Estudando o Espiritismo

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Dualismo e Monismo - Filosofia Vedanta

Dualismo e Monismo - Filosofia Vedanta



Swami Vivekananda

O Erro das Escolas Dualistas

"A primeira escola de que vos falarei é chamada escola dualística. Os dualistas acreditam que Deus, Criador e Governador do universo, está eternamente separado da natureza, eternamente separado da alma humana. Deus é eterno, a natureza é eterna, e eternas são todas as almas. A natureza e as almas manifestam-se e mudam, mas Deus permanece o mesmo. Segundo os dualistas, Deus é pessoal, pelo fato de ter qualidades, não por ter um corpo. Tem atributos humanos. É misericordioso, justo, poderoso, onipotente; podemo-nos nos aproximar d'Ele, orar para Ele, amá-Lo. Ele retribui o amor, e assim por diante. Numa palavra, é um Deus humano, apenas infinitamente maior do que o homem, sem qualquer dos defeitos que o homem tem. Não pode criar sem materiais, e a natureza é o material do qual Ele se serve para criar todo o universo.

A vasta massa do povo da índia é dualista. Todas as religiões da Europa e da Ásia Ocidental são dualistas: têm de ser dualistas. O homem comum não pode pensar em coisa alguma que não seja concreta. Gosta, naturalmente, de agarrar-se ao que o seu intelecto apreende. Essa é a religião das massas, em todo o mundo. Acreditam num Deus inteiramente separado delas, um grande rei, um poderoso monarca, por assim dizer. Ao mesmo tempo, fazem-no mais puro do que os monarcas de Terra; dão-lhe todas as boas qualidades e removem dele todos os defeitos, como se fosse possível o bem existir sem o mal, ou qualquer concepção de luz sem a concepção das trevas!

Eis a primeira dificuldade no que se refere às teorias dualísticas: como é possível que sob a direção de um Deus justo e misericordioso haja tantos males no mundo?"


A doutrina salvacionista e evolucionista dos dualistas

"Outra doutrina dos dualistas diz que todas as almas devem, finalmente, alcançar a salvação. Nenhuma delas ficará do lado de fora. Através de várias vicissitudes, através de vários sofrimentos e prazeres, cada uma delas sairá, por fim. Sairá de quê? A idéia comum é a de que todas as almas têm de sair deste universo. Nem o universo que vemos e sentimos, nem mesmo um universo imaginário, podem ser o certo, o verdadeiro, porque ambos estão mesclados com o bem e o mal. Segundo os dualistas, há, para além deste universo, um lugar cheio de felicidade e de bem, apenas, e quando esse lugar for alcançado, não haverá mais necessidade de nascer e renascer, de viver e morrer, e essa idéia lhes é muito cara. Ali não há mais doenças, não há morte. Existirá uma felicidade eterna, e eles estarão na presença de Deus todo o tempo, e gozarão essa presença para sempre. Acreditam que todos os seres, do verme mais baixo até os mais altos anjos e deuses, atingirão, mais cedo ou mais tarde, o mundo onde não mais haverá sofrimento. Mas nosso mundo jamais terminará. Continuará a existir infinitamente, embora movendo-se em ondas. Embora movendo-se em ciclos, jamais terminará. O número de almas que devem ser salvas, que devem ser aperfeiçoadas, é infinito."



A doutrina monista (Vedanta)

Que declaram os advaitistas (vedantas)? O seguinte: Se há um Deus, esse Deus deve ser ao mesmo tempo a causa material e eficiente do universo. Não só é o Criador, mas é também o criado. Ele próprio é este universo.
Como pode ser isso? Deus, o puro, o espírito, tornou-se universo? Sim, aparentemente é assim. Aquilo que todas as pessoas ignorantes vêem como universo, não existe, realmente. Que somos, vós e eu, e todas as coisas que vemos? Simples auto--hipnotismo. Não há senão uma Existência, a infinita, a sempre abençoada. Nessa Existência sonhamos todos esses vários sonhos. É o Atman para além de tudo, o infinito, para além do conhecido, para além do conhecível, e através disso vemos o universo. Essa é a única realidade. Ela é esta mesa, é a parede, é tudo, menos o nome e a forma. Retirai a forma da mesa, retirai--lhe o nome, e o que permanecer será a mesa. O vedantista não diz "ele" ou "ela", pois essas são ilusões, ficções do cérebro humano. Não há sexo na alma. As pessoas que estão sob a ilusão, que se tornaram como que animais, vêem a mulher ou o homem. Deuses vivos não vêem homens nem mulheres. Como podem vê-los, eles que estão para além de tudo que tenha idéia de sexo? Tudo e todos são Atman, o Eu - assexuado, puro, sempre abençoado. O nome, a forma, o corpo, é que são materiais, e fazem toda essa diferença. Se retirardes essas duas diferenças de nome e forma, todo o universo é um. Não há dois, mas um, por toda a parte. Vós e eu somos um. Não há natureza, nem Deus, nem universo - apenas uma Existência infinita, da qual, através de nome e de forma, todas essas coisas são manufaturadas.


