Estudando o Espiritismo

Observe os links ao lado. Eles podem ter artigos com o mesmo tema que você está pesquisando.

sábado, 20 de agosto de 2016

SOBRE A TAL DESOBSESSÃO POR CORRENTE MAGNÉTICA

SOBRE A TAL DESOBSESSÃO POR CORRENTE MAGNÉTICA



Bom dia, Sr. Jorge!
O Centro Espírita que frequento vai colocar em prática o trabalho de Correntes Magnéticas.
Gostaria de saber onde posso encontrar nas Obras Básicas orientação sobre esse trabalho.
Gostaria de saber também a sua opinião.
Muito obrigada.
Já.........

Prezada .....Ja...
            Ao comentar sobre magnetismo Kardec explicita que esse recurso por  si só não é suficiente para resolver nenhum problema de obsessão. Em alguns casos  estudados por ele ficou evidente para que a cura do doente envolvido em fascinação, subjugação,  e até possessão indispensável a participação ostensiva do obsidiado. Abaixo alguns trechos de exemplos analisados pelo Codificador do Espiritismo e um artigo minucioso sobre corrente magnética do confrade Cauci Roriz. Nossas palavras seriam redundantes  diante do exposto. Qualquer busca de tratamento  com desobsessão o Evangelho deve ser a luz permanente para que ambos obsessor e obsidiado possam ser beneficiados renovando  o Tônus mental estabelecendo a libertação definitiva.
abraços
Jorge Hessen


Quem estuda as obras basilares do Espiritismo, algo que segundo Divaldo Franco tem sido grandemente negligenciado em nossos dias, sabe que existem algumas situações em que a eficácia do magnetismo, como terapia psicossomática, pode ficar prejudicada e mesmo tornar-se nula.
Dentre elas, podemos citar como causas limitadoras da ação magnética:

•   A falta de fé ou de receptividade do paciente (Evangelho de Marcos, 6:2 a 6:6; Obras Póstumas, Manifestações dos Espíritos, itens 52 e 53; Nos Domínios da Mediunidade, cap. 17)
•   O comportamento inadequado do enfermo (Revista Espírita de 1865, pp. 205 e 206; Missionários da Luz, pp. 326 e 333)
•   A imposição da lei de causa e efeito (Mateus, 26:52; Revista Espírita de 1867, pp. 190 a 193; Revista Espírita de 1868, p. 85; O Céu e o Inferno, 2a Parte, cap. VIII, Um sábio ambicioso)
•   A natureza do mal ou enfermidade (Entre a Terra e o Céu, cap. 34; O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 28, item 81; Re-vista Espírita de 1864, pp. 11 a 17; Revista Espírita de 1865, pp. 4 a 18 e Revista Espírita de 1866, pp. 348 e 349).
as obras mencionadas. A cura de Valentine Laurent – Fixemo-nos na última causa citada, em que o Codificador do Espiritismo inclui os casos de obses-são, o que pode ser facilmente aferido consultando-se

Na Revista Espírita de 1865, pp. 4 a 18, o sr. Dombre, de Marmande, relata as crises convulsivas experimentadas por Valentine Lau-rent, uma jovem que contava então apenas 13 anos. Essas crises, além de se repetirem várias vezes por dia, eram de tal violência que cinco homens tinham dificuldade de mantê-la na cama. Tratava-se de um caso obsessivo dos mais graves, produzido pelo Espírito de Germaine, como depois acabou revelado.
Valentine era sensível ao tratamento recebido do sr. Dombre por meio da imposição de mãos, mas, tão logo ele se afastava, voltavam as crises. O grupo dirigido pelo sr. Dombre evocou então a entidade perturbadora e iniciou uma série de sessões de doutrinação, com o que, depois de várias reuniões e de hábeis instruções transmitidas a Germaine, o processo obsessivo chegou ao fim e tudo se explicou.
Germaine, arrependida, pediu perdão à menina e disse que agora se sentia outra pessoa, porquanto a prece que derramaram sobre seu Espírito tornara sua alma mais limpa e extinguira sua sede de vingança. No dia seguinte, a conselho dos guias espirituais, o sr. Dombre fez com que Valentine adormecesse todos os dias pelo sono magnético, de modo a livrar-se completamente da ação dos maus fluidos que a tinham envolvido e, ao mesmo tempo, fortificar o seu organismo. É que, desde a libertação, a jovem experimentava mal-estar, incômodos do estômago, pequenos abalos nervosos, conseqüências do processo obsessivo.
Relatado o caso, Kardec indagou: “Para que teria servido o magnetismo se a causa tivesse subsistido?”
Era preciso primeiro – observou o Codificador - destruir a causa, antes de atacar os efeitos, ou, pelo menos, agir sobre ambos simul-taneamente, sinalizando que o magnetismo, por si só, é incapaz de curar as obsessões graves.

O caso de possessão da srta. Júlia – Na Revista Espírita de 1864, pp. 11 a 17, após examinar o caso de possessão da srta. Júlia, Kardec reiterou o entendimento, hoje consagrado na Doutrina Espírita, de que naquele episódio e em todos os casos análogos o magnetis-mo simples, por mais enérgico que fosse, seria insuficiente. Segundo Erasto, em tais circunstâncias, é necessária uma ação material e moral e, ainda, uma ação puramente espiritual. Asseverou Erasto: “Isto vos demonstra o que deveis fazer d’agora em diante, nos casos de posses-são manifesta. É indispensável chamar em vossa ajuda o concurso de um Espírito elevado, gozando ao mesmo tempo de força moral e fluídica, como o excelente cura d’Ars”.
O ponto essencial no tratamento da obsessão, observou Kardec, é levar o Espírito obsessor a emendar-se, o que necessariamente faci-lita a cura. E foi o que se fez, tanto no caso de Valentine como no caso de Júlia, com a indispensável doutrinação das entidades perturbado-ras.
A participação do obsidiado,  fundamental para o êxito do tratamento, é também destacada por Kardec no cap. 28, item 81, de “O E-vangelho segundo o Espiritismo” e por vários estudiosos do assunto, como podemos ver nas obras de Yvonne A. Pereira e Manoel Philo-meno de Miranda.

À vista do exposto, preocupa-nos a introdução na prática espírita de mais um modismo – a chamada desobsessão por corrente magné-tica -, assunto que o confrade Cauci de Sá Roriz examina no artigo abaixo.




Desobsessão por corrente magnética. É possível


Lemos atentamente o livro “Desobsessão por Corrente Magnética”, volume 1, de autoria do Maurício Neiva Crispim, Editora Auta de Souza, sobre o qual tecemos alguns comentários.
Preliminarmente, para se restabelecer a verdade, torna-se imperiosa uma retificação. Ao contrário do que o livro afirma, Eurípedes Barsanulfo jamais realizou reuniões de corrente magnética. O saudoso Gilson de Mendonça Henriques, implantador do método em Brasília, quando esteve em Sacramento, na década de 80, foi informado disso pelos parentes diretos de Eurípedes Barsanulfo, dentre eles o sobrinho, Saulo Wilson, ativo trabalhador da Doutrina. Eurípedes, quando muito, ao orar, permitia que os presentes dessem-se as mãos e nessas ocasiões não havia comunicação de Espíritos nem superiores, nem inferiores, nem tratamento, nem nada que sequer lembre a corrente magnética. Apenas uma doce e singela prece ao Senhor!

