Estudando o Espiritismo

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

PERFEIÇÃO MORAL


15ª aula PERFEIÇÃO MORAL
A) As Virtudes e os Vícios — Das Paixões — Do Egoísmo

As Virtudes e os Vícios

O Espiritismo contribui para a Humanidade entrar em uma nova fase, a do progresso moral, que lhe é inevitável. É imprescindível, para tanto, que o homem se conheça, que identifique sua realidade, quanto aos vícios assim como às virtudes que eventualmente possua. Vejam-se, para tanto, a definição de virtude e vício:
Virtude: consiste na boa qualidade moral, na disposição habitual para o bem, excelência moral, força interior, retidão, austeridade.

Vícios: compreendem os defeitos, os costumes censuráveis, os hábitos perniciosos, entre os quais: fumo, álcool, gula, abusos sexuais. Já os defeitos consistem nas imperfeições ou desvios das leis morais, inerentes à individualidade, são: o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a maledicência etc.

Todas as virtudes são louváveis, porque todas implicam no cumprimento da Lei do Progresso, que é inerente à trajetória do Espírito. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências (LÊ, 893); toda vez que o homem busca superar seus defeitos e suas más inclinações, já é um indício de progresso; mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal para o bem do próximo, sem segunda intenção (LÊ 893). A virtude deve, portanto, estar fundamentada na intenção que move uma ação, ou seja, o sublime da caridade consiste na doação de si de forma desinte­ressada.

O indício mais característico da imperfeição é o interesse pessoal, ou seja, o apego às coisas materiais ou à própria pessoa são sinais de notória inferioridade. Muitos Espíritos possuem qualidades reais, o que os torna dignos de consideração perante os homens, porém, basta ferir a tecla do interesse pessoal para revelarem suas verdadeiras tendências.

A verdadeira virtude consiste em praticar o bem por um impulso espontâneo, sem que se tenha de lutar com nenhum sentimento contrário. Os que não têm de lutar é porque já realizaram o progresso, e por isso os bons sentimentos não lhes custam esforço.

Muitos casos existem de pessoas que demonstram um desinteresse natural pelas coisas materiais, no entanto, a prodigalidade irrefletida é também indício de falta de bom senso. A fortuna não é dada a alguns para ser lançada ao vento, como não o é a outros para ser encerrada num cofre. E um depósito de que terão que prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que poderiam ter feito e não fizeram (LÊ 896). Vê-se aqui claramente uma elucidação da Parábola do Filho

Pródigo (Lc 15:11-32) onde o filho mais moço é a personificação daquele que se entrega à vida material desregrada, e o filho mais obediente é o símbolo do egoísmo que pretende monopolizar a herança e o convívio paterno. Cada um possui, portanto, liberdade para seguir o caminho que quiser, mas as consequências advirão de acordo com a intenção que move o coração de cada um .

Da mesma forma, aquele que pratica o bem sem visar a uma recompensa material, mas o faz na esperança que lhe seja levado em conta em outra vida é repreensível. É necessário fazer o bem por caridade, ou seja, com desinteresse (LÊ, 897). Aquele que faz o bem pelo bem, sem pensar em recompensa futura, seja de que natureza for, é porque já sentiu a alegria de doar-se, e já entendeu o fato de ser o amor a lei maior da vida.
Aquele que calcula o que lhe pode render cada uma de suas boas ações, na outra vida ou mesmo na vida terrena, procede de maneira egoísta (LÊ 897b).

Por outro lado, o filho egoísta na Parábola do Filho Pródigo, se não linha vícios, também não possuía virtudes. É assim que muitos, se não fazem o mal, também não fazem o bem, se não furtam ao próximo, também não lhe dão nada . Ora, a abstenção do mal apenas, em uma atitude passiva perante a vida também não é virtude. A moral sem ações é como a semente sem o trabalho. De que vos serve a semente se não a fizerdes frutificar para vos alimentar? (LÊ 905). É assim que a virtude consiste em força ativa que contribui de alguma forma para o próximo e a si mesmo; a virtude, se inoperante, deixa de sê-lo.

Das Paixões

O princípio das paixões é inerente à natureza do ser humano. Quando bem dosado e orientado leva o homem a grandes feitos, a grandes realizações. Em tudo na vida o erro está no abuso e não no uso. Por exemplo: trabalhar e comer são atividades positivas, mas trabalhar e comer excessivamente é prejudicial. As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa (LÊ 908); em assim sendo, a paixão negativa consiste no fato de o homem ser dependente de algo exterior a si; quanto mais domínio sobre si tiver, mais livre será.

O princípio das paixões não é portanto um mal, pois repousa sobre uma das condições providenciais de nossa existência. A paixão propriamente dita é o exagero de uma necessidade ou de um sentimento; está no excesso e não na causa (LÊ 908). O homem não deve, portanto, esquecer que o Espírito é o senhor que pode e deve controlar a vida do corpo; o corpo é mero instrumento destinado a servir o Espírito. Desta forma , todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição (LÊ 908).