MONISMO OU DUALISMO


Sócrates, Platão e Aristóteles também defendiam as realidades do espírito e da matéria.

O monismo e o dualismo são duas das correntes filosóficas que caracterizam as diversas possibilidades humanas de compreender a obra divina.

O dualismo esteve majoritariamente presente na filosofia da antigüidade. Segundo Aristóteles, no século VII foi criada a religião masdeísta, na antiga Pérsia, de caráter dualista, sob a inspiração do profeta Zoroastro. Sócrates e Platão também eram dualistas, defendendo a existência de uma realidade do espírito e outra da matéria. Com o amadurecimento intelectual do homem, inclusive com uma compreensão mais justa do universo, a proposta monista avançou para alcançar adeptos e defensores na nossa cultura contemporânea. O filósofo holandês Baruch de Spinosa, no século XVII, acompanhando o pensamento cartesiano de René Descartes, enquadra sua compreensão de Deus e da criação na unidade monista. Já no século XIX é a vez do naturalista alemão Haeckel construir suas teses fundamentais da doutrina monista. Agora, mais recentemente, com as descobertas da física quântica, alguns autores acham estar definitivamente sepultada qualquer possibilidade de defesa do pensamento dualista. Mas será ... ? A doutrina espírita seria dualista ou monista ..?

Bem .... acho que essa resposta não existe na sua concepção simplista. Isto porque as doutrinas dualistas e monistas são muito vastas, compreendendo hipóteses diferenciadas quanto ao objeto em análise. Assim sendo o espiritismo é monista em um aspecto e deve ser dualista em outro. O dualismo e o monismo discorrem sobre a unidade ou não de comando no universo, mas também sobre a unidade ou não do elemento primitivo. Quanto à unidade de comando no universo, o espiritismo é monista. A doutrina codificada por Allan Kardec não preconiza a existência de dois poderes independentes, o do Bem e o do Mal.

Ao contrário, fala de um Deus único, imutável e todo poderoso, e estabelece a existência do bem e do mal não institucionalizados, mas como um estado conseqüente ao cumprimento ou não das leis soberanas estabelecidas por Deus, ou seja, em decorrência da adequação do homem à ordem única do universo estabelecida no seu poder central. Tudo tende para Deus, ainda que momentaneamente pareça dele se afastar. Contudo, a nossa saudável polêmica começa quanto à unicidade de um elemento básico à criação.

Segundo "O Livro dos Espíritos", questão 27, há dois elementos gerais no universo, a matéria e o espírito, e acima de tudo Deus. Refletindo com mais conhecimento de causa sobre o assunto em "A Gênese" - já que este livro foi editado 11 anos depois - Allan Kardec formula conceitos muito claros, no capítulo XI, itens I a 9. Afirma o codificador: "Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se, remontando-se dos efeitos à causa, à conclusão de que o elemento material e o elemento espiritual são os dois princípios constitutivos do universo.

Individualizado, o elemento espiritual constitui os seres chamados Espíritos, como, individualizado, o elemento material constitui os diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos'". Nesta definição dos elementos gerais do universo Kardec deixa explícita a postura dualista do Espiritismo, em relação a este aspecto da criação divina, como dissemos atrás. E não digam que Kardec se referia ao mundo espiritual e à matéria densa, pois no mesmo livro, no capítulo VI, item 7, ele afirma sobre o elemento material: "Logo, quer a substância que se considere pertença aos fluidos propriamente ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, quer revista os caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não há, em todo o universo, senão uma única substância primitiva: o cosmo, ou matéria cósmica dos uranógrafos."

Chegada a esta conclusão, temos que admitir que ela pode não ser a verdade definitiva, e que com o tempo tenhamos que rever tal postura. Este o caráter progressista e permanentemente correlato às descobertas científicas que o espiritismo adota.

Voltando nossos olhares para a ciência, o "Princípio da incerteza" elaborado pelo cientista alemão Werner Heisenberg, em 1926, e até hoje sustentando a física moderna, marcou irrevogavelmente a forma de percepção do mundo, determinando o fim de um modelo de universo determinístico, nos moldes de Laplace. Baseado neste princípio reformulou-se a mecânica de Newton para o surgimento da mecânica quântica, introduzindo o elemento da imprevisibilidade às experiências que descrevem o universo. Ou seja, foi observado que a medição da velocidade e da posição de partículas subatômicas em sistemas semelhantes, iniciados da mesma maneira, não apresentavam um único resultado mas uma diversidade de resultados possíveis e incapazes de serem especificados por sistema.