1) A proposta da corrente magnética parte de uma base falsa, qual seja, a de que o Espiritismo exista para “atender, na prática desob-sessiva, a um grande número de pessoas” (pág. 19), sendo necessário “desenvolver e aplicar métodos voltados para as multidões” (pág. 88).
Ora, o trabalho mediúnico, conquanto a sua importância, é apenas uma atividade-meio da Doutrina. Privilegiá-lo dessa forma seria desatender a atividade-fim, a essência da Doutrina, que é conscientizar o homem da necessidade de promover a sua renovação íntima, incentivando-o a tomar a condução de seu destino, sabendo-se responsável por seus atos e pensamentos, como espírito imortal. Daí o imen-so esforço empreendido pela Federação Espírita Brasileira no sentido de dotar as Casas Espíritas de bons grupos de evangelização da crian-ça e do jovem e de cursos direcionados aos adultos. O estudo que leva ao progresso intelectual, aliado à prática da caridade ou evangelhote-rapia, que conduz à evolução moral, é o ponto central da Doutrina. A reunião mediúnica é um mero adjutório desse objetivo maior e não a peça principal.

2) Na página 53 consta a informação que “corrente magnética desobsessiva nada mais é que a corrente magnética dos magnetizado-res”. Não é! A corrente magnética dos magnetizadores visava exclusivamente a cura de males físicos. Não havia manifestação mediúnica. A corrente magnética apregoada no livro pretende a desobsessão, com a recepção, ainda que rapidamente, da entidade obsessora. A dife-rença de métodos e objetivos é absoluta.

3) O livro informa que Allan Kardec abordou a questão da corrente magnética, mas deixa de esclarecer que o significado do termo dado pelo codificador é completamente diverso do sentido dado pelo livro. Kardec, ao falar de corrente magnética, alude tão-somente à ligação fluídica existente entre os componentes, encarnados e desencarnados, de um grupo mediúnico e não a um método para desobsediar multidões.

4) Afinal de contas, o que é a corrente magnética versada no livro sob análise?
Sinteticamente, é um método de trabalho no qual um grupo de 2 a 50 médiuns (pág. 146), às vezes de mãos dadas, às vezes não (pág. 148), colocados próximos uns dos outros 30 a45 cm (pág 154), atraem mentalmente os Espíritos imperfeitos que passam pelos médiuns em comunicações rápidas ao tempo em que o coordenador dos trabalhos, pausadamente, diz: “passe, passe, passe...” (pág. 169), determinando, depois, a retirada das entidades com as expressões “siga, siga, siga...” (pág. 170). Consta ainda a informação que “as expressões Passe e Siga, ditas pelo dirigente, funcionam como verdadeiros interruptores do circuito mediúnico” (pág. 175).

5) O autor informa: “Não queremos tirar a respeitabilidade dos métodos conhecidos. Queremos é avançar” (pág. 67) e que no decurso de mais de 20 anos já foram beneficiadas 500 mil pessoas (pág. 19). 500 O número é espantoso, mas não o colocaremos em dúvida. Uma coisa, porém, é certa, até mesmo para os idealizadores desse método, a sua eficácia consistiria apenas no afastamento temporário do obsessor. Idêntica eficácia têm os métodos geralmente utilizados pela umbanda e Na?pela ultrapassada técnica médica do eletrochoque. Vamos adotá-los página 201 do livro está transcrita a recomendação de Manoel P. de Miranda: “somente a radical mudança de comportamen-to do obsidiado resolve, em definitivo, o problema da obsessão”.
Pergunta-se: Vale a pena envolver tanta gente, tanto esforço e tanto tempo na esperança de se obter apenas um afastamento temporá-rio do Não existiria algo mais efetivo e duradouro??? Isso é avançar?obsessor ?que possamos fazer em prol dos irmãos necessitados

6) Na página 105 informa-se que o método é o único auxiliar na terapia dos ovóides, porque eles não conseguem escutar a doutrina-ção verbal. Se é assim, então, não é método para desobsediar as multidões, mas apenas para atender especificamente aos ovóides. Ora, se os ovóides não ouvem a doutrinação verbal, para que as misteriosas palavras passe, Ou será que a ordem do coordenador encarnado é para?passe e siga, siga ?os dirigentes espirituais

7) A partir da página 136 e repetidamente em outras páginas são relacionados os passos a serem seguidos pelos adeptos dessa corrente magnética, quais sejam:
1o passo: Expulsão de remanescentes diários; 2o passo: absorção de energias do plano superior; 3o passo: a união dos pensa-mentos dos médiuns e dos espíritos coordenadores e, 4o passo: os médiuns, em transes rápidos e seqüencialmente, recepcionam os espíritos e os bombardeiam com forças fluídicas e idéias renovadoras (pág. 437), podendo ocorrer vertigens, tremores, resmungos, gemidos etc. (pág. 455).
Para apresentar exemplos e informações quanto aos três primeiros passos não houve qualquer dificuldade. Transcreveram os precio-sos esclarecimentos contidos nos livros da Codificação e das obras auxiliares referentes às respeitáveis e conhecidíssimas reuniões mediú-nicas de doutrinação, nas quais, ressalte-se, um Espírito se comunica por intermédio de apenas um médium, sob intensa vibração de amor de todos os participantes. Não são novidade para ninguém.
Na página 450 o autor afirma ser o quarto passo “o que predomina nas ações da corrente magnética”. Então, para bem divulgar essa corrente, obrigatoriamente o livro deveria apresentar dados e explicações convincentes e conclusivas sobre essa fase. Nada disso é feito! As quase 600 páginas do livro limitam-se a repetir exaustivamente os três primeiros passos, já sobejamente conhecidos por todos, deixando de detalhar quanto ao quarto passo, que é, afinal, conforme diz o autor, a essência dessa corrente magnética. Não se penetra o âmago da ques-tão.

8) Todos sabemos que a ligação do Espírito ao médium freqüentemente é realizada com dias de antecedência da reunião, objetivando vencer algumas dificuldades fluídicas entre os dois.
Seria possível a ocorrência de transes mediúnicos rápidos e seqüenciais em intervalo de A? Como fica a lei da Afinidade e da Sintonia?10 segundos, ou menos obrigatoriedade de receber o Espírito não forçaria o médium a simular o A Doutrina Espírita se baseia?transe, passando a gemer como os outros no ensino universal dos Espíritos. Não há dúvida quanto a isso. Por que o livro não menciona quais obras e quais Espíritos se pronunciaram de maneira clara e inequívoca sobre o quarto passo, ensinando-nos como ele ?se processa

Concluindo: Em respeito ao trabalho de Kardec e dos Espíritos da Codificação, seria bom que evitássemos trazer para as nossas Ca-sas Espíritas toda e qualquer novidade que surja. É evidente que ninguém nos tira o direito, e talvez até o dever, de estudá-las em grupos fechados, reduzidos e específicos para esse fim, pesquisando-as em todas as nuances, ainda que leve mais de 20 anos, a fim de bem assen-tar as bases do trabalho. “Melhor é rejeitar dez verdades do que admitir uma única falsidade” (Erasto, em O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 230, 6o parágrafo). Há uma montanha de questionamentos não esclarecidos sobre essa corrente. Os Espíritos ainda não enviaram orientação a respeito. Sejamos prudentes! Antes de implantarmos as novidades em nossa Casa, primeiro estudemo-las incansavelmente. Restando uma única dúvida é preferível aguardar o tempo. Melhor assim, do que comprometermos a Doutrina e a nós próprios.

Nota da Redação – O artigo ora transcrito foi publicado inicialmente na revista O ESPÍRITA, de Brasília-DF, e é aqui reproduzido com expressa autorização do seu Editor.


