a - Recepcionista - Estrategicamente localizado à entrada da casa, para observar quem chega e encaminhar para o grupo de apoio. O trabalhador, de preferência com um sorriso na face, aborda gentilmente quem chega: -- Posso ajudar? De imediato encaminha para o grupo de apoio: -- Procure Maria em tal sala ou andar. A primeira impressão causada ao adentrar na casa, fica marcada para muitos de nós!

b - Grupo de apoio - Atento a quem se aproxima, dá boas vindas e explica como se dá o trabalho, encaminhando par uma sala de preparação.

c - Sala de preparação - Sala agradável, com uma música suave tocando, coordenada por pessoa simpática. O ideal é mais um clima de oração e meditação, onde conversas sejam feitas em tom baixo, quando necessárias. Intermitentemente pode se fazer a leitura de um texto  pequeno de otimismo. Deve-se evitar um discurso cansativo, pois as pessoas que entram estão emocionalmente perturbadas, muitas vezes de mal humor e podem ficar irritadas com uma pessoa falando sem parar, em tom de sermão. Neste ambiente os benfeitores estarão atuando. O passe coletivo ou individual pode ser dado. O ambiente é mais de refazimento e paz do que de estudos. A reunião doutrinária mais tarde tem a tarefa mais educativa. Desta sala as pessoas vão sendo conduzidas para o atendimento fraterno, pelo grupo de apoio.

d - O atendente fraterno - A entrevista é uma tarefa que requer condições especiais do trabalhador. Não que tenha que ser uma pessoa isenta de erros, o que inviabilizaria o trabalho, mas alguém com condições morais acima da média, que tenha um bom embasamento doutrinário e maturidade suficientes para lidar com situações as mais inusitadas.

f - Grupo de Tratamento Espiritual - Exame espiritual

Este item, apesar de importante, só será possível de ser efetuado em caso de equipes bem treinadas e já com experiência no campo da mediunidade. O assistido poderá ser submetido a investigação espiritual, com médiuns seguros e maduros na tarefa, que darão informações sobre aquele caso, anotadas em sua ficha. O ideal seria que esses médiuns não fossem informados da situação do paciente para que não sofram nenhuma espécie de indução. As informações obtidas aqui serão depois confrontadas pelo entrevistador.
Importante salientar que essas informações devem ser consideradas como auxiliares no diagnóstico final da problemática do paciente. Se houver grande incoerência entre os dados vindos dos médiuns e os que o entrevistador colheu na conversa, este exame deverá ser desconsiderado. Sempre lembrar que devemos ter muita cautela com as informações vindas do plano espiritual.
Podemos trabalhar com 03 (três) tipos de investigação espiritual: psicofonia, psicografia e vidência. Todas, entretanto, devem ser bem trabalhadas e tratadas com muito cuidado, para que os resultados sejam satisfatórios.

g - Reunião mediúnica

Os casos de maior gravidade serão encaminhados para as reuniões mediúnicas destinadas à investigação. Evidentemente o grupo deverá ter sua equipe de médiuns já em funcionamento. Caso contrário é melhor não iniciar a tarefa de atendimento a processos obsessivos, sob pena de arrumar mais problemas que soluções. Os grupos deverão estar preparados para realizar a investigação através das evocações ou manifestações espontâneas, de acordo com a necessidade de cada caso. É de fundamental importância se saber a opinião dos Espíritos amigos sobre os casos mais graves em tratamento. Essas informações, associadas aos detalhes revelados na entrevista, poderão fornecer um diagnóstico satisfatório sobre os casos em questão. Após se ter uma idéia segura a respeito das causas dos problemas do paciente, será possível prescrever-lhe uma conduta terapêutica.


7 - Condutas durante o ato da entrevista

Importante que algumas perguntas sejam direcionadas para evitar divagações e longos relatos. O entrevistador deve conhecer técnicas de abordagem, a fim de não errar por excesso de zelo ou por omissão dele. A entrevista deverá ser breve e objetiva, tendo o cuidado para não ser este trabalho transformado em sala de desabafo e catarse.

Não deve o entrevistador permitir que se forme em torno dele uma aura de importância pessoal, com se ele fosse o grande responsável pelo sucesso dos trabalhos, tampouco induzir os entrevistados na certeza da cura de seus problemas. Tudo deve ser direcionado para deixar claro às pessoas que o trabalho é do Mestre Jesus e que somos apenas seus tarefeiros. Deve explicar que a mudança de atitudes é fundamental para a solução dos desajustes íntimos. Infundir confiança na assistência espiritual recebida é a grande tarefa do entrevistador.

Orientação ao enfermo

Neste tipo de assistência, a orientação adequada ao enfermo é parte importante para o sucesso de sua recuperação. Uma orientação mal conduzida poderá trazer mais prejuízos que benefícios. Daí a importância do entrevistador ter conhecimento doutrinário e experiência no trato com as pessoas. O assistido, após conversa de aconselhamento, poderá ser muito auxiliado nas explanações públicas do Evangelho de Jesus, com leituras de obras espíritas (caso tenha condições psíquicas para isso), reajustamento de hábitos, avaliação de sua conduta etc. Por esta razão é de muita importância que a casa tenha um trabalho de explanação bem estruturado, com palestras bem conduzidas dentro de uma linha que induza à reflexão e, conseqüentemente, à edificação. Será neste trabalho que a maioria dos casos simples serão tratados, sem que sejam necessárias intervenções mais ostensivas, como a utilização das atividades mediúnicas da casa, para evocações e doutrinação de Espíritos. Necessário, pois, cuidar bem dessa parte do trabalho.
É importante que se tenha muita cautela com as instruções dadas, pois via de regra, lida-se com pessoas problemáticas no campo do entendimento e qualquer informação mal conduzida poderá ser interpretada sob a ótica deturpada da pessoa em tratamento.
A orientação deverá ser avaliada ou reforçada periodicamente, nos retornos marcados na carteirinha.
  • Ajudar, sem impor, respeitando o livre-arbitrio da pessoa, não interferindo nas suas escolhas. 
  • Não concordar com o erro, mas ser solidário com a pessoa que errou, ajudando-a na recuperação. 
  • Libertar a pessoa através do esclarecimento dando-lhe orientação segura, a fim de que ela possa resolver as suas dificuldades, e não ficar apegada ao Atendimento como uma bengala psicológica. 
FASES RELEVANTES DO ATENDIMENTO

ATENDER: expressar de forma indireta (não verbalmente) disponibilidade e interesse pelo atendido;

RESPONDER: demonstrar por gestos e palavras compreensão pelo atendido, correspondendo-lhe a expectativa pessoal;

PERSONALIZAR: contribuir para que o atendido conscientize-se de que é uma pessoa ativa, com responsabilidade perante seu problema e que é capaz de encontrar soluções;

ORIENTAR: saber avaliar, com ele, alternativas de ações possíveis, de modo a facilitar-lhe a escolha (que é dele) da ação transformadora.