O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços; o que lhe falta é vontade, disposição do Espírito, iniciativa. Quando o homem julga que não pode superar suas paixões é que seu Espírito nelas se compraz, como consequência de sua própria inferioridade (LÊ 911).

Do Egoísmo

Entre todos os vícios, o que os Espíritos consideram mais radical é o egoísmo, pois dele deriva todo o mal. Se estudarmos nossos vícios veremos que na origem de todos eles está o egoísmo. É que ele engendra o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, dos quais a todo momento o homem é vítima; é ele que leva à perturbação, provoca dissenções e destrói a confiança de uns para com outros. Por mais que se lute contra eles, não se conseguirá diminuí-los, enquanto não se houver destruído a causa. Quem nesta vida quiser se aproximar da perfeição moral deve extirpar de seu coração todo sentimento de egoísmo, porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade; ele neutraliza todas as outras qualidades (LÊ 913).

Duas são as maiores causas do egoísmo: a primeira é a influência da matéria da qual o homem ainda não consegue libertar-se. A segunda funda-se na exaltação da personalidade. Ora, o Espiritismo nos faz ver as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece de alguma forma perante a imensidade (LÊ 917).

O egoísmo, portanto, só se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material, e não se chegará a esse ponto se não se atacar o mal pela raiz, ou seja, com a educação. Não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homens de bem. A educação, se for bem compreendida será a chave do progresso moral (LÊ, 917). Não basta a ciência, não basta a arte de manejar a inteligência, se não se souber endireitar caracteres. Que se faça pela moral tanto quanto se faz pela ciência, só assim o egoísmo deixará de ser a fonte de vícios, e a caridade, por sua vez, manifestar-se-á como a fonte de todas as virtudes.

Bibliografia:
LÊ, 893a917

B) Caracteres do Homem de Bem — Conhecimento de Si Mesmo

Caracteres do Homem de Bem

Os Espíritos são seres imortais criados por Deus, e que possuem uma destinação gloriosa — a perfectibilidade. Para efetivar esse itinerário, foram dotados de recursos e talentos incontáveis, quais a razão, o amor, o livre-arbítrio. Assim é que o Princípio Inteligente individuado vai gradativamente, realizando sua caminhada evolutiva, errando e acertando, formando sua bagagem de conhecimentos, pessoal e intransferível, a qual Jesus se refere como verdadeira e que a ferrugem nem a traça consomem.

Nessa caminhada vão se estruturando sinais que evidenciam o progresso já alcançado pelo Espírito. Comprova-se, facilmente, a elevação espiritual de um indivíduo pela sua conduta moral no dia-a-dia. O Espirito prova a sua elevação quando todos os aios da vida corpórea constituem a prática da Lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual (LÊ 918). Quando vivência espontaneamente as leis naturais, quando harmoniza-se com a essência divina que o caracteriza, o grandioso processo de transcendência foi iniciado e novas dimensões se abrem para o ser.

O homem de bem busca continuamente uma auto-avaliação de si mesmo, para conscientizar-se de seus atos. Ele pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua mais completa pureza (LÊ 918). Valendo-se da Lei de Liberdade, pratica o bem pela alegria de praticar o bem, e não porque estivesse condicionado por algum castigo ou recompensa. Se Deus lhe concedeu o poder e a riqueza, administra-os , seguindo a Lei da Caridade, servindo-se deles como um depósito a ser utilizado em proveito de muitos. Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, respeita de fato a Lei de Igualdade, tfatando-os com benevolência e respeito, valendo-se da autoridade para apoiá-los moralmente.
Pratica a Lei do Amor ao ser indulgente para com as fraquezas dos outros, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência. Respeita, enfim, nos seus semelhantes, todos os direitos decorrentes da lei natural, como desejaria que respeitassem os seus (LÊ, 918). Busca, enfim, a sua perfectibilidade moral, pois vivência em sua consciência a necessidade de superação em respeito à Lei do Progresso. Ciente da bondade de Deus que se revela em cada criatura, vivência a Lei de Sociedade através da prática do amor ao próximo, da exteriorização do amor em meio aos homens. O homem de bem edifica sua vida sobre a rocha, pois ao identificar-se com o bem, terá sempre força interior con­tra as adversidades da vida.

Conhecimento de Si Mesmo

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", afirmou Jesus (João, 8:32). Quanto mais consciente de si, mais livre será o Espírito. Da mesma forma, recomendam os Espíritos que o meio mais prático para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal é o "conhece-te a ti mesmo" (LÊ 919).

É muito importante a conscientização da necessidade de reforma íntima, como meio de transformação interior, de superação dos defeitos, de acionar a vontade para substituir os vícios por virtudes. No autoburilamento consiste a chave do progresso individual, por isso não se pode mais dispensar o esforço consciente, não se deve mais viver simplesmente seguindo impulsos e instintos .

O primeiro passo para o conhecimento de si mesmo, segundo Santo Agostinho, consiste em interrogar a cada dia a própria consciência e ver se não se faltou ao cumprimento do dever, se ninguém tem nada de se queixar sobre a sua pessoa.