Participação do obsidiado na reunião de desobsessão

No artigo publicado neste mesmo espaço em outubro último, intitulado “O magnetismo como recurso terapêutico nos processos ob-sessivos”, escrevemos que a participação do obsidiado, fundamental para o êxito do tratamento, é também destacada por Kardec no cap. 28, item 81, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e por vários estudiosos do assunto.
Alguns leitores entenderam que no trecho mencionado estaríamos abonando a presença do obsidiado nas sessões de desobsessão, o que constitui grave equívoco. Não foi isso o que escrevemos. O vocábulo participação, ali colocado, não quer dizer presença do obsidiado nas reuniões mediúnicas, mas, sim, os seus esforços, a sua vontade, a sua luta em prol do êxito do tratamento, como Kardec observa no item 81 do cap. 28 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, por nós citado.
Como explica Divaldo P. Franco na questão no 97 do livro “Diretrizes de Segurança”, o ideal será que o obsidiado não participe dos trabalhos mediúnicos, porque em certas situações o trabalho mediúnico pode mesmo ser-lhe seriamente pernicioso.
CAUCI DE SÁ RORIZ


Leia mais: http://leitoresdojorgehessen.blogspot.com/2010/06/sobre-tal-desobsessao-por-corrente.html#ixzz4HveLXkgd

Quais são os benefícios da Corrente Magnética para a Casa Espírita e para os pacientes?

Quais são os benefícios da Corrente Magnética para a Casa Espírita e para os pacientes?
Disponível em: Português


Entrevista realizada na 56ª CONCAFRAS-PSE com o Instituto de Mediunidade

1- RAS: Onde e como surgiu a Corrente Magnética?

IM: A Corrente magnética é uma ação magnética multissecular.

Encontramos registros sobre a Corrente magnética, estudada e utilizada de forma terapêutica, com Mesmer (1734-1815), Deleuze (1753-1835), Du Potet (1796-1881), citando aqui alguns dos mais respeitados magnetizadores, dos séculos 18 e 19.

A Corrente magnética surge como um método de atendimento às multidões. A multidão sofredora impulsionou Mesmer a criar a “tina das convulsões, em redor da qual podiam se atender simultaneamente até 130 pessoas”, como nos afirma Manoel P. de Miranda, no livro Nos Bastidores da Obsessão. Esta também foi a motivação de Puysegur ao magnetizar uma árvore em Busancy “a fim de atender à grande massa de doentes” (Michaelus, Magnetismo espiritual).

Da necessidade de se atender ao maior número de sofredores com bons resultados surge a corrente magnética, método que, na experiência de Deleuze, “é o mais potente de todos para aumentar a força do magnetismo e para colocá-lo em circulação” (1825). Este também era um método empregado por Mesmer “para operar com muito sucesso” como comenta Cahagnet: “ao assim fazerem, dá-se o nome de corrente, de modo que vossa ação será extremamente potente.” (Cahagnet, Guide du magnétiseur ou procédés magnétiques d’après Mesmer, Puységur et Deleuze, mis à la portée de tout le monde..., 3.éd., p.11-12).

Notemos que Mesmer, espírito, teve 4 mensagens inseridas na Revista Espírita, editada por Allan Kardec, edições de Janeiro e outubro de 1864, maio de 1865 e março de 1867. Deleuze foi intitulado por Kardec como “sábio”, Revista Espírita, março 1858 e Du Potet “amigo dos espíritas”, Revista Espírita 1871. Todos eles utilizavam a corrente magnética e reconheciam-na como um método eficaz de tratamento.

“O magnetismo preparou o caminho do Espiritismo...” (Allan Kardec, Revista espírita, março 1858).

“O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidão de fenômenos”

... “As duas ciências que, a bem dizer, formam uma única” (Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, perg. 555).

Com estas afirmações Kardec reconhece, de forma categórica, a união dessas duas ciências.

Enorme foi a contribuição dos magnetizadores para o Espiritismo.

Homens ilustres estudavam o magnetismo e as técnicas de utilização terapêuticas. O codificador chega a afirmar que não trataria com detalhes destas ações magnéticas pois já eram tratados com superioridade de talento:

“... entre nós o magnetismo já possui órgãos especiais justamente acreditados, seria supérfluo insistirmos sobre um assunto que é tratado com tanta superioridade de talento e de experiência; a ele, pois, não nos referiremos senão acessoriamente, mas de maneira suficiente para mostrar as relações íntimas entre essas duas ciências que, a bem da verdade, não passam de uma." (Allan Kardec, Revista espírita, março 1858).

Estes homens de “superioridade de talento e de experiência” utilizavam o passe, a água fluidificada, o sopro, a imposição de mãos e a Corrente magnética.



2- RAS: Allan Kardec conhecia a Corrente Magnética? O que ele pensava sobre a Corrente Magnética?

IM: Instituições Espíritas, ao tempo de Kardec, realizavam a Corrente Magnética.

Kardec noticia na Revista Espírita, setembro 1865 um caso de cura ocorrido em Montauban, em que a corrente magnética foi utilizada “a pedido dos bons espíritos”.



“Montauban, em 14 de julho de 1865.

“Caso de cura quase instantânea de uma entorse operada pelo Espírito Dr. Demeure [...].

Assim, reuniram-se novamente no dia 28 e, uma vez declarado o sonambulismo, foi formada a cadeia magnética, a pedido dos bons Espíritos [...].

No fim da sessão houve uma cena tocante, que merece ser relatada. Os bons Espíritos, em número de trinta, no começo formavam uma cadeia magnética paralela à que nós próprios formávamos. [...].

Quando se foi testemunha de tais fatos não se pode deixar de os proclamar em voz alta, pois merecem chamar a atenção das pessoas sérias.” (Allan Kardec, Revista espírita, setembro 1865, 2.ed., p.352-355).

Na Revista Espírita em junho de 1867, Allan Kardec divulga o relatório anual publicado pela Sociedade Espírita de Bordeaux. Nele o Sr. Peyranne relata a utilização da Corrente magnética com sucesso na cura de um processo obsessivo de uma jovem de 12 anos. Vejamos:

“Órfã, cuidada por parentes muito pobres, esta menina nos foi apresentada em estado lastimável. (...) A primeira vista compreendemos que aí também havia uma obsessão. Não detalharei aqui os inúmeros incidentes a que deu lugar esta cura (...). Direi apenas que, dois meses após nossa entrevista com o médico, (...) a menina (...) estava perfeitamente curada.”

Método de Tratamento - “Sabemos, ainda, que uma descarga fluídica feita sobre um obsedado por vários espíritas, por meio da corrente magnética, pode romper o laço fluídico que o liga ao obsessor e tornar-se para este último um remédio moral muito eficaz, provando-lhe sua impotência.”

Vejamos a opinião de Allan Kardec sobre o método de adotado pela Sociedade Espírita de Bordeaux.

“Não podemos senão aplaudir o programa da Sociedade Espírita de Bordeaux e cumprimentá-la por seu devotamento e pela inteligente direção dos seus trabalhos.”

“A maneira por que procede para o tratamento das obsessões é, ao mesmo tempo, notável e instrutiva, e a melhor prova de que esta maneira é boa, é que dá resultado.” (Revista Espírita, junho de 1867).

Allan Kardec era estudioso do magnetismo como ele mesmo afirma: “ciência magnética, que professamos há 35 anos” (Revista Espírita junho de 1858), vindo a ser “experimentado magnetizador” segundo escreveu Pierre-Gaetan Leymarie (Revista Espírita 1871).

Portanto, o codificador quando escreve aplaudindo e cumprimentando a direção da Sociedade Espírita de Bordeaux, quanto ao método utilizado, fazia-o com consciência, coerência e bom senso, características comprovadas do insigne Mestre Lionês.

Não resta dúvida que Kardec conhecia a Corrente Magnética.

Qual a sua opinião?

Observemos a lógica contundente de Kardec: “melhor prova de que esta maneira é boa, é que dá resultado.”



3- RAS: Podemos utilizar a Corrente Magnética na Casa espírita?