Essas etapas do processo de ajuda são fases sequenciadas e ordenadas de forma invariável, ou seja, uma depende da outra: o ATENDER é pré-requisito ao RESPONDER e assim sucessivamente.

Exemplo: não se pode ORIENTAR – que significa delinear metas para ajudar o atendido sem antes ATENDER, RESPONDER E PERSONALIZAR, ou seja, demonstrar compreensão pela verbalização do Atendido que é a fase do RESPONDER (não por palavras e sim por gestos). Essa fase (a do RESPONDER) bem executada possibilita o PERSONALIZAR que é – levá-lo à compreensão de sua experiência vivida,. Essa compreensão da vivência instrumentaliza o Atendente Fraterno à orientação do atendido aos recursos que a Casa Espírita possui, assim como a rede de serviços sociais existentes nos bairros da cidade.

Importante observar que se não houver uma boa preparação em cada uma dessas fases pode comprometer irremediavelmente a fase seguinte e ao Atendimento Fraterno como um todo.

Assim sendo, quando o Atendente Fraterno ATENDE E ATENDE BEM, o atendido envolve-se, ou seja, adquire a capacidade de confiar no processo de ajuda.

Quando o Atendente RESPONDE bem, o atendido adquire a condição emocional para perceber a situação em que se encontra naquele momento em que pede ajuda. Durante o PERSONALIZAR deve acontecer o processo de compreender no atendido, ou seja, ele ir mais fundo no exame de si mesmo a ponto de estabelecer, pela reflexão, ligações de causa e efeito entre os vários elementos presentes na sua experiência de vida de modo a definir aonde quer chegar. Por fim, a capacidade de ORIENTAR abre, no atendido a possibilidade para o agir, que é o movimento interno da alma para sair de uma posição psicológica desfavorável para outra mais adequada e felicitadora.

a - Evitar orientar terapias fora das recomendadas pela doutrina espírita
b - Evitar prolongar muito o tempo da entrevista
c - Evitar a existência de dependência emocional com a pessoa do entrevistador
d - Evitar transformar o atendimento fraterno em sessões de psicoterapia
e - Não prometer curas, nem estabelecer certezas absolutas.
f - Não alimentar ilusões no atendido
g - Dentro do possível evitar a revelação de segredos sobre o passado do assistido
h - Cuidado com as "vítimas"
i - Evitar fazer comentários desnecessários, preferindo dar um maior espaço para a pessoa falar
j - Evitar prometer mensagem espiritual de ente querido desencarnado - Evitar julgar a pessoa
l - Buscar elevar a estima da pessoa
m - Desfazer possíveis noções equivocadas que as pessoas têm relativas ao espiritismo
n - Buscar orientar com sabedoria e bondade
o - Não interferir nos tratamentos médicos
p - Evitar se colocar como exemplo de virtudes, preferir a posição de ex assistido que encontrou renovação no próprio tratamento
q - Não querer convencer a pessoa a se tornar espírita
r - Evitar criticar outras religiões ou centros espíritas
s - Não diagnosticar mediunidade e condicionar a solução dos problemas ao ingresso no desenvolvimento mediúnico
t - Não encaminhar ou indicar pessoas para reuniões mediúnicas
u -  Recusar gratificações, atenções, distinções especiais.
v - Evitar Opiniões pessoais
x - Manter Privacidade, sem vedação total
y - Atender a pessoa, de preferência sozinha
w - Não dizer ao atendido: “Você está obsidiado”
z - Falar com Simplicidade
aa - Não doutrinar Espíritos durante o atendimento
bb -  Precaver-se da impaciência, preconceito, preocupação e ansiedade

e -  Não prometer curas, nem estabelecer certezas absolutas - A função do Atendimento Fraterno, é orientar a pessoa de tal forma que ela tome conte da sua vida, e passe a solucionar os seus problemas. O Atendente deve ser otimista, confiante, a fim de transmitir esse tipo de vibração ao atendido. No entanto, deve fugir a promessas miraculosas, que nem sempre vão acontecer. É necessário sempre lembrar que a melhor ocorre de acordo com o esforço de cada um, contando com a misericórdia de Deus.

g - Dentro do possível evitar a revelação de segredos sobre o passado do assistido - O atendimento fraterno não é o local de revelações mediúnicas, comentários sobre o passado, outras vidas, etc.

h - Cuidado com as "vítimas" - Se colocar no papel de vítima é uma atitude comum de imaturidade emocional. Muitas vezes a pessoa se queixa do familiar ou esposo(a). Nestes casos os conselhos devem ser cuidadosos, pois poderão ser usados como arma contra os supostos algozes.

l - Buscar elevar a estima da pessoa - Ponto muito importante, que faz toda a diferença. Buscar aspectos positivos, realçar o lado bom das situações. Ter uma atitude jovial e alegre ajuda neste processo.

o - Não interferir nos tratamentos médicos - O tratamento espiritual pode ser considerado complementar, nos casos de tratamento para doenças. Lembrar da passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo: "Cuidar do corpo e do Espírito". Mesmo que o Atendente seja um médico, não deve interferir em nada que diga respeito ao tratamento médico. Não é sua função interferir nas escolhas do paciente.

r - Evitar criticar outras religiões ou centros espíritas - Não estimular que o atendido, em atitude de queixa, fale mal de outros Centros Espíritas por onde passou. Tratar-se de uma medida ética, a fim de deixar o Atendente à vontade.

s - Não diagnosticar mediunidade e condicionar a solução dos problemas ao ingresso no desenvolvimento mediúnico - Não afirmar: “Você é médium”: O Atendimento Fraterno tem como função ajudar a pessoa a se descobrir. Assim ocorrendo, ela irá estudar a doutrina e estudar a si mesma, chegando à seguinte conclusão: “Tudo indica que eu sou médium. Vou fazer o que recomenda o Codificador.” Não atender em transe mediúnico (incorporado) - O Atendimento Fraterno é serviço dos encarnados.

t - Não encaminhar ou indicar pessoas para reuniões mediúnicas - Não se faz necessária, e nem é recomendável, a presença do encarnado na reunião mediúnica. Sob pretexto nenhum essa ação deve ser colocada em prática. O laboratório mediúnico é de grave responsabilidade.