Tentando explicar esses fenômenos surgiu a hipótese da existência de um domínio diretor, imanente à estrutura atômica, organizando-a e dando-lhe individualidade comportamental.

Esta hipótese vem reforçar a teoria espírita da existência do mundo espiritual com seres espirituais que, na visão da ciência, seriam o fruto da associação dos agentes diretores das partículas que formam os átomos, as moléculas, as células, resultando em um agente diretor para a estrutura corporal.

Claro que ainda há uma imensa diferença filosófica de uma para a outra, mas a cada dia a ciência acadêmica aproxima-se da constatação da realidade espiritual. Nesse domínio diretor estão localizadas as várias regiões do mundo espiritual, bem como lá estão vinculados, pela lei da sintonia, os espíritos com seus corpos espirituais ou perispíritos. Até aí tudo bem. Tanto a realidade da matéria densa quanto a do mundo espiritual têm a mesma base de formação que é o princípio material.

Isso poderia ser, para nós espíritas, motivo de alegria e esperança. Na verdade o é, mas mesclada por uma preocupação que surge, a nosso ver, em decorrência da precipitação.

Alguns escritores e oradores espíritas, pesquisadores do assunto, e mesmo com formação acadêmica ligada à área em questão - declino de citar nomes pois contesto a tese e não pessoas - vêm defendendo idéias de caráter pessoal, supondo, segundo tenho entendido, que neste domínio diretor, o espírito, compreendido na conceituação Kardequiana como individualização do princípio espiritual, também tem sua estrutura forjada no mesmo princípio que a matéria universal, supondo-se, assim, um caráter monista para a criação.

Alguns há ainda que concluem sobre a realidade de Deus como se ele fosse o domínio diretor do universo e, como corolário da hipótese monista que defendem, o próprio universo. Mero retorno ao panteísmo de Spinosa. Esta hipótese se anula a si mesma no raciocínio de que se tudo fosse oriundo de um único princípio, princípio esse que não tem estabilidade, se deteriora e se transforma por ação de forças externas, jamais haveria eternidade de vida e nem perenidade das conquistas adquiridas para a individualidade espiritual. Seria a tácita aceitação das doutrinas materialistas.

Por outro lado, apesar do avanço da ciência e das promissoras descobertas que evidenciam a realidade espiritual, não existe, por enquanto, nenhuma razão para se rejeitar a proposta dualista de Allan Kardec. O fato de se estar desvendando a intimidade atômica, encontrando a causalidade da vida, não nos autoriza a negar a existência do princípio espiritual essencialmente diferente do princípio material. Por não tê-lo alcançado não significa a sua não existência. Aliás, sempre dissemos isso aos cientistas materialistas: "se o espírito ainda não foi demonstrado em laboratório, não quer dizer que ele não exista". E, agora, estamos a tentar encaixar sua concepção em uma hipótese reducionista materialista.

Temos avançado muito no campo das descobertas da ciência, isso é verdade. Mas o que nos falta saber deveria ser o suficiente para soterrar nosso ímpeto de buscar conclusões precipitadas.

O tempo dos deuses da natureza ou do Deus antropomórfico já vai longe para nós espíritas. Mas a real compreensão acerca de Deus está reservada para um futuro longínquo, quando o homem "não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá". ("O Livro dos Espíritos", item 11).

João da Silva Carvalho Netto - R.I.E.

Monismo e Dualismo

http://textosparareflexao.blogspot.com/2012/09/monismos-e-dualismos.html


A Origem da Vida: Monismo e Dualismo

http://cienciamestre.blogspot.com.br/2012/02/origem-da-vida-monismo-e-dualismo.html

Existem duas correntes filosóficas principais para inquirir sobre a vida. O dualismo e o monismo. Entenda-se por dualismo a atribuição de duas características importantes à matéria viva. A matéria propriamente dita e o espírito, a alma, a força vitalista, ou o que quer que defina a fração imaterial e invisível que comporia o ser vivo. Segundo essa visão, não basta que tenhamos um sistema organizado, no qual as reações químicas que constituem o metabolismo celular encarreguem-se de prover energia para os processos vitais, além de interagir com o meio ambiente. Na visão dualista, há também algo mais, que promove e controla todas as manifestações do ser vivo e que, de certa maneira, lhe dá uma direção, um propósito. Somente quando o ser morre, o corpo se torna exclusivamente matéria. Porém, após a morte, a alma ingressaria então em um plano sobrenatural, cuja estrutura vara de acordo com as diversas crenças que interpretam a vida dualista. Em algumas, o espírito passaria a habitar uma região perfeita e justa, livre dos problemas do plano material. Em outras, o espírito seria reciclado e voltaria a “animar” um organismo, semelhante ou não, àquele que morreu.