IM: As Sociedades Espíritas de Bordeaux e de Montauban citadas por Allan Kardec realizavam a Corrente Magnética conforme Revista Espírita de 1865 e 1867. Além desses grupos espíritas podemos citar outros exemplos da Corrente Magnética sendo utilizada com proveito por grupos espíritas:

Léon Denis no Grupo Espírita de Mans participa da Corrente Magnética.

No Grupo Espírita de Mans, Leon Denis participa de uma Corrente Magnética realizada por orientação de Volliat, guia espiritual do grupo.

“Folheando, um ano após a morte do Mestre, um livro de comunicações manuscritas que lhe pertencera, caiu entre nossas mãos, de maneira inesperada, o processo verbal de uma sessão. Ei-lo:

‘Tours, 1º de novembro de 1879.

Um espírito sofredor se manifesta, antes pela mesa, sob o nome de Louis Victor Savary. Após algumas frases incoerentes, ele se retira, cedendo lugar ao Espírito de Volliat, guia espiritual do grupo de Mans, que nos recomenda orar por aquele que acaba de nos deixar. Sob a ordem de Volliat nós apagamos todas as luzes e adotamos as disposições seguintes em torno da mesa: em frente do Sr. Lebreton se coloca Aguzolli tendo Pierre Hodèe à sua direita e Armand à sua esquerda, o Sr. Cornilleau à direita e Denis à esquerda do Sr. Lebreton. Assim está constituída a primeira corrente; a segunda se estabeleceu atrás, na ordem seguinte: Gratel tendo a mão direita na de Cornilleau, depois Brard, a Sra. Denis, a Sra. Gratel, o Sr. Théodet Fergsson em contato com Denis. [...] Após sinceros agradecimentos, aos bondosos guias, a assistência se dissolve à meia noite e meia, levando dessa sessão uma viva impressão, um sentimento de fé ardente de fraternidade.” (Claire Baumard, Léon Denis na intimidade, p.243-245).

Eurípedes Barsanulfo participa da Corrente Magnética no Centro Espírita Esperança e Caridade.

Outro exemplo histórico importante da Corrente magnética sendo utilizada em uma instituição Espírita é o de Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) no Centro Espírita Esperança e Caridade em Sacramento, Minas Gerais.

“Após a leitura de trecho de uma obra da Doutrina, Eurípedes saía de sua mesinha e vinha ocupar o seu lugar na corrente de concentração e dos médiuns, que formavam círculo, no centro do salão. De pé, o mestre dirigia profunda e sentida prece, iniciada sempre pelo Pai-Nosso e rematada por oração improvisada de adoração e evocação. Terminada a oração, sentava-se de mãos dadas, formando a corrente. Do lado esquerdo, repousando sobre uma mesa muitas garrafas de água a serem fluidificadas.” (Corina Novelino. Eurípedes, o Homem e a Missão, 5. ed., p. 98).



Jeronymo Candinho e a Corrente Magnética no Centro Espírita Luz da Verdade.

Jeronymo Candinho (1889-1981), aluno e discípulo fiel de Eurípedes Barsanulfo também realizou a Corrente Magnética no Centro Espírita Luz da Verdade, Palmelo-Goiás.

“Através da Corrente Magnética que aprendi a fazer com Seu Eurípedes libertei muitos obsediados e amparei tantos outros.” (Acervo Historiográfico do Centro Espírita Luz da Verdade, Palmelo-GO).

“A um sinal feito por Candinho iniciou-se a entrada, no salão, dos pacientes que receberiam o tratamento. Podíamos observar que ali estavam reunidos obsediados dos tipos mais diversos: eram homens e mulheres desfigurados exteriorizando na face a angústia e o desespero que os dominavam. Alguns deles se encontravam sob o controle de auxiliares fortes e preparados, o que não impedia, entretanto, que algumas mulheres rasgassem suas vestes. Por todo o ambiente o vozerio das lamentações e a inquietação desconcertante dos doentes. [...].

Com o início da leitura o ambiente turbilhonado modificou-se surpreendentemente. Fez-se silêncio. [...].

Pudemos observar que os médiuns, então, deram-se as mãos formando, o que mais tarde viria compreender, a corrente mento-eletromagnética [...].

Jeronymo, após atender ao cumprimento desses detalhes preparatórios, passou a comandar a passagem dos espíritos sofredores pela corrente mediúnica...(Gilson de Mendonça Henriques, As correntes mento-eletromagnéticas na desobsessão coletiva, p.37-38).

“Sr. Jeronymo, onde o Senhor viu ou aprendeu o método da Corrente Magnética?

- Ah, meu filho, eu vi a corrente lá em Sacramento, no Colégio Allan Kardec, e aprendi com o professor Eurípedes Barsanulfo.” (Gilson de Medonça Henriques, As correntes mento-eletromagnéticas na desobsessão coletiva, p.36-38, 40)

Outros exemplos importantes de utilização da Corrente Magnética em instituições espíritas vieram pela psicografia de Chico Xavier e de Ivone A. Pereira, e constam no Cap. 3 do livro Corrente Magnética- O magnetismo aplicado à Desobsessão, Editora Auta deSouza.



4- RAS: Quais são os benefícios da Corrente Magnética para a Casa Espírita e para os pacientes?

IM: Conforme nos orienta Emmanuel “dispomos ...na Doutrina Espírita, ...de verdadeira ciência curativa da alma, com recursos próprios à solução de cada processo morboso da mente, removendo o obsessor do obsidiado...” (Livro, p.318).

“A ação magnética... tem por efeito introduzir no fluido do obsidiado um fluido melhor e eliminar o do mau Espírito” segundo Allan Kardec, em Obras Póstumas.(Livro, p.330).

Os benefícios da Corrente Magnética são inúmeros como:

- Atende Espíritos sofredores, atende Espíritos obsessores, desagrega clichês mentais, desagrega bacilos psíquicos, promove limpeza do ambiente, retira energias perturbadoras, retira e atende espíritos ovoides, rompe circuito de forças (obsessor X obsidiado), desagrega formas pensamentos, trata infecções fluídicas, retira fluidos tóxicos, desagrega sugestões pós-hipnóticas, desagrega matéria mental fulminatória, entre outros. (Livro, p.251).



5- RAS: Porque o tema especial da 56ª CONCAFRAS é Corrente Magnética?

IM: A CONCAFRAS- PSE é um encontro de trocas de experiências entre trabalhadores espíritas. É um programa que há 56 anos ininterruptos divulga o bem.

Anualmente, a cada CONCAFRAS, é escolhido um tema especial. O tema especial a ser estudado é selecionado por sua relevância no contexto dos trabalhos espíritas. Tem a finalidade de ampliar a divulgação sobre o assunto junto ao público espírita.

A Corrente Magnética como prática espírita eficiente é, há muitos anos, um dos temas específicos da CONCAFRAS-PSE. Este ano é o tema especial da 56ª CONCAFRAS – PSE.

A obsessão é lamentável processo epidêmico que se alastra sobre a Terra. Tem hoje, como ao tempo de Jesus, caráter epidêmico. Precisamos atender esta multidão de sofredores que vem buscando as Casas Espíritas.

Emmanuel no livro Vinha de Luz nos diz – “Os Espíritos verdadeiramente educados representam, em todos os tempos, grandes devedores à multidão”. Na CONCAFRAS temos a oportunidade de divulgar o método de desobsessão coletiva que pode ser implantado nas Casas Espíritas de todo o Brasil e do mundo, propiciando o atendimento de uma multidão de necessitados e sofredores.



6- RAS: Qual é o resultado esperado após o estudo do tema?

