Estudando o Espiritismo

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oficina dos Sentimentos















Projeto de implantação


Temos no Hospital Esperança os grupos de reencontro, que são atividades de psicologia da alma com fins terapêuticos e educacionais – verdadeiras oficinas do sentimento. No plano físico, atividades similares poderão constituir uma autêntica pedagogia de contextualização para a mensagem de amor contida no Evangelho e na codificação Kardequiana.


(Trecho extraído do livro Escutando Sentimentos, da autora espiritual Ermance Dufaux, psicografado pelo médium Wanderley Soares de Oliveira – Editora Dufaux)


A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo como se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito, baste o conhecimento da Ciência.


(Allan Kardec, questão 917, O Livro dos Espíritos)

Nestes apontamentos descrevemos a experiência da Oficina dos Sentimentos virtual, realizada pela Sociedade Espírita Ermance Dufaux.



Iniciada em três de outubro de 2005, chegamos a um ano de trabalho. Apesar do tempo tão pouco expressivo, temos colhido resultados motivadores na mudança de nossos conceitos e posturas, julgando oportuno divulgar nossos resultados.


Estamos cientes de que aqui nada mais fazemos além de alguns registros cujos objetivos sejam os de cooperar com os interessados em iniciar esta atividade em suas casas espíritas ou em quaisquer outros ambientes.


Seja virtual ou presencial, a oficina dos sentimentos tem se mostrado um instrumento eficaz em favor do desafio pela maioridade das idéias espíritas e pela humanização de nossos relacionamentos.


Nossa intenção é a de sermos úteis. Queira Deus que a consigamos!





1. Apresentação





O presente trabalho enfoca uma proposta de debate em torno dos sentimentos com base na Psicologia e na Doutrina Espírita.


A Doutrina Espírita, já no lançamento de O Livro dos Espíritos, em 1857, por meio da pergunta 919 - Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo. O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual.” –, expressa claramente a necessidade do autoconhecimento do indivíduo para que este efetue com eficiência seu progresso, comumente entendido por reforma íntima.


O traço fundamental do Período de Maioridade das Idéias Espíritas, segundo o Doutor Bezerra de Menezes na mensagem Atitude de Amor, é a humanização de nossas relações. Mas como alcançar essa conquista sem estudar nossos sentimentos?


O conhecimento espírita – luz em nossos caminhos – nem sempre tem gerado paz e equilíbrio em nosso íntimo. A causa principal da incoerência entre saber e fazer pode ser encontrada, sobretudo, na nossa ignorância acerca do que se passa no reino do coração.


Temos recebido informações diversas sobre companheiros que desencarnam com larga folha de serviços prestados à doutrina e com invejável cultura doutrinária, no entanto, carentes de sossego interior e atormentados por dramas conscienciais.


A espiritualidade amiga tem incrementado a literatura espírita com obras que incitam o autoconhecimento, o repensar sobre si mesmo, posturas que levam o homem, inevitavelmente, à mudança da atitude em existir e do próprio comportamento.


Na década de 80 foi lançado o livro Jesus e Atualidade, da autoria espiritual de Joanna de Ângelis, pelo médium Divaldo Pereira Franco, obra que despertou efetivamente o interesse pelo tema do autoconhecimento com a utilização de conceitos do Espiritismo e da Psicologia, quebrando a resistência de muitos a esta ciência.


(...) Ir mais além à estrutura do homem espiritual, despertando-o para sua realidade interior e eterna. Trata-se de um convite, uma oferta. E cada um meditando no que deseja e no que pode oferecer, predispor-se-á ou não a engajar-se na marcha nova do nosso labor em favor de nós próprios e, como resultado, da humanidade em que nos encontramos como membros essenciais (...) A Veneranda Joanna de Ângelis, p. 82


Confirmando o caráter de universalidade das informações, ressaltado por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, outros enfoques que demonstram a intenção dos amigos espirituais em trabalhar esse assunto têm sido trazidos por diversos autores espirituais, tais como Hammed, Inácio Ferreira e, mais recentemente, Ermance Dufaux.


Eis alguns dos temas desses autores: culpa, lucidez, personalismo, alteridade, processos de obsessão e suas repercussões na vida interior, ansiedade, depressão, auto-estima, felicidade, orgulho e convivência.


Cada um com linguajar e enfoques específicos, mas tendo em comum o alerta, a orientação para o processo de transformação pessoal. Viver em paz consigo mesmo, sem tantas mágoas, rancores, ódios, melindres, ressentimentos, hipocrisias... Sem tanto orgulho e egoísmo. Com amor por si mesmo, com autonomia, com alteridade. Renovando atitudes com coragem, determinação e perseverança. Buscando assim vivenciar os preceitos evangélicos inseridos na proposta educativa de Jesus. Com qualidade. Tornar-se verdadeiramente um homem de bem que não matou o homem velho, porém o transformou em uma pessoa melhor.