O Atendido deve freqüentar as reuniões doutrinárias do Centro. Os Bons Espíritos vão ajuda-lo. Se houver algum problema de natureza mediúnica, ele será auxiliado na Mediúnica, sem o saber.

u - Recusar gratificações, atenções, distinções especiais - É necessário evitar qualquer tipo de pagamento indireto. O Atendimento Fraterno segue a regra “daí de graça o que de graça recebestes”.

v - Evitar Opiniões pessoais - Os nossos Atendimentos devem se basear na orientação espírita. A doutrina espírita é o Consolador Prometido por Jesus. Portanto, a sua mensagem já é de superior qualidade. 

x - Manter Privacidade, sem vedação total - É necessária a privacidade, a fim de que o atendido sinta-se a vontade. Entretanto, deve-se evitar fechar a porta da sala totalmente, ou trancá-la. Basta encosta-la. É uma medida de precaução contra ciladas e situações constrangedoras.

y - Atender a pessoa, de preferência sozinha - É claro que não vamos recusar o atendimento caso a pessoa não queira entrar sozinha. No entanto, de preferência, o atendente deve sugerir que cada um entre separadamente. Isso deixará a pessoa mais a vontade para falar. Às vezes a presença do outro (pai, irmão, cônjuge), inibe a pessoa de falar. Porquanto, é comum a pessoa ficar no atendimento fiscalizando o que o outro vai dizer.

w - Não dizer ao atendido: “Você está obsidiado” - Pode-se até abordar o assunto da obsessão, de forma explicativa. Falar da influencia que os espíritos exercem em nossas vidas. No entanto, nunca afirmar enfaticamente. Colocar na mente do atendido que ele está obsidiado, é fragilizá-lo ainda mais.


z - Falar com Simplicidade - É de rara sabedoria falar de acordo com a capacidade de compreensão do ouvinte. Nem sempre isso é fácil. É um exercício. Durante o atendimento, se for o caso, verificar se o atendido está entendendo a explicação. Quando o assunto se tratar dos conceitos Espíritas, é necessário ter cuidado a fim de não se usar termos técnicos, que uma pessoa não – espírita ainda não conhece.

aa -  Não doutrinar Espíritos durante o atendimento - Podem ocorrer fenômenos mediúnicos, através do atendido. A postura ideal é chamá-lo à lucidez. Se for o caso aplicar passes dispersivos.

bb -  Precaver-se da impaciência, preconceito, preocupação e ansiedade - A impaciência cria um clima que vai inibir a pessoa de falar. O preconceito, perturba o atendimento. O atendente fica na busca de detalhes que não concorda da fala do atendido. A ansiedade cria o habito de antecipar as palavras do interlocutor. É comum se dizer: “Já sei o que você vai dizer”.E muitas vezes não era aquilo que a pessoa pensava.

8 - Perfil do assistido

O entrevistado tem como sua principal característica, o fato de estar necessitando de algum tipo de ajuda. É importante que o entrevistador esteja preparado para atender as variações de problemas que serão apresentados na entrevista. A cada um, deverá ser dada uma orientação diferenciada, de acordo com as necessidades do caso.

Os problemas que aturdem as pessoas, nos dias de hoje, são os mais diversificados possíveis e vão, desde a necessidade pura e simples do conhecimento, às angústias superlativas dos que se encontram sobraçando os mais pesados fardos.

Portanto, as pessoas que procuram o Atendimento Fraterno de um modo geral, apresentam, as seguintes características:

a) Agitada, desconfiada, inibida, zangada, curiosa, falante;

b) Sofridas, angustiadas, sem opções de busca que lhe saciem as esperanças. O desânimo e o desespero, muitas vezes, já se encontram instalados e, com isso encontram-se revoltadas e pessimistas;

c) Trazem consigo decepções acerbas em relação aos recursos até então experimentados, sejam da Ciência e/ou da Religião. Alguns já procuraram recursos junto a charlatões e mercadores da mediunidade, gastando vultosas somas sem êxito;

d) Alguns trazem consigo concepções falsas da Doutrina Espírita, por isso se portam desconfiadas e em expectativa permanente;

e) Uns perderam entes queridos e não conseguiram superar a dor dessas perdas;

f) Outros não alcançando um relacionamento estável na vida afetiva ou familiar, transferem para o convívio social os seus conflitos, desajustando-se e fracassando nas metas programadas;

g) Alguns, pedindo por outros, tocados de compaixão ou incomodados pelo desequilíbrio daqueles com que se relacionam;

h) Vítimas da pobreza, do desemprego, cuja problemática conquanto de ordem material, tem raízes e implicações mais profundas;

i) Alguns viciados, vítimas de si mesmo, mas de um certo modo de uma sociedade ainda não transformada pelas luzes do Evangelho;

j) Doentes de toda ordem: do corpo, da mente, do espírito;

k) Destaque à problemática da obsessão, pois de permeio com muitos desses conflitos humanos estão as interferências espirituais variadas.

l - Em geral não conhece a proposta espírita

m - Muitas vezes está confuso

n - Guardam o medo

o - Esperam algum retorno sobre o seu tratamento

p - Alguns estão céticos ou em dúvida sobre a validade da proposta

q - A maioria chega em busca de ajuda, poucos para conhecer ou visitar

l - Em geral não conhece a proposta espírita - Por este motivo, guarda expectativas relativas ao tratamento, que não coincide com o que temos para oferecer. Por isso as orientações listadas em "condutas durante a entrevista" são importantes.

m - Muitas vezes está confuso - Por isso não pode compreender muitas explicações. Neste caso o acolhimento terno é mais importante do que as explicações.

n - Guardam o medo - Emoção humana que mais castiga, o medo está vinculado às crenças equivocadas sobre a doutrina e à imaturidade da inteligência espiritual do assistido

o - Esperam algum retorno sobre o seu tratamento - Para alguns é muito frustrante fazer um ou mais ciclos de tratamento e no final ninguém tem algo para dizer sobre a situação ou alguma orientação.

9 - Estudo e exemplos de casos

Exemplos de Atendimento Fraterno:

Dois exemplos de Atendimento Fraterno realizado em uma nobre Instituição Espírita. Essa narração é de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Sexo e Obsessão”.

As pessoas, que desejavam orientação, eram reunidas em uma sala ampla, na qual recebiam orientação espiritual, mediante a leitura e comentários de uma página espírita e recebiam passes coletivos.

Posteriormente, aqueles que desejavam esclarecimentos, eram levados a diversas salas, nas quais recebiam atendimento pessoal, discreto e carinhoso.

O gentil Instrutor sugeriu-nos acompanhar uma dama que chegara aturdida apresentando um quadro obsessivo bem caracterizado.

Havia participado da primeira parte do atendimento, e agora deveria receber a orientação que buscava.

Uma senhora de aspecto gentil, aureolada por nívea claridade que dela se desprendia, recebeu-a gentilmente, deixando-a a vontade para o cometimento. Percebi que inspirando-a, encontrava-se uma Entidade afável, que estava encarregada do mister, do nosso lado da vida.