IM: Que as Casas Espíritas organizem os cursos para a preparação de médiuns e que aquelas que já têm os cursos funcionando possam implantar a Corrente Magnética e também onde já está funcionando, terão oportunidade de aprimorar a organização desta atividade mediúnica.

Este é o objetivo que nos move ao lançar este livro.

Com Kardec podemos afirmar “trazendo nossa pedra ao edifício, colocamo-nos nas fileiras”. (O Livro dos Médiuns, cap. 3).

O magnetismo como recurso terapêutico nos processos obsessivos


O magnetismo como recurso terapêutico nos
processos obsessivos

MARCELO BORELA DE OLIVEIRA
De Londrina

Quem estuda as obras basilares do Espiritismo, algo que segundo Divaldo Franco tem sido grandemente negligenciado em nossos dias, sabe que existem algumas situações em que a eficácia do magnetismo, como terapia psicossomática, pode ficar prejudicada e mesmo tornar-se nula.
Dentre elas, podemos citar como causas limitadoras da ação magnética:

A falta de fé ou de receptividade do paciente (Evangelho de Marcos, 6:2 a 6:6; Obras Póstumas, Manifestações dos Espíritos, itens 52 e 53; Nos Domínios da Mediunidade, cap. 17)
O comportamento inadequado do enfermo (Revista Espírita de 1865, pp. 205 e 206; Missionários da Luz, pp. 326 e 333)
A imposição da lei de causa e efeito (Mateus, 26:52; Revista Espírita de 1867, pp. 190 a 193; Revista Espírita de 1868, p. 85; O Céu e o Inferno, 2a Parte, cap. VIII, Um sábio ambicioso)
A natureza do mal ou enfermidade (Entre a Terra e o Céu, cap. 34; O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 28, item 81; Revista Espírita de 1864, pp. 11 a 17; Revista Espírita de 1865, pp. 4 a 18 e Revista Espírita de 1866, pp. 348 e 349).

A cura de Valentine Laurent – Fixemo-nos na última causa citada, em que o Codificador do Espiritismo inclui os casos de obsessão, o que pode ser facilmente aferido consultando-se as obras mencionadas.
Na Revista Espírita de 1865, pp. 4 a 18, o sr. Dombre, de Marmande, relata as crises convulsivas experimentadas por Valentine Laurent, uma jovem que contava então apenas 13 anos. Essas crises, além de se repetirem várias vezes por dia, eram de tal violência que cinco homens tinham dificuldade de mantê-la na cama. Tratava-se de um caso obsessivo dos mais graves, produzido pelo Espírito de Germaine, como depois acabou revelado.
Valentine era sensível ao tratamento recebido do sr. Dombre por meio da imposição de mãos, mas, tão logo ele se afastava, voltavam as crises. O grupo dirigido pelo sr. Dombre evocou então a entidade perturbadora e iniciou uma série de sessões de doutrinação, com o que, depois de várias reuniões e de hábeis instruções transmitidas a Germaine, o processo obsessivo chegou ao fim e tudo se explicou.
Germaine, arrependida, pediu perdão à menina e disse que agora se sentia outra pessoa, porquanto a prece que derramaram sobre seu Espírito tornara sua alma mais limpa e extinguira sua sede de vingança. No dia seguinte, a conselho dos guias espirituais, o sr. Dombre fez com que Valentine adormecesse todos os dias pelo sono magnético, de modo a livrar-se completamente da ação dos maus fluidos que a tinham envolvido e, ao mesmo tempo, fortificar o seu organismo. É que, desde a libertação, a jovem experimentava mal-estar, incômodos do estômago, pequenos abalos nervosos, conseqüências do processo obsessivo.
Relatado o caso, Kardec indagou: “Para que teria servido o magnetismo se a causa tivesse subsistido?”
Era preciso primeiro – observou o Codificador - destruir a causa, antes de atacar os efeitos, ou, pelo menos, agir sobre ambos simultaneamente, sinalizando que o magnetismo, por si só, é incapaz de curar as obsessões graves.

O caso de possessão da srta. Júlia – Na Revista Espírita de 1864, pp. 11 a 17, após examinar o caso de possessão da srta. Júlia, Kardec reiterou o entendimento, hoje consagrado na Doutrina Espírita, de que naquele episódio e em todos os casos análogos o magnetismo simples, por mais enérgico que fosse, seria insuficiente. Segundo Erasto, em tais circunstâncias, é necessária uma ação material e moral e, ainda, uma ação puramente espiritual. Asseverou Erasto: “Isto vos demonstra o que deveis fazer d’agora em diante, nos casos de possessão manifesta. É indispensável chamar em vossa ajuda o concurso de um Espírito elevado, gozando ao mesmo tempo de força moral e fluídica, como o excelente cura d’Ars”.
O ponto essencial no tratamento da obsessão, observou Kardec, é levar o Espírito obsessor a emendar-se, o que necessariamente facilita a cura. E foi o que se fez, tanto no caso de Valentine como no caso de Júlia, com a indispensável doutrinação das entidades perturbadoras.
A participação do obsidiado,  fundamental para o êxito do tratamento, é também destacada por Kardec no cap. 28, item 81, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e por vários estudiosos do assunto, como podemos ver nas obras de Yvonne A. Pereira e Manoel Philomeno de Miranda.

*

À vista do exposto, preocupa-nos a introdução na prática espírita de mais um modismo – a chamada desobsessão por corrente magnética -, assunto que o confrade Cauci de Sá Roriz examina no artigo ao lado.


Desobsessão por corrente magnética. É possível

CAUCI DE SÁ RORIZ
De Goiás

Lemos atentamente o livro “Desobsessão por Corrente Magnética”, volume 1, de autoria do Maurício Neiva Crispim, Editora Auta de Souza, sobre o qual tecemos alguns comentários.
Preliminarmente, para se restabelecer a verdade, torna-se imperiosa uma retificação. Ao contrário do que o livro afirma, Eurípedes Barsanulfo jamais realizou reuniões de corrente magnética. O saudoso Gilson de Mendonça Henriques, implantador do método em Brasília, quando esteve em Sacramento, na década de 80, foi informado disso pelos parentes diretos de Eurípedes Barsanulfo, dentre eles o sobrinho, Saulo Wilson, ativo trabalhador da Doutrina. Eurípedes, quando muito, ao orar, permitia que os presentes dessem-se as mãos e nessas ocasiões não havia comunicação de Espíritos nem superiores, nem inferiores, nem tratamento, nem nada que sequer lembre a corrente magnética. Apenas uma doce e singela prece ao Senhor!

1) A proposta da corrente magnética parte de uma base falsa, qual seja, a de que o Espiritismo exista para “atender, na prática desobsessiva, a um grande número de pessoas” (pág. 19), sendo necessário “desenvolver e aplicar métodos voltados para as multidões” (pág. 88).
Ora, o trabalho mediúnico, conquanto a sua importância, é apenas uma atividade-meio da Doutrina. Privilegiá-lo dessa forma seria desatender a atividade-fim, a essência da Doutrina, que é conscientizar o homem da necessidade de promover a sua renovação íntima, incentivando-o a tomar a condução de seu destino, sabendo-se responsável por seus atos e pensamentos, como espírito imortal. Daí o imenso esforço empreendido pela Federação Espírita Brasileira no sentido de dotar as Casas Espíritas de bons grupos de evangelização da criança e do jovem e de cursos direcionados aos adultos. O estudo que leva ao progresso intelectual, aliado à prática da caridade ou evangelhoterapia, que conduz à evolução moral, é o ponto central da Doutrina. A reunião mediúnica é um mero adjutório desse objetivo maior e não a peça principal.