De forma geral, o dualismo também implica que tanto o Universo como todas as forças de vida tenham sido criadas por um demiurgo, uma entidade divina, ou um princípio organizador que transformou o caos do Universo em compartimentos organizados e com propriedades distintas. A um desses sistemas denominamos vida. Assim, é comum associar ao dualismo o conceito do criacionismo, que nada mais é do que um ato ou evento no qual a matéria é criada a partir do nada.

Já o monismo interpreta a natureza estritamente do ponto de vista da física, da matéria, sem a intervenção de um componente espiritual. No monismo, ou materialismo, tudo que observamos ao nosso redor, direta ou indiretamente, é produto de interações físico-químicas. Esse cenário também inclui a vida. Isso não quer dizer que a filosofia monista tem explicações para tudo. Muito pelo contrário. Conforme já foi aludido, poucos são os fenômenos entendidos em toda sua extensão. No entanto, a diferença mas perceptível entre o dualismo e o monismo é que este último generaliza certos princípios utilizados para se estudar um determinado fenômeno, os quais necessariamente seguem os ditames do método científico. Em outras palavras, os modelos materialistas da natureza devem ser formulados com base em medidas sistemáticas e lógicas que idealmente permitam prever com um determinado sistema irá se comportar sob certas condições. A noção e o uso do método científico ficarão mais claros em nossas discussões subseqüentes.

Como consequência da forte aliança entre o monismo e o método científico, a visão materialista da natureza evita sempre que possível apelar para o criacionismo como uma explicação razoável tanto para a vida como para a própria matéria. O materialismo procura usar o conhecimento disponível para propor hipóteses que expliquem de maneira razoável as observações feitas pelos filósofos e cientistas. Foi desse modo que as ideias evolucionistas substituíram o criacionismo. No entanto, ainda há dificuldades. Veremos que, logo de início, a própria cosmologia, em uma de suas versões para a origem do Universo, de certa maneira apela para o criacionismo. Mas não é exatamente o criacionismo das doutrinas religiosas. Esse que entre os cosmólogos recebe o nome de “singularidade” é simplesmente um dispositivo, um recurso inventado pelos cientistas, que apela para um arquivo ainda vazio da física. Os físicos esperam que num dado momento essa explicação apareça de maneira mais convincente. O advento de uma nova física, ou um adendo à física contemporânea será importante para eliminar a possível ambiguidade entre o criacionismo dualista e o evolucionismo no contexto da discussão da origem da vida. De qualquer modo, todos os argumentos encontrados nessa temporada do blog foram construídos com base no método científico, ou seja, são modelos que lançam mão exclusivamente das pistas mencionadas.





1. Introdução
1.1 Como a Vida Surgiu e Como Evoluiu




Fonte: AB INITIO de Franklin David Rumjanek

A Unidade da Existência

https://www.vedanta.org.br/vedanta


A unidade de existência é um dos grandes temas da Vedanta e um pilar essencial da sua filosofia. A unidade é a canção da vida; é o grande tema que subjaz às ricas variações que existem em todo o cosmos. O que quer que vemos e o que experimentamos é apenas uma manifestação dessa eterna unidade. A divindade no âmago do nosso ser é a mesma divindade que ilumina o sol, a lua e as estrelas. Não há nenhum lugar onde nós, infinitos em nossa natureza, não existimos. Embora o conceito de unicidade possa ser intelectualmente atraente, sem dúvida é muito difícil colocá-lo em prática. Não há nenhuma dificuldade em sentir essa unidade com os grandes e nobres seres ou com aqueles que já amamos. Também não é
difícil experimentarmos um sentimento de unidade com as árvores, com o mar e com céu. Mas a maioria de nós se recusa a experimentar a unidade com seres repelentes tais como a barata ou o rato – sem falar no antipático colega de trabalho a quem mal conseguimos tolerar. No entanto, é justamente aí que precisamos aplicar os ensinamentos do Vedanta e perceber que todos estes múltiplos aspectos da criação estão unidos em e através da divindade. O Ser que está dentro de mim, o Atman, é o mesmo Ser que está dentro de você, não importa se o “você” em questão é um santo, um assassino, um gato, uma mosca, uma árvore, ou um motorista irritante com quem cruzamos no trânsito. “O Ser está em toda parte”, diz o Isha Upanishad. “Aquele que vê todos os seres no Ser, e o Ser em todos os seres, não odeia ninguém. Para quem vê a unicidade em todos os lugares, como pode haver decepção ou tristeza? ” Todo o medo e toda a infelicidade surgem de nosso senso de separação da grande unidade cósmica, a rede do ser que nos envolve. “Existe o medo do segundo/do outro”, diz o Brihadaranyaka Upanishad. A dualidade, o nosso sentimento de separatividade em relação ao resto da criação, é sempre um equívoco, uma vez que implica na existência de algo além de Deus. Não pode haver nenhum outro. “Esta grande pregação, a unidade de todas as coisas, que faz de nós um com tudo o que existe, é a grande lição a aprender”, disse Swami Vivekananda um século atrás.
…. O Ser é a essência do universo, a essência de todas as almas…. Você é uno com o universo. Aquele que diz que é diferente dos outros, mesmo que apenas por um fio de cabelo, torna-se imediatamente infeliz. A felicidade pertence àquele que conhece essa unidade, que sabe que ele é uno com o universo.