Sem ocultar o desespero que lhe inquietava, a dama foi direta ao drama existencial, elucidando:

- Nada conheço sobre o Espiritismo. Faz muito tempo que me afastei de Deus, já que a religião que esposava não fora capaz de iluminar-me interiormente, ensejando-me a paz que tanto busco. Desculpe-me, pois, se não souber como conduzir-me nesta entrevista, que realizo por primeira vez.

A atendente fraterna sorriu, explicando-lhe:

- Esteja à vontade, sem qualquer preocupação. Afinal, aqui estou como sua amiga, propondo-me a ouvi-la com interesse e apresentar-lhe as respostas que o Espiritismo possui para os vários dramas humanos, naturalmente incluindo aquele que a aflige.

Ainda ofegante, resultado da constrição de que era vítima habitual do seu perseguidor desencarnado, que se lhe afastara quando da dissertação ouvida e dos passes coletivos que haviam sido aplicados, esclareceu:

- Minha vida tem sido um verdadeiro inferno. Seja sob o aspecto sentimental, econômico, social, com a saúde alquebrada, insônia e mil tormentos que me encarceram na revolta, tornando-me insuportável em casa, no trabalho, e principalmente comigo mesma; esses problemas alteraram completamente o meu comportamento...


Fez uma pausa, tentando coordenar as idéias, e logo prosseguiu:

- Alguém, que se diz médium, informou-me que estou obsidiada, e sugeriu-me que aqui viesse, a fim de conversar com o senhor Ricardo, que é um grande vidente e me poderá auxiliar.

Alongou-se em mais algumas explicações desnecessárias, sem qualquer fundamento, e perguntou o que deveria fazer.

A senhora que a atendia, sorriu com bondade, e passou a explicar-lhe:

- O nosso irmão Ricardo, ante a impossibilidade de atender a todos que lhe desejam falar, recebe somente aqueles casos mais graves, após uma triagem que fazemos os atendentes fraternais.

- Acredito que o meu é um caso muito grave, não? – interrogou, ansiosa.

- Sim – redargüiu a entrevistada – todos os problemas são sempre muito graves. Entretanto, uns existem com mais angustias e aflições, que requerem um atendimento especializado. Felizmente, estamos em condições de atende-la, acalmando-a e diminuindo-lhe o impacto da informação que recebeu.

- É verdade que os Espíritos maus estão comigo, conforme me disse a tal da médium? – indagou com sofreguidão.

- Todos nós – esclareceu a gentil ouvinte – vivemos cercados pelos Espíritos. Eles são os habitantes do mundo fora da matéria, como você compreenderá, porque são as almas das criaturas que viveram na Terra, agora desvestidas da indumentária material. De acordo com os nossos pensamentos atraímos aqueles que nos são semelhantes, ou sofremos os efeitos dos atos que praticamos na atual existência ou em outras que já tivemos. O Espírito viaja através de várias experiências corporais, colhendo em uma as
realizações boas ou inditosas que defluem da anterior, assim desenvolvendo os valores que lhe dormem internamente avançando no rumo da felicidade.

Novamente sorriu, fazendo uma pequena pausa, a fim de facultar o entendimento da consulente, logo dando curso à explicação.

- A reencarnação é o processo de evolução mais compatível com a Justiça de Deus, que a todos nos criou simples e ignorantes, facultando o crescimento conforme o livre – arbítrio de cada um na direção da plenitude que a todos nos aguarda. Não diria que a minha amiga e irmã é uma obsidiada... De certo modo, todos o somos, porque momentos há em nossas vidas em que o desequilíbrio nos toma conta, e atraímos Espíritos ociosos, perversos, vingativos, que não sabemos como deles libertar-nos. Há porém, um método irrefragável para conseguirmos o êxito em qualquer situação, que é o da oração e vigilância, recomendado por Jesus para todos. Acredito, sim, que você vem agindo sob inspiração perturbadora, como é natural, face aos muitos problemas

que relata, mas isso não a deve afligir, porque se encontra onde poderá receber reforço de coragem e recursos para a libertação.

Novamente silenciou, dando tempo mental para que a outra assimilasse as informações fornecidas.

Mantendo-se serena e envolvendo a dama em vibração de simpatia e de paz, deu curso aos esclarecimentos:

- Sugiro-lhe que leia “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, a fim de encontrar conforto moral e paciência para os enfrentamentos do cotidiano. A sua leitura lhe fará um grande bem, em razão dos esclarecimentos que lhe proporcionará e das diretrizes necessárias à sua paz interior, e portanto, a uma vida feliz. Igualmente proponho-lhe a terapia bioenergética, isto é: os passes, como aconteceu há pouco, antes da nossa conversação, com o que se fortalecerá para as lutas e os desafios. Por fim, sendo-lhe possível, venha conhecer as nossas reuniões de palestras e estudos do Espiritismo, nas quais adquirirá conhecimento para libertar-se não apenas dessa Entidade que a aturde, como também para auxiliar outras pessoas que se encontram na mesma situação aflitiva.

Inspirada pelo Espírito lúcido que a assessorava, permaneceu jovial, respondendo a algumas outras indagações da senhora, que dali saiu renovada.

Antes de ser atendida, o responsável pelo trabalho anotou-lhe o nome e o endereço, com o objetivo de coloca-la entre aqueles que se faziam beneficiados pelas vibrações habituais das reuniões especializadas.

Face a essa providencia, o Mentor espiritual da atividade também anotou os dados da consulente, e entregou-os a um membro da equipe de visitadores desencarnados, a fim de que oferecesse a assistência conveniente à dama, conforme a sua receptividade ao que lhe fora informado.

Fiquei sensibilizado com essa medida de auxílio, que passa despercebido a muito trabalhadores da Seara Espírita.

Observei que não fora necessário um interrogatório, que resulta dos atavismos religiosos do passado, nas incoerentes confissões auriculares, agora sob disfarce de estatística para futuros resultados; não havia ficha de identificação, na qual se anotassem os dramas das pessoas aflitas, desnudando-as aos olhos estranhos e deixando-lhes as confidencias por escrito, para futuros estudos ou mesmo comentários, nem sempre felizes. Tudo era natural, conforme as disposições do pensamento espírita, que respeita a vida interior das criaturas.

Outrossim, dei-me conta que o atendente fraterno buscava mais ouvir que falar, orientando mediante a contribuição do Espiritismo, evitando as próprias conclusões e o que se convencionou denominar como achismo, mediante o qual se opina sem conhecimento de profundidade a respeito de tudo, apoiado no que se acha, no que se pensa, no que se conclui, nem sempre corretamente

Não pude demorar-me em maiores considerações, porque mais uma senhora fora encaminhada a outra atendente, porém jovem, e aparentemente sem maior soma de experiências.

A candidata ao atendimento apresentava-se mais perturbada do que à que nos referimos anteriormente.

