Estudando o Espiritismo

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Fatos e livros - Deolindo Amorim e Elzio Ferreira

Do livro CONVITE À REFLEXÃO, ditado pelo espírito Deolindo Amorim ao médium Elzio Ferreira de Souza. Capítulo I, “Fatos e livros”:
1. Os escritores espíritas devem ter o cuidado, ao referirem-se a fatos históricos, de colherem material em fontes fidedignas, evitando repetirem apenas as descrições dos fatos na versão e valorização feitas por um grupo ou por pessoas interessadas em fixá-las como expressões da verdade.
2. Não é possível escrever sobre a história de um movimento sem realizar-se uma pesquisa aprofundada.
3. Escrever sobre história exige do pesquisador isenção de ânimo, sem o que acabará escrevendo sua “história”.
4. Os livros se tornam mais ou menos valiosos de acordo com a faixa de leitor a que se dirigem: há um grande engano de escritores, médiuns e editores quando julgam que eles se destinam a qualquer leitor, sem considerar o conhecimento de cada um.
O exemplo da literatura infantil deveria ser seguido: o escritor de livros para crianças procura conformar a narração a uma determinada faixa etária de modo que possa ser entendido. Existem faixas de idade mental que não podem ser desconsideradas.
5. A melhoria da qualidade dos livros encontra-se na dependência do preparo dos leitores.
Quantos estejam interessados em uma seleção da literatura espírita, para que não se lhes desfaça a qualidade, devem não somente cuidar disto na ponta da publicação, evitando dar à luz obras que são apenas exercícios mediúnicos ou do próprio escritor, mas também na outra referente ao leitor, isto é, devem trabalhar para que o adepto se torne um conhecedor do Espiritismo, ajudando a capacitá–lo na arte de pensar e discernir.
6. As obras espíritas não devem ser submetidas a qualquer espécie de censura, salvo a do próprio leitor.
Quando alguém se entende como o único capacitado a selecionar e a julgar do valor de um livro, apenas está decretando por antecipação a incapacidade do leitor. O movimento doutrinário não se pode firmar em bases tão frágeis como os ombros dos censores. O leitor espírita deve reivindicar sua própria maioridade.
7. Ao invés de perder-se tempo com condenações, todo o esforço deve ser dirigido a preparar novas gerações no conhecimento da Doutrina e a ajudar aqueles que desejem conhecê-la através de um estudo sério em que as obras de Allan Kardec possam ser dissecadas sem quaisquer prejuízos.
Enquanto providências como essas não forem tomadas, continuaremos a assistir a preferência dos leitores por romances que os deliciam com suas amenidades, mas que nem sempre ensinam, que lhes criam ilusões e não os acordam para a realidade, dando uma falsa idéia do mundo espiritual, o que pode ocorrer pelo despreparo do médium para apropriar-se das idéias do Espírito ou deste para transmitir aquilo que vê. Embora existam romances históricos, em que se procura reconstituir o ambiente e os fatos de uma época, nem todos o fazem, e muitos reproduzem apenas a imaginação de seus autores.
Finalmente, seja-me permitido dizer que todas estas dificuldades não depõem contra o Espiritismo, muito pelo contrário, advertem que não se trata de uma Doutrina cuja aprendizagem possa fazer-se em poucos dias, nem com a leitura de romances, mas necessita de estudos sérios e de aplicação, coisas que não são nenhuma novidade, pois constituem advertências do mestre Allan Kardec.