O Conceito de Maya

https://www.vedanta.org.br/vedanta


A Vedanta declara que nossa natureza real é divina: pura, perfeita, eternamente livre. Não temos que nos tornar Brahman, nós somos Brahman. Nosso verdadeiro Ser, o Atman, é um com Brahman. Mas, se nossa natureza real é divina, por que, então, estamos tão incrivelmente inconscientes disso?

A resposta para essa pergunta está no conceito de maya, ou ignorância. Maya é o véu que encobre nossa natureza real e a natureza real do mundo à nossa volta. Maya é fundamentalmente insondável: não sabemos por que ela existe e não sabemos quando ela começou. O que realmente sabemos é que, como qualquer forma de ignorância, maya deixa de existir com o raiar do conhecimento, o conhecimento da nossa natureza divina.

Brahman é a verdade real da nossa existência: em Brahman, vivemos, movemo-nos e existimos. “Tudo isto é verdadeiramente Brahman”, declaram os Upanishads – as escrituras que compõem a filosofia Vedanta. O mundo mutável que vemos à nossa volta pode ser comparado às imagens que se movem na tela do cinema: sem a tela imutável por trás, não pode haver filme. Da mesma forma, por trás deste mundo mutável, é o imutável Brahman – o substrato da existência – quem dá ao mundo sua realidade.

Porém, para nós, essa realidade é condicionada, como um espelho deformado, por tempo, espaço e causalidade – a lei de causa e efeito. Além disso, nossa visão da realidade ainda é obscurecida pela identificação equivocada: nós nos identificamos com o corpo, a mente e o ego, em vez de nos identificarmos com o Atman, o Ser divino.

Essa percepção equivocada original cria mais ignorância e dor, num efeito dominó: ao nos identificarmos com o corpo e a mente, tememos a doença, a velhice e a morte; ao nos identificarmos com o ego, sofremos de raiva, ódio e centenas de outros tormentos. Ainda assim, nada disso afeta nossa natureza real, o Atman.

Maya pode ser comparada às nuvens que encobrem o sol: o sol permanece no céu, porém a nuvem densa nos impede de vê-lo. Quando as nuvens se dispersam, tornamo-nos conscientes de que o sol lá esteve o tempo todo. Nossas nuvens – maya, que surge como egoísmo, ódio, ganância, luxúria, raiva, ambição – são sopradas para longe quando meditamos sobre nossa natureza verdadeira, quando nos ocupamos de ações altruístas e quando agimos e pensamos consistentemente nas formas de manifestarmos nossa real natureza: isto é, por meio de veracidade, pureza, contentamento, autocontrole e paciência. Essa purificação mental afasta as nuvens de maya e deixa nossa natureza divina brilhar.

Shankara, o grande sábio-filósofo da Índia do século sétimo, usava o exemplo da corda e da cobra para ilustrar o conceito de maya. Andando por uma rua escura, um homem vê uma cobra; seu coração bate mais forte, sua pulsação acelera. Examinando mais de perto, a “cobra” vem a ser um pedaço de corda enrolada. Uma vez que a ilusão se desfaz, a cobra desaparece para sempre.

Assim, andando pela rua escura da ignorância, vemos a nós mesmos como criaturas mortais, e, à nossa volta, o universo do nome e da forma, o universo condicionado por tempo, espaço e causalidade. Ficamos cientes de nossas limitações, escravidão e sofrimento. “Examinando mais de perto”, tanto a criatura mortal quanto o universo não são outra coisa senão Brahman. Uma vez que a ilusão se desfaz, nossa mortalidade e também o universo desaparecem para sempre. Vemos Brahman existindo em todo lugar e em todas as coisas.

Tudo é Maya

http://quanticaevedas.blogspot.com.br/2012/02/tudo-e-maya.html

A Física Quântica e os Vedas têm a mesma visão quanto à inconsistência do mundo visível - o chamado universo manifestado.