Sentou-se, inquieta, e explicou:

- Não sei por onde começar, tal é a magnitude do meu drama.

- Faça-o conforme lhe parecer melhor – respondeu, gentilmente, a jovem – sem pressa, sem inquietação. Aqui estou para ouvi-la com paciência e simpatia.

- Você é casada? – interrogou, receosa.

- Ainda não – esclareceu, com um sorriso – mas isso não é importante. O que faz sentido é o conhecimento que tenho da alma humana, de alguns dos problemas que afligem as criaturas, em razão dos estudos espíritas que me tenho permitido, e, também, por ser psicóloga clínica.

- Oh! Que bom! – exclamou a visitante. – O meu caso é quase sórdido. Sou casada há, mais ou menos, dez anos, e sempre mantive um relacionamento sexual equilibrado com o meu marido. Não me sentia plena, realizada, em nosso intercambio íntimo, mas pensava que era assim mesmo. As minha amigas sempre me relatavam suas dificuldades, e resignei-me. Ultimamente, porém, percebo que o meu esposo se vem corrompendo muito, entregando-se a viagens mentais e visita a motéis, acompanhando filmes eróticos e pornográficos, e exigindo-me uma conduta semelhante, o que me ultraja.

Silenciou, constrangida. Passados alguns segundos, continuou, sofrida.

- Agora, tornou-se-me insuportável o seu assédio, exigindo-me compartilhar das aberrações que vê nos filmes de prostituição e vulgaridade, o que me aterroriza, produzindo-me reações de ódio e nojo em relação a ele, a quem sempre amei. Não o desejo perder, mas sinto que, se não ceder às suas exigências descabidas e mórbidas, ele me abandonará. Que hei de fazer?

A jovem meditou por alguns instantes, e respondeu-lhe com brandura:

- Este é, realmente, um momento muito importante para a preservação do seu matrimonio. Vivemos um período de perversões vis em nossa sociedade, que se vem generalizando assustadoramente. O sexo tornou-se objeto de perturbação e de infelicidade. O matrimonio, no entanto, é um contrato social e moral, de resultados espirituais, unindo duas pessoas pelos laços do amor, a fim de edificarem a família, não podendo transformar-se em bordel de excentricidades profissionais. O companheiro, de acordo com a sua narração, encontra-se doente, e necessita de terapia com um sexólogo, a fim de refazer conceitos e reencontrar o equilíbrio a fim de prosseguir feliz no lar.

“Não me cabe dizer-lhe o que deve fazer, neste momento, pois que seria assumir a responsabilidade da sua futura atitude. Cada um de nós tem a liberdade de pensar e agir conforme seja melhor para o próprio entendimento. Os resultados, porém, virão inevitavelmente, e cada qual se verá a braços com o que haja desencadeado, num campo saudável ou num terreno ingrato... Não obstante, seria de bom alvitre que a amiga convidasse o esposo a uma conversação serena, explicando-lhe a questão conjugal sob o seu ponto de vista, informando-o sobre as suas reações e anseios, suas necessidades afetivas, que nada tem a ver com os comportamentos doentios ora em voga. Enquanto isso, indico-lhe a oração como recurso autoterapeutico que a fortalecerá para resistir às inconvenientes e descabidas exigências, mantendo-se serena e amando o companheiro, momentaneamente desajustado.”

- E se ele não concordar? – interrogou, aflita. – Perdê-lo-ei ou cederei?

Mantendo a calma e a amabilidade, a jovem psicóloga respondeu:

- Isso dependerá da sua estrutura emocional, dos seus valores morais, da sua constituição espiritual. Ninguém lhe poderá dizer o que fazer, nessa situação delicada. Pense, amadureça reflexões e estude “O Evangelho Segundo O Espiritismo”, de Allan Kardec, que lhe propiciará a visão correta dos fatos e da vida. Esse é um livro de conforto moral e espiritual. No entanto, considerando a sua claridade intelectual, receitar-lhe-ia a leitura de “O Livro dos Espíritos”, do mesmo Autor, que lhe dará dimensão do que é a vida e como deveremos experiênciá-la na busca da plenitude, explicando-lhe as razões dos acontecimentos no dia a dia e dos dramas existenciais que tanto nos afligem.

“... E volte aqui para uma nova conversa de reabastecimento. Se possível, venha conhecer o Espiritismo e seus paradigmas, suas lições, beneficiando-se com a psicosfera – sabe o que é? – a atmosfera psíquica de amor e de paz que reina em nossos corações e em nossos atos. E se possível, convide o esposo, que muito se beneficiará convivendo em outro clima mental.”

A dama, sinceramente confortada, que também fora beneficiada pelos fluidos do Espírito amigo que inspirava a atendente fraterna, pediu licença para abraça-la, agradecendo com palavras repassadas de ternura.

Realmente, a função do Atendimento Fraterno, na Casa Espírita, não é o de resolver os problemas das pessoas que vão em busca de socorro, mas a de orienta-las à luz da Doutrina Espírita para que cada uma encontre por si mesma a melhor solução.


Estudo de Casos: O IRC-Espiritismo (www.irc-espiritismo.org.br) gentilmente disponibilizou um rico material de Casos de Atendimento Fraterno.


1) Um senhor de 30 anos procura o atendimento fraterno e relata o seguinte quadro: muito nervosismo, incompatibilidade com os colegas de trabalho, angústia, depressão, instabilidade no emprego, sono agitado, sonhos confusos, crises de choro. Qual orientação seria a mais adequada?

Comentário: O ideal é falar-lhe de forma gentil e calma, sobre o estresse, a ansiedade, a importância da calma, nos dias tumultuados de hoje. Vivemos em um momento de grande correria e competição. Facilmente entramos em uma faixa mental de irritação, tensão, agressividade. Por acréscimo, fica muito mais fácil sintonizar com Espíritos perversos e vingativos. Os Espíritos que a todos nos cercam, influenciam em nossos pensamentos quase que incessantemente. Explicar sobre a interferência dos Espíritos.

Muito importante também é recomendar a prática da oração, da reflexão, da leitura sadia, e especialmente sugerir a pratica do Evangelho no Lar. Abrir-se a Deus é sempre o melhor meio de buscar tranqüilidade, e orientação para um problema que não sabemos solucionar. Igualmente, seria bom que ele freqüentasse as Reuniões Doutrinarias, e buscasse o passe. Por fim, falar da Reforma Moral, como condição essencial de libertação. Se for o caso, falar-lhe da importância de um psicólogo.