Mas como julgar a si mesmo? A dificuldade está justamente em conhecer a si próprio. Existe, segundo o Livro dos Espíritos, um meio de controle que não pode enganar: "Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça (LÊ 919a). É assim que podemos julgar nossas ações segundo uma máxima universal: Não fazer aos outros o que não se deseja para si mesmo.

O que conhecer? Vemos constantemente os erros e defeitos dos que nos rodeiam e somo incapazes de perceber nossos próprios. Nossas faltas são sempre justificadas por nós mesmos. É importante a humildade em aceitar as limitações para que se possa crescer e superar-se. Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas de seu jardim (LÊ 919a). No entanto, importa conhecer não somente as limitações mas, sobretudo, as potencialidades, aquilo que existe de infinito no Espírito, a força interior, o amor, a inteligência, a capacidade de transcender a si mesmo.

É assim que a sabedoria milenar de Sócrates permanece viva e evidente; seu método se desenvolve em dois momentos:
a) Ironia (interrogação) — consiste em interrogar a si mesmo e destruir toda falsa imagem ou idéia de si mesmo.
b) Maiêutica (gr. parturição) — consiste em trazer à luz a interioridade, os potenciais infinitos do Espírito.
Dessa forma o método de Sócrates, já precursor do Cristianismo, evidencia as bases da reforma íntima, nos termos da Doutrina Espírita.

Bibliografia:
LE,918a919a

C) Sede Perfeitos

Porque se vós amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai Celestial é perfeito (Mt 5:46-48).

Ao recomendar que sejamos perfeitos como o Pai celestial, Jesus ensina o amor ao próximo em sua máxima expressão, ou seja, a prática do amor indistintamente, seja aos inimigos, seja aos que nos perseguem e caluniam. O verdadeiro amor é uma exteriorização da essência divina que deve existir em si mesma, independente do ser a que é dirigida; é assim que Deus faz brilhar o sol sobre os bons e maus, sobre os justos e injustos. O homem compenetrado de alegria que o sentimento de amor proporciona, pratica o bem pelo bem, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, independentemente da retribuição de quem quer que seja ou de qualquer interesse pessoal. Sente-se jubiloso pelo bem que esparge, pêlos atos altamente meritórios de fazer feliz a quem quer que seja. O amor ao próximo estendido até o amor aos inimigos é indício de superioridade moral; disso resulta que o grau de perfeição está na razão direta da extensão do amor ao próximo (ESE, Cap. XVII, item 2); por isso recomenda o Mestre a perfeição, no sentido de estendermos o amor a todos, sem limites e distinção, vivendo assim uma consciência de ordem coletiva e não apenas pessoal. A perfeição, como disse o Cristo, encontra-se inteiramente na prática da caridade sem limites, pois os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde a mais ínfima até a mais elevada (ESE, Cap. XVII, item 10).

Deve-se, no entanto, entender por essas palavras uma perfeição relativa, aquela de que a humanidade é suscetível, e que mais pode aproximá-la de Deus. Não se deve nunca tomar essas palavras em sua acepção absoluta, pois o ser humano jamais poderá atingir a perfeição absoluta; dado o fato de ser inteligente, ter passado pela materialidade, ele será sempre relativo, ou seja, sempre perfcctível. O itinerário da perfectibilidade é, portanto, a destinação dos Espíritos, cuja tendência ao progresso lhes é imanente.

Os Espíritos, sendo individuações da essência divina, possuem identidade de origem e de natureza com Deus. A presença divina lhes é, pois, imanente e possuem em forma de potência todos os atributos divinos a serem revelados. Cabe-lhes, assim, revelar, tornar manifestas essas potencialidades infinitas, pela conscientização e consequente dinamização delas. "Sede perfeitos" implica em exteriorizar a qualidade infinita da essência oculta que habita o Espírito.

É assim que afirma ainda Jesus "Vós sois deuses" (Jo 10-34), pois cada criatura é uma criação divina, e sua destinação consiste na manifestação cada vez mais grandiosa do que há em si mesmo de divino. Todo o segredo da perfeição, da felicidade está, portanto, na auto-conscientização das potências divinas que caracterizam o Espírito.
Bibliografia:
ESE, Cap. XVII, itens l a 4

QUESTIONÁRIO

a) As virtudes e os Vícios — das paixões — Do egoísmo:

1) Em que consiste a verdadeira virtude?

2) Qual a relação entre o conceito de virtude contido em O Livro dos Espíritos e a Parábola do Filho Pródigo?

3) Qual o meio mais eficaz de combater a predominância da natureza corpórea?

b) características do homem de bem — conhecimento de Si mesmo:

1) Qual a relação do homem de bem com as Leis Morais?

2) Como proceder para conhecer a si mesmo?

3) Relacione o método de Sócrates com a reforma íntima.

c) sede perfeitos:

1) Em que consiste a perfeição, segundo a referida passagem de Jesus, em Mt 5:46-48?
2) Os Espíritos atingirão um dia a perfeição absoluta?

3) O que quis Jesus significar ao afirmar "Vós sois deuses"?
fonte
COMUNIDADE ESPIRITA