2) Na página 53 consta a informação que “corrente magnética desobsessiva nada mais é que a corrente magnética dos magnetizadores”. Não é! A corrente magnética dos magnetizadores visava exclusivamente a cura de males físicos. Não havia manifestação mediúnica. A corrente magnética apregoada no livro pretende a desobsessão, com a recepção, ainda que rapidamente, da entidade obsessora. A diferença de métodos e objetivos é absoluta.

3) O livro informa que Allan Kardec abordou a questão da corrente magnética, mas deixa de esclarecer que o significado do termo dado pelo codificador é completamente diverso do sentido dado pelo livro. Kardec, ao falar de corrente magnética, alude tão-somente à ligação fluídica existente entre os componentes, encarnados e desencarnados, de um grupo mediúnico e não a um método para desobsediar multidões.

4) Afinal de contas, o que é a corrente magnética versada no livro sob análise?
Sinteticamente, é um método de trabalho no qual um grupo de 2 a 50 médiuns (pág. 146), às vezes de mãos dadas, às vezes não (pág. 148), colocados próximos uns dos outros 30 a 45 cm (pág 154), atraem mentalmente os Espíritos imperfeitos que passam pelos médiuns em comunicações rápidas ao tempo em que o coordenador dos trabalhos, pausadamente, diz: “passe, passe, passe...” (pág. 169), determinando, depois, a retirada das entidades com as expressões “siga, siga, siga...” (pág. 170). Consta ainda a informação que “as expressões Passe e Siga, ditas pelo dirigente, funcionam como verdadeiros interruptores do circuito mediúnico” (pág. 175).

5) O autor informa: “Não queremos tirar a respeitabilidade dos métodos conhecidos. Queremos é avançar” (pág. 67) e que no decurso de mais de 20 anos já foram beneficiadas 500 mil pessoas (pág. 19). 500 mil O número é espantoso, mas não o colocaremos em dúvida. Uma coisa, porém, é certa, até mesmo para os idealizadores desse método, a sua eficácia consistiria apenas no afastamento temporário do obsessor. Idêntica eficácia têm os métodos geralmente utilizados pela umbanda e pela ultrapassada técnica médica do eletrochoque. Vamos adotá-los Na página 201 do livro está transcrita a recomendação de Manoel P. de Miranda: “somente a radical mudança de comportamento do obsidiado resolve, em definitivo, o problema da obsessão”.
Pergunta-se: Vale a pena envolver tanta gente, tanto esforço e tanto tempo na esperança de se obter apenas um afastamento temporário do obsessor Isso é avançar Não existiria algo mais efetivo e duradouro que possamos fazer em prol dos irmãos necessitados

6) Na página 105 informa-se que o método é o único auxiliar na terapia dos ovóides, porque eles não conseguem escutar a doutrinação verbal. Se é assim, então, não é método para desobsediar as multidões, mas apenas para atender especificamente aos ovóides. Ora, se os ovóides não ouvem a doutrinação verbal, para que as misteriosas palavras passe, passe e siga, siga Ou será que a ordem do coordenador encarnado é para os dirigentes espirituais

7) A partir da página 136 e repetidamente em outras páginas são relacionados os passos a serem seguidos pelos adeptos dessa corrente magnética, quais sejam:
1o passo: Expulsão de remanescentes diários; 2o passo: absorção de energias do plano superior; 3o passo: a união dos pensamentos dos médiuns e dos espíritos coordenadores e, 4o passo: os médiuns, em transes rápidos e seqüencialmente, recepcionam os espíritos e os bombardeiam com forças fluídicas e idéias renovadoras (pág. 437), podendo ocorrer vertigens, tremores, resmungos, gemidos etc. (pág. 455).
Para apresentar exemplos e informações quanto aos três primeiros passos não houve qualquer dificuldade. Transcreveram os preciosos esclarecimentos contidos nos livros da Codificação e das obras auxiliares referentes às respeitáveis e conhecidíssimas reuniões mediúnicas de doutrinação, nas quais, ressalte-se, um Espírito se comunica por intermédio de apenas um médium, sob intensa vibração de amor de todos os participantes. Não são novidade para ninguém.
Na página 450 o autor afirma ser o quarto passo “o que predomina nas ações da corrente magnética”. Então, para bem divulgar essa corrente, obrigatoriamente o livro deveria apresentar dados e explicações convincentes e conclusivas sobre essa fase. Nada disso é feito! As quase 600 páginas do livro limitam-se a repetir exaustivamente os três primeiros passos, já sobejamente conhecidos por todos, deixando de detalhar quanto ao quarto passo, que é, afinal, conforme diz o autor, a essência dessa corrente magnética. Não se penetra o âmago da questão.

8) Todos sabemos que a ligação do Espírito ao médium freqüentemente é realizada com dias de antecedência da reunião, objetivando vencer algumas dificuldades fluídicas entre os dois.
Seria possível a ocorrência de transes mediúnicos rápidos e seqüenciais em intervalo de 10 segundos, ou menos Como fica a lei da Afinidade e da Sintonia A obrigatoriedade de receber o Espírito não forçaria o médium a simular o transe, passando a gemer como os outros A Doutrina Espírita se baseia no ensino universal dos Espíritos. Não há dúvida quanto a isso. Por que o livro não menciona quais obras e quais Espíritos se pronunciaram de maneira clara e inequívoca sobre o quarto passo, ensinando-nos como ele se processa

Concluindo: Em respeito ao trabalho de Kardec e dos Espíritos da Codificação, seria bom que evitássemos trazer para as nossas Casas Espíritas toda e qualquer novidade que surja. É evidente que ninguém nos tira o direito, e talvez até o dever, de estudá-las em grupos fechados, reduzidos e específicos para esse fim, pesquisando-as em todas as nuances, ainda que leve mais de 20 anos, a fim de bem assentar as bases do trabalho. “Melhor é rejeitar dez verdades do que admitir uma única falsidade” (Erasto, em O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 230, 6o parágrafo). Há uma montanha de questionamentos não esclarecidos sobre essa corrente. Os Espíritos ainda não enviaram orientação a respeito. Sejamos prudentes! Antes de implantarmos as novidades em nossa Casa, primeiro estudemo-las incansavelmente. Restando uma única dúvida é preferível aguardar o tempo. Melhor assim, do que comprometermos a Doutrina e a nós próprios.

Nota da Redação – O artigo ora transcrito foi publicado inicialmente na revista O ESPÍRITA, de Brasília-DF, e é aqui reproduzido com expressa autorização do seu Editor.


Participação do obsidiado na reunião de desobsessão

No artigo publicado neste mesmo espaço em outubro último, intitulado “O magnetismo como recurso terapêutico nos processos obsessivos”, escrevemos que a participação do obsidiado, fundamental para o êxito do tratamento, é também destacada por Kardec no cap. 28, item 81, de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e por vários estudiosos do assunto.
Alguns leitores entenderam que no trecho mencionado estaríamos abonando a presença do obsidiado nas sessões de desobsessão, o que constitui grave equívoco. Não foi isso o que escrevemos. O vocábulo participação, ali colocado, não quer dizer presença do obsidiado nas reuniões mediúnicas, mas, sim, os seus esforços, a sua vontade, a sua luta em prol do êxito do tratamento, como Kardec observa no item 81 do cap. 28 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, por nós citado.
Como explica Divaldo P. Franco na questão no 97 do livro “Diretrizes de Segurança”, o ideal será que o obsidiado não participe dos trabalhos mediúnicos, porque em certas situações o trabalho mediúnico pode mesmo ser-lhe seriamente pernicioso. (Marcelo Borela de Oliveira)


Corrente magnética na desobsessão - links


https://www.youtube.com/watch?v=dc0lPF_WqZA




O choque anímico

O Choque Anímico, é um passe aplicado, nas casas Espíritas, dentro e fora do Brasil, com ótimos resultados nas  desobsessões. Foi criado pelo Comandanate Edgard Armound ha mais ou menos 60 anos, com orientação mediúnica pelos bons Espíritos desencarnados, isso na Federação Espírita do Estado de São Paulo. O Médium transmite a energia através do pensamento e a imposição da mão direita sobre o Centro Coronário do assistido. Isto é feito após elevada preparação, tanto dos médiiuns como dos assistidos, essa preparação consiste em: prece, palestra evangelico-doutrinário e vibrações positivas.   Este passe é denominado "Choque Animico"



O CHOQUE ANÍMICO

Espíritos sofredores se beneficiam do choque anímico. Lembremos que esses espíritos são nossos irmãos, que se encontram em situação de grande desconforto, muitas vezes ignorando sua condição de desencarnados, muitas vezes vivendo situações dolorosas num moto contínuo, sem conforto, sem consolação, sem esperança.