2) Uma jovem de 25 anos procurou o atendimento fraterno com o seguinte problema: ela narra como se alguém estivesse apertando a sua garganta e com isto nem saliva ela consegue engolir, imagine alimentos. Já foi ao médico, fez todos os exames e nada foi detectado, tendo o médico concluído ser o problema psicológico e lhe passou remédio controlado. Não houve melhora com a medicação e por isto buscou o Espiritismo, pois teme cometer uma loucura. Sente-se tomada por uma força estranha tentando sufocá-la. Qual a orientação mais adequada a essa jovem?

Comentário: Antes de tudo é necessário falar a pessoa que ela continue tentando, através da Medicina. O Atendimento Fraterno, como já sabemos, não dispensa a contribuição médica. Seria de bom alvitre, explicar-la que, se não for algo de fundo psicológico, pode ser uma interferência espiritual. Recomendações tradicionais: Oração, Evangelho no Lar, leitura nobre, ação na caridade, estudos espíritas, passe, freqüência à casa espírita. Esse caso se encaixa na orientação da mediunidade.


3) Uma senhora procurou o Centro Espírita para receber ajuda. Ela tem 50 anos, é aposentada e vive sozinha cuidando de sua mãe, doente, com mais de 80 anos, que se encontra deitada numa cama, de onde se levanta somente com a ajuda de mais de uma pessoa, pois é muito gorda e não tem mobilidade no seu corpo. Essa irmã falou que não consegue empregados e que todos que arranja não ficam nem uma semana. Uma equipe do Centro Espírita se deslocou até a sua residência, para lhe prestar uma assistência imediata, aplicando passes e dando orientação, verificando ser ela muito irritada e ignorante, sendo esta a razão pela qual ninguém consegue permanecer lá como empregado, além do que a sua mãe dá muito trabalho. Essa senhora ameaçou que a qualquer hora mata a mãe e comete o suicídio. A equipe constatou que o caso é realmente muito grave! Qual seria o Atendimento correto?

Comentário: O Atendente deve esclarecer à senhora que se ela quiser suicidar-se, ninguém poderá impedi-lo. No entanto, o suicídio não vai resolver o problema. Pelo contrário. Esclarece-la quanto às conseqüências negativas do suicídio, é a postura ideal. A melhor postura daquele que quer advertir, é esclarecer. Quando se esclarece, se ilumina. Então, é importante explicar a lei de Causa e Efeito, dizer-lhe que ninguém foge da própria Consciência. Se ela se matar, irá acarretar sérios danos para si mesma, tanto no mundo espiritual, depois da morte, como para outras reencarnações.

No entanto, embora o assunto mereça seriedade, esses esclarecimentos devem ser ministrados em tom de amizade, de carinho, a fim de não passar uma idéia de que estamos tentando colocar medo na pessoa. A Filosofia que tenta arrebanhar fiéis através do Deus – Terror, tende a fracassar.

O atendente deve adicionar também o esclarecimento da visão espírita sobre a família, os relacionamentos humanos, bem como as orientações tradicionais: Oração, Reforma Moral, importância do pensamento saudável, vigilância nos atos, Evangelho no Lar, Leitura edificante, freqüência a casa espírita nas reuniões doutrinarias, no passe, e se possível nos estudos.

A senhora citada não se encontra por acaso vinculada à mãezinha doente. De bom alvitre estimulá-la no cumprimento dessa missão. Falar-lhe da importância da resignação. De nada adiante se revoltar, irritar-se... Esse tipo de comportamento irá abalar-lhe a saúde, dificultando ainda mais.

4) Um senhora procura o atendimento fraterno e relata seu sofrimento. Seus filhos já são adultos, não trabalham e nem estudam. Seu marido está sempre insatisfeito com a conduta dos filhos, vivendo em conflito com eles e ultimamente nem se falam dentro de casa. Usando o Roteiro e sua experiência, que orientação daria a essa irmã?

Comentário: Esse caso está encaixado no item 2.1 – Conflitos de Relacionamento. O dialogo, com amor e carinho, é o melhor método de abordagem com o marido e filhos. Sensibiliza-los, através do dialogo. Brigar não adianta nada. O que ela fizer na família, em forma de amor, não será perdido! Entretanto, ela não deve se angustiar por não obter respostas imediatas. Nada obstante possuir obrigações no seio familiar, a criatura não deve sofrer a escolha dos outros. Mesmo dentro do Lar, cada um é livre para viver a própria vida. Devemos amar, ajudar a nossa família, mas não perder a nossa individualidade. Resumindo, diríamos a essa senhora: “Ame, sem aguardar resposta!”. Muitas vezes, a resposta só ocorre a longo prazo.

5) A pessoa atendida informa ter diabete, anda muito nervosa, com dores de cabeça, tontura, desmaio, aflição, falta de ar, sufocada, com muita angústia, arrepios, pesadelos, crises de choro, medo, não dorme bem e se levanta cansada; sente peso nos ombros, nas costas e na nuca. Vê vultos e ouve vozes. Que orientação você daria a essa pessoa?

Comentário: Antes de tudo, é necessário perguntar se ela tem recebido atendimento especializado. Se a resposta for “não”, recomendamos a procurar um médico. Se já estiver sendo atendida, estimulamos a continuar buscando respostas pela medicina. Ao lado disso, considerar a perspectiva espiritual. Fazer então as orientações tradicionais: Passe, Evangelho no Lar, oração, reforma moral, leitura nobre, reflexão sadia. Sugerir também que freqüente as reuniões doutrinarias, se possível um grupo de estudo. Em casos assim, onde há um componente de conflitos emocionais, é importante lembrar à pessoa que o
esforço pessoal é imprescindível. Depende muito da pessoa se libertar das imagens mentais que produzem angustia, depressão, conflito. Pelo menos, o seu esforço, facilitará a terapêutica espiritual.

6) Estudante de economia, 21 anos, perdeu o pai quando criança e vive com a mãe e uma irmã mais velha num bairro nobre da cidade. Ele está confuso, angustiado e cheio de dúvidas sobre o que considera seu maior suplício: é homossexual.

Apesar de sua irmã saber e o compreender, ele pergunta se deve contar para sua mãe e não sabe como se portar diante de sua reação. Outra dúvida do jovem é se existe alguma explicação espiritual para isso, como, segundo suas palavras, ter nascido no corpo errado. Indaga sobre como o Espiritismo vê sua opção e se, sendo homossexual, poderia frequentar algum Centro Espírita.

Encontra-se muito ansioso, nervoso, não consegue se alimentar direito nem prestar atenção nas aulas. Sente-se diferente, solitário e não quer magoar ninguém, diz que seu maior desejo é encontrar a paz.

Comentário: O Espiritismo não tem nenhum preconceito com relação a conduta sexual do ser humano. Embora não concorde com o erro, a Doutrina Consoladora respeita a sexualidade do individuo. Uma boa recomendação é a leitura do livro “Vida e Sexo” de Emmanuel.