"O cosmos não existe. Ele é uma ilusão: nunca é, foi, ou será. A criação do cosmos, a dissolução do cosmos, estes bilhões de indivíduos emergindo e se fundindo - tudo isto é somente um sonho. Não há espírito individualizado separado; então, como pode haver bilhões de espíritos? Há somente um Indivisível Completo Absoluto. Do mesmo modo que um Sol se reflete como um bilhão de Sóis em um bilhão de lagos e outros corpos d’água, as almas são apenas reflexos do Uno nas mentes que O refletem." (Sri Sathya Sai Baba)

"As escrituras mais antigas que conhecemos, os Vedas, descrevem o mundo físico como ilusão, maya. A física quântica afirma que a realidade não é o que vemos; na melhor das hipóteses, ela é praticamente vazia, ondas de nada insubstancial." (William Arntz, produtor do filme "Quem Somos Nós?").

O vocábulo maya, em sânscrito, tem um significado bem mais amplo do que a simples tradução "ilusão". Maya é o grande poder que materializa o cenário externo e sua multiplicidade de formas. Nossa incapacidade de enxergar a essência através dessas imagens externas é que faz com que Maya nos pareça ser uma grande ilusão.
O estudo da física moderna, ao mergulhar nos mistérios do átomo, descobriu que só aparentemente os objetos parecem sólidos. A matéria é infinitamente mais vazia do que nossos olhos físicos conseguem perceber. Somos todos míopes, enxergando apenas uma fração mínima da realidade. É justamente essa miopia que nos dá a sensação de separatividade, de dualidade. Esta sensação é fruto da nossa ignorância. Se pudéssemos enxergar sem os véus que encobrem a realidade, perceberíamos que tudo é unidade e a separatividade é uma idéia ilusória.

"Não há essencialmente nada na matéria - ela é completamente insubstancial. A coisa mais sólida que se pode dizer a respeito de toda essa matéria insubstancial é que ela é mais como um pensamento; é como um bit concentrado de informações." (Jeffrey Satinover, médico).

Um conglomerado de informações, um sonho, um holograma... o universo manifestado é bem menos sólido do que pode sonhar nossa vã filosofia...

REFLEXÕES SOBRE UNIDADE E DUALIDADE

http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos/reflexoes-sobre-unidade-e-dualidade-31520.html

https://monicavoxblog.wordpress.com/2017/03/06/harmonizacao-e-unificacao-dos-aspectos-da-dualidade/


J.Krishnamurti - El poder de la ilusión - Parte 1


A ilusão de separatividade - (Krishnamurti)

A ilusão de separatividade - (Krishnamurti)

"Vós, homens, como indivíduos, desenvolveis vossos sentidos pela luta social, pela auto-preservação e dais inicio, assim, à consciência de separação. Desde a infância que vos foi incutida a idéia de que sois uma entidade separada; e desta ilusão provem a divisão entre “vosso” e “meu”, no que pensais e no que sentis, no que possuis e em todas as cosias.

Daí surge também a idéia de que vos deveis tornar algo de grande no futuro e a de que fostes já algo no passado. Um contraste contínuo. E desta consciência separada surgem – cobiça, a inveja, o ódio, o sentimento de posse, a preocupação da vaidade, as alegrias passageiras, as tristezas transitórias e os transitórios prazeres. Esta é uma civilização grosseira baseada na competição, na qual cada um trata de si, sem benevolência, sem equanimidade. É um mundo de conflito, de corrupção, de contenda, que a seu tempo conduzirá à guerra.


Em virtude de tal entendimento de separatividade, o “Eu” torna-se todo poderoso; dessa consciência de separação nasce o medo. E onde quer que exista o medo, manifesta-se imediatamente o desejo de buscar o conforto, em lugar do entendimento que dissipa todo o temor. Pois o conforto adormece o vosso temor inato de perder vossa identidade separada.

O conforto produz tão somente um ajuste temporário, mas não uma harmonia e equilíbrio permanentes; produz um alivio imediato em vez de um entendimento compreensivo, contínuo; produz o adiamento do esforço, uma evasão contínua em lugar da luta para compreender no presente. Por causa desse temor, buscais o consolo no culto, na prece, no erguimento de imagens, por intermédio de ritos e cerimônias. Essa ilusão de separação vos leva à preocupação da morte, e do que vai acontecer no futuro, isto é, sobre se tereis de vos reencarnar e sobre o que haveis de ter sido no passado. Por outras palavras, são o passado e o futuro que empolgam o homem que se acha atemorizado; a compreensão do presente, nunca. Enquanto o presente não for compreendido, o futuro jamais vos proporcionará seu verdadeiro significado, pois que o futuro, na realidade, não existe.

Todos esses problemas – o de porque nasci, ou o que acontecerá após a morte, o da sobrevivência da alma, o da reencarnação, o de como posso tornar-me algo mais e de como posso adquirir mais qualidades afim de encontrar a verdade – todas essas coisas nascem da consciência da separação.