A troca mediúnica é para eles um grande alívio: poder compartilhar a dor, encontrar quem os ouça, muito especialmente, quem os compreenda. Em casos assim, permitir que o Espírito possa desabafar é um ato de caridade. Ouvir, aconselhando, compreendendo, mantendo-se em oração sincera, rogando a Deus pelo alívio de todas as dores da alma desse nosso irmão em sofrimento, é a doação cristã que se espera dos doutrinadores encarnados.

CHOQUE ANÍMICO

CHOQUE ANÍMICO

0 que é choque anímico e como funciona terapeuticamente nas reuniões mediúnicas?

Podemos dizer que toda contribuição energética do médium em transe a favor do Espírito comunicante é choque anímico. Manoel Philomeno de Miranda, Espírito, em três de suas obras especializadas em desobsessão explica com detalhes o fenômeno. Deixemos que ele responda:NAS FRONTEIRAS DA LOUCURA (Capítulos: 25 e 26):

Imantado (o Espírito) a um médium educado psiquicamente, se sentia parcialmente tolhido, com os movimentos limitados, e porque utilizando os recursos da mediunidade, recebia, por sua vez, as vibrações do encarnado que, de alguma forma exercia influência sobre ele.

Compreendendo (o dirigente da reunião depois de dialogar com o Espírito) que mais nada poderia ser feito naquela conjuntura e inspirado por Dr. Bezerra, passou a aplicar passes no médium enquanto o Mentor desprendia Ricardo (o Espírito) após o que comenta:

— "A etapa inicial do nosso trabalho coroa-se de bênçãos... Desejávamos produzir um choque anímico em nosso irmão para colhermos resultados futuros..."

A partir daquele momento, o Espírito passou a experimentar sensações agradáveis, a que se desacostumara. O mergulho nos fluidos salutares do médium propiciou-lhe uma rápida desintoxicação, modificando-lhe, por um momento embora, a densa psicosfera em que se situava.

 O choque anímico decorrente da psicofonia controlada, debilitou-o, fazendo-o adormecer por largo período. Não era, todavia, um sono repousante, senão o desencadear das reminiscências desagradáveis impressas no inconsciente profundo, que ele vitalizava com o descontrole das paixões inferiores exacerbadas. Sonhava, naquele momento, com os acontecimentos passados, ressuscitados os clichês mentais arquivados. Aquele estado, no entanto, fora previsto pelo Mentor, ao conduzi-lo à psicofonia, de modo a produzir-lhe uma catarse inconsciente com vistas à futura liberação psicoterápica que estava programada.

LOUCURA E OBSESSÃO (Capítulo 11):Da mesma forma que, na terapia do eletrochoque, aplicada a pacientes mentais, os Espíritos que se lhes imantam recebem a carga de eletricidade, deslocando-se com certa violência de seus hospedeiros, aqui aplicamos o choque anímico, através da incorporação (psicofonia atormentada) e colhemos resultados equivalentes. Do mesmo modo que o médium, pelo perispírito, absorve as energias dos comunicantes espirituais que, no caso de estarem em sofrimento, perturbação ou desespero, de imediato experimentam melhora... por diminuir-lhe a carga vibratória prejudicial, a recíproca é verdadeira... Trazido o Espírito rebelde ou malfazejo ao fenômeno da incorporação, o perispírito do médium transmite-lhe alta carga fluídica animal que bem comandada aturde-o, fá-lo quebrar algemas e mudar a maneira de pensar...
Consideramos o médium como um ímã e os Espíritos, em determinada faixa vibratória, na condição de limalha de ferro, que lhe sofre a atração, e após se fixarem, permanecem por algum tempo com a imantação de que foram objeto. Do mesmo modo os sofredores, atraídos pela irradiação do médium, absorvem-lhe a energia fluídica, com possibilidade de demorar-se por ela impregnados. Sob essa ação, a teimosia rebelde, a ostensiva maldade e o contínuo ódio diminuem, permitindo que o receio se lhes instale no sentimento, tornando-os maleáveis às orientações e mais acessíveis à condução para o bem.

Qual ocorre na Terra, com determinada súcia de poltrões e delinquentes, a ação da polícia inspira-lhes mais respeito do que a honorabilidade de uma personalidade de consideração. O tratamento (desfazimento de ideoplastia-exuantropia) foi demorado por causa da imposição da monoideia deformante e instilação exterior do ódio. Além do que lhe jazia em gérmen... A desimantação teria que receber uma técnica de choque, através de vibrações dissolventes que atuassem no paciente (Espírito) de dentro para fora, pelo despertar da consciência, e de fora para dentro, desregulando a "construção física" (se refere ao perispírito) da aparência que lhe foi colocada... Agora ele dormirá para o necessário equilíbrio do perispírito.

Quando a Diretora informou que ele (o Espírito que blasonava incorporado ao médium) iria sofrer já o efeito da prisão na qual se achava (o organismo do médium) e cujo corpo não podia manipular, o Espírito, que descarregava suas energias de violência no médium, que as eliminava mediante sudorese viscosa abundante e fluidos escuros em quantidade, começou a sentir-se debilitado. Neste momento, a ação do perispírito do encarnado sobre ele fez-se muito forte e começou a encharcá-lo do "fluido animal" que lhe constitui o envoltório...


 Essa energia, de constituição mais densa, produzia no comunicante sensações que o angustiavam, como se lhe gerassem asfixia contínua. As forças que lhe eram aplicadas pela Benfeitora e a psicosfera geral incidiam sobre ele de forma desagradável, demonstrando-lhe o limite da própria vontade e a debilidade de meios para prosseguir no alucinado projeto do mal a que se afervorava...

TRILHAS DA LIBERTAÇÃO (Capítulo: A Luta Prossegue); Na comunicação física (o corpo do médium como veículo) o perispírito do médium encarnado absorve parte dessa energia cristalizada, diminuindo-a no Espírito, e ele, por sua vez, receberá um choque do fluido animal do instrumento, que tem a finalidade de abalar as camadas sucessivas das ideias absorvidas e nele condensadas.

Quando um Espírito de baixo teor mental se comunica, mesmo que não seja convenientemente atendido, o referido choque do fluido animal produz-lhe alteração vibratória melhorando-lhe a condição psíquica e predispondo-o a próximo despertamento. No caso daqueles que tiveram desencarnação violenta — suicidas, assassinados, acidentados, em guerras — por serem portadores de altas doses de energia vital, descarregam parte delas no médium, que as absorve com pesadas cargas de mal estar, de indisposição e até mesmo de pequenos distúrbios para logo eliminá-las, beneficiando o comunicante que se sente melhor... Eis porque a mediunidade dignificada é sempre veículo de amor e caridade, porta de renovação e escada de ascensão para o seu possuidor.