A oficina dos sentimentos é um instrumento pedagógico voltado para a compreensão de nós mesmos. O trabalho realizado pela Internet, conquanto não nos enseje as expressões mais desejáveis de afeto, tem se constituído em bálsamo, um norte às nossas almas aflitas por se entenderem melhor.


A partir de um convite singelo e despretensioso, conseguimos reunir 20 pessoas de sete estados brasileiros e iniciar um campo de discussão e debate através de reunião semanal, realizada às segundas-feiras, das 22 às 23 horas, pelo programa Paltalk, que oferece recurso de viva voz. Após esse debate de uma hora, continuamos durante toda a semana trocando e-mails sobre o tema através de uma lista de discussão criada exclusivamente para os membros participantes.


A reunião semanal é aberta ao público, enquanto o debate na lista é somente acessado pelos inscritos.


Algumas estatísticas nos serviços de atendimentos fraternos e triagem dos centros espíritas apontam de forma expressiva as queixas em torno de sentimentos mal-resolvidos e cristalizados nas pessoas atendidas. E também, de forma empírica, por meio de conversas informais, identificamos o alto interesse que a temática desperta em espíritas e em praticantes das mais diversas religiões.


A Oficina dos Sentimentos nos ensejou a comprovação dessa realidade, como segue a nossa amostragem vivencial:





* Faltam-nos conceitos claros sobre os sentimentos.


* Temos enorme dificuldade de falar sobre nossos sentimentos, protegendo-nos com jargões e repetição de textos.


* Não sabemos identificar nossos sentimentos.


* Não diferenciamos atitude, sentimento, impulso, tendência, estado emocional, sensação.


* Vivemos intensamente a negação como mecanismo de defesa acerca do que sentimos.





2. Objetivos





Objetivo Geral


Estruturar a formação de um grupo de debate sobre sentimentos com base nos conceitos da Psicologia e da Doutrina Espírita.





Objetivos específicos





* Conhecer conceitos de sentimentos.


* Repensar seus próprios conceitos e sentimentos.


* Diferenciar sentimentos de sensações, estados emocionais e atitudes.


* Auxiliar na continuidade do processo de autoconhecimento.


* Trocar experiências, conhecimentos e afetividade com o grupo.


* Desenvolver a capacidade de contextualização dos sentimentos.





3. Público-alvo





O público-alvo preferencial deste projeto são trabalhadores espíritas.





4. Conteúdo Programático





O conteúdo a ser trabalhado pelo grupo pode ser fruto de acordos, conforme o interesse de aprendizado e necessidade. A seguir algumas sugestões adotadas em nossa Oficina dos Sentimentos 1:





* Mágoa


* Medo


* Inveja


* Culpa


* Orgulho





Além do debate em torno dos sentimentos, temos pesquisado alguns fundamentos da Psicologia que corroboram com melhor entendimento dos temas, tais como sombra, autonomia, intenção, empatia e máscaras.





5. Coordenação





No Espiritismo não é utilizado o modelo professor-aluno, sendo priorizada e incentivada a idéia de que o instrutor é um facilitador do aprendizado. No grupo de debate sobre sentimentos, haverá a figura do moderador, que será responsável pela condução do tema para evitar a dispersão e incentivar o repensar de conceitos.


O moderador deverá ter papel motivador, um instigador de idéias para o grupo repensar posturas e prezar pela lucidez dos pensamentos que defende. Um dos seus principais aliados nessa tarefa são as interrogações sobre os temas. Perguntas inteligentes provocam reflexão, curiosidade. O desafio maior do moderador será incentivar no grupo a prática colaborativa e a contextualização dos temas. Como falar de sentimentos sem falar de si? Isso é contextualizar ou colocar-se no tema em debate. O moderador dará uma decisiva contribuição para o andamento e êxito da tarefa.


A pedagogia da contextualização, ou seja, colocar a vivência como referência didática é o ponto alto da condução do grupo. Aprender a utilizar o pronome “eu” ao invés do “nós”. Falar de si. Em algumas situações usamos o nós para incluir os outros e não assumir a si mesmo, seus sentimentos.


Por outro lado, cabe ao moderador não deixar o grupo confundir Oficina dos Sentimentos com consultório terapêutico, que é um outro trabalho bem distinto.


Todos podem cooperar. Toda participação é bem-vinda. Sentimento é algo individual, portanto, toda experiência tem valor educacional. Todos têm algo com que colaborar.


Observamos uma tendência inicial no grupo de repetir frases e chavões do Espiritismo e do Evangelho. Trechos de obras mediúnicas eram colocados como respostas para as questões levantadas. A isso denominamos “prosopopéia”, ou seja, uma acomodação em conceitos não refletidos a partir do senso pessoal, um costume de ter respostas prontas para temas extremamente ricos de diversidade e possibilidade de entendimento. A prosopopéia, em outras palavras, é a dogmatização dos temas doutrinários.