Quando é compreendida a idéia de que a verdade, essa realidade viva, existe em todas as coisas e em todos os instantes, em toda a sua integridade, então não mais existirá o pensamento de progresso, ou seja – tornar o que é ilusório, o “Ser”, em algo permanente. Em todas as fases da vida dá-se importância ao individuo – não a individualidade que, tornada plenamente consciente, dissipa sua própria consciência, para o engrandecimento do “Eu”.

Observe a maioria das pessoas, e verificareis que todas pensam que, por tornarem-se maiores, por ampliarem sua consciência, mediante uma série de experiências, pelo fato de retroceder, avançar e reencarnar, se estão aproximando cada vez mais da verdade.

Para mim, essa concepção é inteiramente ilusória, pois a realidade, em sua inteireza, em sua plenitude, em sua riqueza, existe em tudo e, portanto, é eterna. O que é permanente, eterno em tudo, não pode progredir. O que denominamos progresso somente pode ser aplicado a determinado fato, não à realidade.

Nossa principal preocupação deverá ser, então, a de por qual maneira cada um se poderá tornar apercebido desse eterno, dessa viva realidade que sustenta, nutre e eleva todas as coisas e que se acha em nós mesmos. Enquanto criardes um mundo exterior e um mundo interior e vos esforçardes por produzir um ajustamento entre ambos, jamais, encontrareis a realidade.

Quando o homem está consciente de si próprio como entidade separada, continuamente busca o exterior para encontrar auxilio, para sua subsistência, para seu bem-estar; e desse modo cria ele desordem em lugar de ordem, e por causa dessa desordem surgem as superstições, as ilusões, as cerimônias.

Trata-se, portanto, da maneira, do processo mediante o qual cada um pode realizar essa realidade interior que assegura a tranqüilidade da vida, não a estagnação, não a paz que obscurece, que destrói, porém essa tranqüilidade que é a fonte da compreensão viva e eterna.

É somente por meio do esforço individual que a verdade pode ser realizada, não por meio de associações de qualquer espécie que sejam. Não podereis, por via de uma instituição, encontrar a verdade, pois a verdade habita em vós mesmos e as instituições não podem ajudar o indivíduo a encontrar a verdade. Não importam quais sejam elas. Todas tendem a tornarem-se cada vez mais formalistas e a verdade cada vez mais delas se distancia. Precisais buscar a verdade por vós mesmos, como indivíduos; visto que ela mora em vós, não no exterior. Quando o individuo se houver compreendido a si mesmo, viverá num ambiente de perfeita harmonia e não contribuirá para a desordem do mundo.

A partir do momento em que vós, como indivíduos, tende resolvido vosso problema particular, tenhais realizado a verdade por vós mesmos, não mais contribuireis para a crueldade, para as guerras, para a espantosa tirania e desgraça que imperam no mundo.

É importante que cada individuo compreenda, não os adornos superficiais da vida, mas como, pelo continuamente deixar de parte a consciência que cria a separação, se pode ele tornar apercebido dessa realidade interior que reside em todas as coisas.

Se quiserdes verificar isto, vós, como indivíduos, tendes que inteiramente vos desapegar de todos os sistemas tradicionais, convencionados e socializados, de pensamento e de conduta. Verificareis, então, quão necessário é não confiar, quer em autoridades de tradição, quer na conduta sistematizada. Antes que possais compreender a verdade, é preciso que vos torneis plenamente conscientes de vossa própria separatividade e, assim, de todas as qualidades e seus respectivos opostos. Isto é, tendes que vos tornar tão consciente de vós mesmos que todos os vossos desejos, propósitos e conflitos ocultos sejam trazidos à evidência, examinados e compreendidos por vós. Por vos tornardes intensamente conscientes, consumireis toda a subconsciência, pois que, quando estiverdes plenamente cônscios de vossas ações, de vossos pensamentos e emoções, a hipocrisia cessará de existir, cessarão as ilusões, os desejos secretos e as fantasias não mais terão ascendência sobre vós. E então, quando estiverdes assim, limpos e cheios de propósito, podereis chegar à esse estado em que não existem pretensas qualidades e, portanto, não há conflitos.

Quando introduzis o elemento pessoal em vosso julgamento, inevitavelmente perverteis vossa compreensão. Necessitais distinguir entre o que é pessoal e o que é individual. O pessoal é acidental, e por acidental entendo eu, as circunstancias de nascimento, o ambiente em que fostes criados, vossa educação, vossas tradições, vossas superstições, vossas distinções de nacionalidade e classe, e todos os preconceitos que por este processo se desenvolvem. O que é pessoal somente se relaciona com o acidental, com o que é momentâneo, ainda que esse momento possa durar o período inteiro de uma existência. A educação moderna conduz à perversão do pensamento e o espírito de nacionalidade, de classe, de tradição aumentada pelo medo. Quando ajuizardes de um fato não o façais partindo do ponto de vista pessoal: julgai-o sob o ponto de vista do individuo, que é o do eu.