O Espírito pode vivenciar uma série de reencarnações, mergulhando sempre no corpo de um sexo. Dessa forma, terá hábitos daquela polaridade. Se por exemplo ele é um homem que se utiliza do sexo para dilacerar corações e destruir lares, pode ser induzido no mundo espiritual a reencarnar num corpo feminino – o sexo que ele tanto desrespeitou.

Então ele vai ter um corpo feminino, hormônios femininos, mas uma psicologia masculina. Se houver uma prevalência da sua psicologia em detrimento da sua anatomia, estamos diante de uma tendência homossexual.

Da mesma forma, se a mulher é vulgar, promiscua, frívola, pode reencarnar em um corpo do sexo oposto. Igualmente surge uma dicotomia de comportamento: O corpo tem um sexo, e o psicológico tem outro. Se o ser passa a utilizar a sua função psicológica não terá nenhum preconceito contra o homossexual. Qualquer preconceito é atentado contra a liberdade do individuo. A recomendação ao homossexual, tanto quanto ao heterossexual, é que a dignidade, o respeito aos outros, e a sublimação dos impulsos são muito importantes.

Da mesma forma que não é lítico ao Heterossexual a promiscuidade, a vulgaridade, e a falta de respeito, também não é moral que o Homossexual se comporte dessa forma. Alem disso, as orientações costumeiras: Passe, Freqüência à Casa Espírita, Evangelho, Oração, Reforma Moral, Reflexões.

Pelo quadro, é necessário dar uma injeção de animo nele. É provável que ele esteja com a auto – estima muito prejudicada. Dar-lhe esperança! Falar-lhe que é possível ele encontrar a paz sem magoar a ninguém. O mais importante não é em que faixa de sexualidade o Espírito transita, mas o comportamento a que se permite na atual experiência. Da mesma forma que não é licito ao Heterossexual se entregar a promiscuidade, não é Moral para o Homossexual, se comportar de forma vulgar, sem respeitar os outros. Então a nossa recomendação ao Carlos, que ele não seja promiscuo, que seja ético para com todos, e que tente sublimar quaisquer impulsos sensualistas para expressões de nobreza, dignidade, elevação. Essa recomendação – a da sublimação – não é exclusiva para os Homossexuais. A sublimação é uma proposta para qualquer criatura.

Com relação a duvida de como proceder com a mãe, o Atendente Fraterno deve pensar junto com ele, mas deixar que ele opte por aquilo que achar melhor. Existem situações em que dizer a verdade é o melhor caminho. Entretanto, em outros momentos, a verdade pode causar perturbação, sofrimento, angústias desnecessárias, porquanto, a pessoa não se encontrava em condições emocionais de assimilar aquela informação. Uma boa abordagem é pergunta-lo: “Você acha que sua mãe tem condições de ouvi-lo sem produzir sofrimentos e abalos maiores? Acha que ela tem estrutura para te compreender?”.

7) A entrevistada tem cerca de vinte anos de idade, é solteira, trabalha como garçonete e ganha um salário mínimo. Tem um namorado. Como fruto desse relacionamento surgiu uma gravidez. Ela está pensando em realizar um aborto, pois o namorado não quer que ela tenha a criança. Ele disse que caso haja prosseguimento com a gestação, ela deverá assumir esse compromisso sozinha. Ele romperá a relação. Esse companheiro, 33 anos, é um homem realizado profissionalmente, possuindo uma vida financeira estável. Deixou claro que dará todo apoio se ela optar pelo aborto, continuando com o relacionamento. Ela não disse nada a sua família pois sente medo. Seus pais ja haviam advertido que jamais admitiriam dentro de casa uma filha solteira e com um filho. A jovem relata sentir-se frágilizada e sem possibilidades para prosseguir com a gravidez e acha que realizar o aborto será a melhor opção. Ela não é espírita, ficou sabendo do atendimento fraterno através de uma amiga que freqüenta à casa espírita. Que orientação você daria a essa pessoa?

Comentário: Não podemos agir de forma moralmente inadequada, mesmo que com isso venhamos a pagar um alto preço. A Vida responde com as conseqüências inevitáveis a cada um individualmente, de acordo com o comportamento anteriormente adotado. O ideal é explicar a visão espírita sobre o aborto, e suas conseqüências. Dizer para ela que dialogue com o namorado. Entretanto, mesmo que ele não concorde, o aborto não seria a melhor opção. Não podemos agir para agradar, satisfazendo as vontades dos outros. Se ele quiser romper com o relacionamento por causa da sua opção de não abortar, isso é um problema da consciência dele. Explicar tudo isso com carinho... Porquanto às vezes o que a pessoa
mais sente nesse momento é solidão.

Da mesma forma é necessário estimulá-la a não ter medo, assumindo todas as conseqüências da gravidez. Se a família não compreende-la agora, uma dia vai despertar. As pessoas modificam-se com o tempo. Alem disso, quem garante que a família não mude de visão e a aceite de pronto? Sem falar, é claro, nas orientações tradicionais: Oração, Evangelho no Lar, Leitura edificante, frequentar a Casa.

8) Um amigo entra vai ao atendimento e informa que tem uma namorada a quem ama profundamente. O companheiro diz que sem ela a vida não tem sentido pra ele. O problema é que sua namorada é de outra religião e não aceita o Espiritismo. Ela diz que o espiritismo é demoníaco e condenado na Bíblia. Ele é profundo admirador da Doutrina, mas não consegue convencê-la a aceitar a doutrina Espírita.

Comentário: Mais um conflito de relacionamento. É muito perigoso alguém considerar que a vida não tem sentido senão ao lado de outrem. A nossa vida não pode depender de outra pessoa. É claro que o Amor vincula os seres, tornando-os felizes. No entanto, essa vinculação nunca é apaixonada e escravizante. No Atendimento, o Atendente pode tocar nesse ponto. Dizer que um relacionamento é feito de compromisso entre os enamorados.

Entretanto, cada individuo é uma vida independente. Nós não sabemos o dia de amanhã. Hoje, essa pessoa está conosco. Mas, quem garante que ela sempre ficará conosco? O ideal é que assim o fosse, já que a amamos. Entretanto, não sabemos do futuro. Se nós amamos alguém, devemos desejar o seu bem aonde a pessoa estiver – e com quem estiver. Do contrário, não é amor. É Egoísmo. Quando há egoísmo embutido no relacionamento, a pessoa quer a outra feliz somente ao seu lado. Se não for ao seu lado, não serve.