Outra tendência é esperar tudo pronto por parte do moderador. Para isso algumas dinâmicas foram incluídas no intuito de aproveitar o potencial do grupo. A criatividade nesse sentido é muito vasta para quem anseia ver o grupo crescer.


Uma condução afetiva e incentivadora resultará em confiança e amizade no grupo. Esses valores são essenciais para alcançar os objetivos da Oficina dos Sentimentos, pois como se retratar nos temas sem essa conquista?





6. Metodologia





Encontros semanais com duração de 90 minutos. A proposta é debater e não estudar nos moldes educacionais de se passar informações. Com a técnica do debate todos se incluem e os temas não são concluídos. Não há respostas definitivas. Pelo contrário, a idéia é devassar o tema e permitir as inferências pessoais, íntimas.


Devido a essa característica, denominamos a tarefa como oficina, inspirados em colocações de Ermance Dufaux, como esta a seguir:


“O que faz uma oficina? Reparos, consertos, trocas de peças, regulagens, revisões.


Nos dicionários humanos a palavra oficina significa: Lugar onde se verificam grandes transformações. Esse é o sentido que melhor se ajusta a nossos conceitos.


Oficinas permanentes de idéias e intercâmbio tornam-se imprescindíveis nesta hora que passa, arregimentando ‘laboratórios de troca e reinvenção do agir’, fortalecendo as bases, estimulando os caminheiros, propondo metas, vencendo o marasmo em parcela considerável das casas.” – Laços de Afeto – capítulo 22, segunda parte





7. Oficina dos Sentimentos Virtual





Educação à Distância, segundo o MEC, é uma modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares e tempos diversos (Decreto nº 5622 de 19.12.2005).


A Educação à Distância propicia atingir um número significativo de pessoas domiciliadas em qualquer lugar do país ou do mundo, além de propiciar aos participantes a liberdade de fazer o seu horário pessoal. Os encontros virtuais propiciam a comodidade de estudo sem a necessidade de deslocamento físico semanal.


Eis algumas vantagens da Oficina dos Sentimentos virtual:





* evitar deslocamento para realização da atividade.


* horário compatível com término das reuniões nos centros espíritas, possibilitando participação em casa.


* inexistência de um grupo presencial similar no centro que freqüenta ou na mesma cidade.





Em uma análise preliminar, foi possível identificar os seguintes pontos positivos que servem como estímulo para a realização desta proposta:





* Crescente interesse pela Doutrina Espírita;


* Crescente interesse pela Psicologia;


* Crescente número de internautas;


* Redução dos preconceitos relativos à educação à distância;


* Redução da carga horária presencial de debate: encontros semestrais e/ou anuais;


* Público-alvo com autonomia para gerenciamento do horário;


* Possibilidade de participação de pessoas que estejam em qualquer localidade do país ou do mundo.





A Internet será o principal meio de comunicação entre os participantes por fornecer aos seus usuários vários recursos em tempo real, promovendo a agilidade do processo, além da disponibilidade de acesso a publicações eletrônicas e sites de pesquisa.


Será criado um site onde serão disponibilizadas as informações do grupo e dos debates (apresentações, registros, resumos, informações dos participantes, etc).


Para os encontros semanais será utilizado o software gratuito Paltalk (www.paltalk.com), que atende às necessidades do grupo de debates por possibilitar a abertura de uma sala de bate-papo (chat) específica com até 200 componentes, contando inclusive com recursos de videoconferência (voz e imagem) se necessários. O software possui o recurso de abertura de várias salas independentes, vinculadas à sala de chat principal, que é extremamente útil na divisão dos participantes em grupos menores para debates de assuntos distintos.


Como contingência, será utilizado o software MSN, também gratuito, que, embora com menos recursos, possibilita efetuar o debate com qualidade.


Os encontros poderão ser gravados por meio do software gratuito Audacity para, após edição, serem disponibilizados no site do grupo.


Com o objetivo de dar continuidade à discussão dos assuntos abordados nos encontros virtuais semanais, será criada uma lista de discussão no site Google Groups (http://groups.google.com.br), que fornece esse serviço gratuitamente. Assim o grupo poderá continuar, através da troca de e-mails destinados exclusivamente aos inscritos, a debater o tema com mais profundidade.


Dificuldades no uso das ferramentas escolhidas poderão ser resolvidas, em primeiro nível, pelos próprios participantes – ajuda mútua.





8. Tempo de duração





Nossa primeira Oficina dos Sentimentos serviu para percebermos que seis meses é um tempo hábil para se atingir bons resultados com um mesmo grupo.


Após isso, pode-se continuar a atividade através de prestação de serviços, conforme a disponibilidade de cada membro componente.


Outubro, 2006.





Projeto e texto do medium Wanderley Soares de Oliveira, Sociedade Espírita Ermance Dufaux, Belo Horizonte, MG – www.ermance.com.br


Para saber mais, acesse www.oficinadossentimentos.com.br


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