Pois as qualidades – as virtudes e os pecados, o bom e o mau, as alegrias e as tristezas – pertencem a consciência do “Eu”. Quando estou consciente de mim mesmo, invento virtudes e pecados, o bom e o mau, o céu e o inferno, para me proporcionarem equilíbrio em minha luta com os opostos.

Enquanto houver tal consciência da separação, do eu, da personalidade, não pode existir a realização da verdade; antes, porém, que possais transcender essa consciência, tendes que vos tornar plena e vitalmente auto-conscientes. Tal significa que necessitais vos tornar conscientes de vós próprios como indivíduos, não como uma máquina, não como um mero dente da engrenagem desta rude civilização onde impera a competição.

Antes que vos possais tornar plenamente conscientes, e, dessa forma, perder a auto-consciência, há três condições a passar, relativas à consciência. Na primeira delas, o individuo é escravo dos sentidos e de seus anseios. Para satisfazê-los, torna-se ele simplesmente egoísta, dependendo, inteiramente, para a sua felicidade, das coisas exteriores, das sensações e excitações e, desse modo, fica cada vez mais emaranhado na tristeza e na dor. Sua conduta é encaminhada pelo egoísmo. Toma cada vez maiores responsabilidades sobre si e torna-se, por essa forma, um simples escravo da ação. Tal homem não tem tempo nem inclinação para a quietação do pensamento, para a reflexão, para o exame. Pois a verdadeira reflexão cria a dúvida, as investigações que levam ao isolamento, ao afastamento, o que ele cuidadosamente evita.

Depois, vem o segundo estágio em que o homem se apercebe de suas faltas, de seus defeitos, de suas ilusões, de suas crueldades. Tornando-se, assim, consciente de sua própria natureza, tenta desembaraçar-se, livrar-se do domínio dos sentidos e começa a libertar a mente e o coração. Começa por diminuir, gradualmente as próprias responsabilidades, sem abandonar sua vida na torrente do mundo. A ação, nascida da consciência de si mesmo, e na qual existe a separatividade, é embaraçante, limitadora, pesada; porém a ação, que é o resultado da liberdade, da individualidade, é libertação.

O indivíduo que possui, agora, o forte desejo de libertar-se, começa a disciplinar-se. Essa disciplina não lhe é imposta pelo exterior, não é o resultado da repressão; antes, em virtude do seu desejo de ser livre, de realizar a verdade, impõe ele a si próprio uma disciplina oriunda do entendimento – não oriunda do medo, não coagido pelas circunstâncias sociais ou pelo ambiente. Deseja então libertar a mente, o coração e, desse modo, viver em harmonia. Impõe a si mesmo, por isso, uma disciplina maior do que qualquer das disciplinas provindas do exterior.

Em seguida vem o terceiro estágio de consciência, em que o homem está completamente senhor dos sentidos, completamente senhor do seu corpo. Isso não significa ser desenvolvido muscularmente, nem que o corpo não sinta dores, nem tão pouco que ele morra; será senhor do corpo, no sentido de não mais se emaranhar em seus anseios, suas sensações e excitações.

Começa ele, então, a libertar-se do medo e das ilusões que ele próprio cria.

Uma vez que estejais libertos das ilusões, do temor, de todas as outras qualidades, haverá para vós, um como retiro interior nascido da alegria, retiro nascido não do tédio, nem do retraimento, nem do intuito de fugir a este mundo de conflito, porém um retiro interno de alegria em meio da ação.

Quando tal acontecer, a reflexão e a analise virão dar lugar a uma concentração tremenda; não a concentração sobre um objeto, mas a concentração em que não há sujeito nem objeto, o pleno conhecimento em que não há mais contrastes.

Ulteriormente, proveniente deste retiro, manifesta-se uma harmonia interior, a equanimidade entre a razão e o amor – o pensamento liberto das fantasias e teorias pessoais, o amor liberto da especialização, amor que é como o perfume de uma flor.

Quando existe esta harmonia, não mais se inquire a respeito de futuro e de passado.

Não mais terá lugar a pergunta de – se continuarei “Eu” a viver como entidade separada.

O passado com suas faltas e tristezas, desaparece, e o futuro, com suas esperanças, anseios e antecipações, desaparece também: oriunda desses dois termos, nasce a harmonia do presente, a qual é a realização dessa inteireza que existe em todas as coisas.

Quando ela for realizada, haverá tranqüilidade, haverá a realidade viva da felicidade."



Fonte: Krishnamurti – Palestra realizada em Londres – 1931 – Do livro: Coletânea de Palestras