Outro ponto importante: A doutrina Espírita é para aqueles que duvidam, ou vacilam. Aos que já possuem uma Crença, o Espiritismo recomenda respeitar. Desse modo, a nossa postura é não violentar a consciência de ninguém. Se o atendido puder, pode explicar à companheira os postulados espíritas, dizendo-lhe que não se trata de uma crença demoníaca, mas sim de uma religião cristã, cuja máxima maior é a caridade. Entretanto, nunca forçar nada. Por outro lado, se ela – a namorada – não o compreende mantendo um preconceito pelo Espiritismo, ele não vai deixar de ser Espírita por isso. Se a namorada quiser abandona-lo, por causa da Doutrina, é uma problemática da Consciência dela. Agora, ele não pode perder a paz, a tranqüilidade, deixando de ser Espírita, por uma intolerância religiosa.

9) A entrevistada relata que estava em casa e soou a campainha. Deparou-se com um bebê abandonado à sua porta. Ela é uma mulher realizada profissionalmente e sempre teve vontade de ter filhos, mas não pode, porque fez uma cirurgia que a impede de tê-los. Tem um namorado que é mais velho e pretende se casar com ela, mas não aceita outra criança, pois já tem duas filhas com outra mulher. Ela não sabe que atitude tomar, já que seu desejo é casar e ter filhos! Que conselhos você daria a essa pessoa?


Comentário: Lembrar da frase de Jesus: “Fazei a outrem, o que quereríeis que ele vos fizesse”.Se fosse nós o bebê abandonado, o que gostaríamos de receber? Ademais, quem garante que essa criança não seria o filho que Deus programou para a vida da entrevistada? Às vezes o nosso filho chega de uma outra maneira – que não seja o nascimento biológico.

Então a orientação adequada é: “Tenha a criança! Se o seu companheiro te ama, ele vai te compreender. É uma vida que está chegando às suas mãos. Caso o namorado não compreenda, e queira se separar de você, isso é um problema da consciência dele. O mais importante é você não fazer nada que proporcione conflitos de consciência no futuro.”

10) A entrevistada tem cerca de quarenta anos de idade, é casada, tem uma filha adolescente, e passa por um problema que não sabe como resolver. Tem um marido que, por motivos profissionais, mora em outro Estado. Ela gosta do marido como um irmão. Não sente mais atração física por ele e, por fim, encontrou uma outra pessoa, pela qual se sente atraída. É somente atração física. O marido é dedicado e sabe que ela não gosta dele como marido, mas como um irmão. Mesmo assim, eles vivem bem, apesar da distância e de não ter relacionamentos íntimos há pelo menos três anos.

Ela se envolveu com o outro homem, mas a culpa não lhe permite ficar tranqüila. Ela sente culpa por sair com o outro, pois o marido ainda lhe dá todo o suporte financeiro e até mesmo o carinho que sempre teve por ela. Além disso, ela é espírita - o que tem mexido muito com ela, porque ela sente que não está agindo de forma correta. Sua consciência está pesada. Quando o marido vem para casa e fica perto da filha, ela sente raiva da filha e do marido. Ela não sabe explicar o porquê disso. Qual seria a melhor atitude a ser tomada por ela? Deveria largar os impulsos e se dedicar ao marido? Teria o direito de seguir o seu caminho, mesmo estando com o marido? E quanto ao sentimento de raiva pelo marido e
pela filha? Que orientação você daria a essa pessoa?

Comentário: Todos temos o direito de errar. Mas temos o dever de nos recuperarmos. Ninguém consegue ser feliz prejudicando a felicidade alheia. Por mais que ela queira continuar mantendo um relacionamento irregular, não significa que esse comportamento não produza sérios conflitos de consciência no futuro. Portanto, a orientação correta seria: “Liberte-se, o quanto antes para o seu bem! Desfaça o vínculo extra-conjugal o quanto antes. Principalmente porque você é espírita, e sabe. Se você ama essa pessoa, continue amando-a, como amigo. Porque o amor não necessita do vinculo sexual. Haja o que houver não retorne a esse tipo de relação. Hoje o seu marido não sabe. Mas, e quando todos desencarnarem? Seu marido vai saber. Para evitar esse constrangimento, liberte-se disso o mais rápido possível. Você tem o direito a uma vida saudável. Se o amante ameaçar de contar para o marido, que assim seja feito. Agora, não há porque continuar com esse vinculo irregular. É melhor fazer a coisa certa chorando, do que praticar a coisa errada sorrindo.”

Quanto à raiva pela filha e marido, o atendente pode falar da reencarnação. Por ela ser espírita, já deve conhecer os conceitos e a explicação não será muito longa.

“ COMPROMISSO AMEAÇADO” - Tânia Rupset

- NARRATIVA:

“ nem sei como começar. Não estou mais suportando a situação em casa: meu marido bebe e se enche de dívidas. Ele já prometeu, vária vezes, parar de beber mas não consegue. Estou desesperada. Meu filho estão vivenciando todo o problema, mas tenho medo de me separar e me complicar espiritualmente. Já me disseram que é meu carma e devo agüentar até o fim. O que eu faço ?”

- ORIENTAÇÃO:

Falamos da Doutrina Espírita e do conceito de carma, que é dinâmico e não determinista, ou fatalista, como erroneamente se pensa. Demos a visão espírita do DEUS-AMOR e não do Deus-punição e explicamos que a responsabilidade de nosso atos, através do livre-arbítrio, é uma das maiores provas desse amor. Falamos da colheita a partir da sementeira, que se dará a partir de nossa capacidade, limites e nível evolutivo; do reencontro de espíritos através da reencarnação para novas oportunidades de reparação e crescimento, da finalidade essencial da vida, que é aprendermos a nos amar, à medida que evoluímos.

No casamento, o compromisso é mútuo – disse-lhe.
Sugerimos que se perguntasse: - “Eu quero, realmente, manter, ou salvar este relacionamento (e/ou ajudar o marido) ? – Já investi tudo o que podia para que isso aconteça ? – O que eu poderia fazer além do que já fiz, com esse objetivo ? “ E lhe orientamos que antes de tomar uma decisão, procurasse harmonizar-se mais através da oração, freqüência às reuniões doutrinárias, passes; que realizasse o Evangelho no Lar e procurasse envolver o companheiro e a família em vibrações de paz e mentalizações positivas.

Tentasse o diálogo carinhoso e evitasse o conflito. Pensasse nele como um doente (sem rancor, mas sim, com piedade) e propusesse-lhe a terapia médica e espírita. Caso ele não aceitasse, auxiliasse-o da maneira possível independente a decisão de manter ou não o casamento.

- COMENTÁRIOS

É importante termos sempre em mente durante o atendimento uma de suas diretrizes: que não nos compete induzir ou tomar qualquer decisão pelo assistido, respeitando o livre-arbítrio de cada um, fator preponderante na evolução individual. Devemos oferecer a palavra espírita, inclusive esclarecendo quanto a conceitos errôneos, ampliando assim a visão do problema e oferecendo alternativas de reflexões, que auxiliarão na escolha (individual e intransferível).