A incorporação, em face da imantação magnética de ambos perispíritos, impede o paciente (Espírito) de fugirão esclarecimento, nele produzindo uma forma de controle que não pode evitar com facilidade

 93. À luz do que vimos sobre o choque anímico e sabendo-se que este fenômeno representa a contribuição terapêutica do médium de transe, quais os parâmetros de qualidade que podem ser estabelecidos para avaliar a sua eficiência?

Primeiro: a constatação de alívio dos sofrimentos dos Espíritos que sofrem dores (físicas ou morais) e outros que se apresentam depauperados, abatidos. A incorporação para esses funciona à semelhança de um tônico, uma transfusão de sangue como se o médium, no transe, ao receber o Espírito, estivesse a lhe aplicar um passe restaurador de forças.

Segundo: a contenção do Espírito para o diálogo. Alguns sentem prazer nesse diálogo, pois as energias do médium acordam neles impressões boas a que se tinham desacostumado, expandindo sentidos embotados (visão, audição, tato) e em contato com essas impressões deslumbram-se, renovam-se.

Uma variante desse comportamento são aqueles Espíritos que vêm impregnados da ambiência onde se encontravam (hospitais, lares, cenas de acidentes) e em contato com a energia do médium, que lhes acorda os sentidos, percebem que estão na sala mediúnica e quebram a fixação mental que promovia o sofrimento. Ao contrário, outros desejam se evadir do diálogo incômodo, mal suportando o remédio amargo que lhes vai ajudar. Em ambos os casos a imantação forte que o perispírito do médium exerce sobre o Espírito garante a sua permanência até quando julgado necessário pelos Mentores ou pelo controle consciente do médium.

 Um outro importante padrão de qualidade: sensações físicas desagradáveis no Espírito; asfixia, angústia acompanhada de receios, medo, abrandamento de ímpetos violentos etc. Ocorrências desse tipo são comuns nas comunicações de Espíritos em situação de desrespeito à reunião, revoltados, cínicos e, sobretudo os interessados em prejudicar os equipamentos mediúnicos do sensitivo por retaliação ao fato de estarem sendo trazidos compulsoriamente à comunicação.

As energias densas do perispírito do médium, já quase na faixa da matéria, são acionadas sob o comando sugestivo do Mentor Espiritual ou do doutrinador até encharcar o perispírito do comunicante e abater-lhe o impulso agressivo. Alguns Espíritos "acovardam-se", gemem, imploram clemência, porém outros, já na faixa quase da loucura, suportam, até o fim de suas reservas, o choque anímico, saindo da comunicação quase que em estado de desvario, dominados por monoideias, como foram programados para reagir, hipnotizados por Espíritos mais endurecidos do que eles.

Por fim: o retorno do Espírito para um novo diálogo em situação de maior lucidez. Como o choque anímico tem um efeito retardado à semelhança de alguns medicamentos cujos benefícios só aparecem no organismo depois, somente numa sessão posterior o doutrinador pode constatar-lhe os resultados. Algumas vezes, o Espírito sai do contato magnético do médium com a única intenção de voltar ao seu hospedeiro, sua vítima, o que, algumas vezes consegue. Em outros casos o resultado é diferente: como um balão esvaziado, tomba exânime, dorme e sonha; faz uma catarse do inconsciente, ao cabo da qual passa a assumir um comportamento íntimo controvertido e paradoxal: revolta-se contra a interferência, mas, ao mesmo tempo, reflexões novas trazendo argumentos e ideias que lhe alcançaram antes associam-se à constatação do poder de Deus e das forças do Bem, muito superiores às suas e às de seus áulicos.
 Nesse conflito é trazido para uma nova incorporação mediúnica, um novo choque fluídico ao qual tende
a se apresentar mais lúcido, conciliador...

Concluídos estes comentários sobre choque anímico podemos dizer ainda que esta terapia, essencialmente do médium, é a base e o pano de fundo sobre os quais todas as demais, de iniciativa do doutrinador, se estabelecerão. É por essa razão que afirma André Luiz, Espírito, que o médium é o primeiro socorrista (não o primeiro doutrinador como afirmam equivocadamente alguns).

....

Ps: exuantropia - seria o mesmo que um espírito se metamorfosear em um Exu.
 Conceito encontrado no livro Loucura e Obsessão, cap. 12, pp. 145 e 146.

 por Jocelyn Monteiro de Andrade

Eletrochoque, Choque Anímico e Desobsessão

LEONARDO MARMO MOREIRA
leonardomarmo@gmail.com
São José dos Campos, SP (Brasil)


Eletrochoque, Choque Anímico e Desobsessão

Na extraordinária obra de Manoel Philomeno de Miranda, pela mediunidade de Divaldo Franco, “Loucura e Obsessão”, há um interessante estudo sobre a correlação entre Eletrochoque e Choque Anímico, o qual foi desenvolvido pelo Doutor Bezerra de Menezes. De fato, no Capítulo 11, intitulado “Técnicas de Libertação”, o admirável médico, juntamente com sua equipe espiritual, explica a Manoel P. Miranda que o chamado “Choque Anímico” seria semelhante ao “Choque Elétrico” (também conhecido como “Eletrochoque”), o qual foi amplamente utilizado como psicoterapia no passado e ainda hoje é empregado em alguns tipos de tratamento psiquiátrico.
O tratamento por Eletrochoques é também conhecido como eletroconvulsoterapia (ECT), electroconvulsivoterapia, eletroconvulsivoterapia, sendo uma terapia psiquiátrica extremamente controversa, na qual são provocadas modificações na atividade elétrica do cérebro do paciente (submetido a anestesia geral) por meio de passagem de corrente elétrica.
Segundo Doutor Bezerra de Menezes, o Eletrochoque desacoplaria o obsessor do obsidiado, ou seja, geraria uma desvinculação perispiritual entre o Espírito desencarnado, no caso o vampirizador, e o Espírito encarnado, o qual, nesta situação, trata-se do ser vampirizado. Portanto, haveria uma separação brusca dos respectivos corpos espirituais, interrompendo drástica, porém paliativamente, a simbiose perispírito-a-perispírito. Ressalta-se que tais casos constituem, de fato, processos obsessivos propriamente ditos, e não apenas leves influências espirituais negativas, sendo que a maioria destas situações de parasitose espiritual pode ser classificada como fascinação ou subjugação, em concordância com a Codificação Kardequiana. Do ponto de vista do corpo material, o Eletrochoque equilibraria quimicamente as sinapses nervosas, gerando um status mais saudável de distribuição de neurotransmissores, o que, juntamente com o afastamento do obsessor, responderia pela melhora temporária dos sintomas. Assim, por um determinado intervalo de tempo, o paciente adquiriria uma calma profunda ou até mesmo um quadro de prostração.
Vale lembrar que as barreiras magnéticas de locais mais elevados espiritualmente impedem a entrada de Espíritos perturbadores através de choques. É provável, portanto, que os mecanismos em questão sejam minimamente semelhantes.        
Divaldo Pereira Franco afirma que a terapia desobsessiva pela doutrinação do obsessor “incorporado” no médium psicofônico, independentemente da eficácia da doutrinação propriamente considerada, já traria em curto prazo uma melhoria de 30% a 40% no nível vibratório do obsessor. Tal fenômeno seria causado pela interação semimaterial com os fluidos vitais do duplo etérico e do perispírito de um médium moralizado, isto é, de um médium verdadeiramente evangelizado. Tal processo seria justamente o denominado “Choque Anímico”.
O afastamento do obsessor, no entanto, só se daria se o mesmo aproveitasse essa solução de continuidade nos seus clichês mentais. Em outras palavras, essa interrupção na fixação obsessiva (monoideia negativa) gera um alívio temporário por meio de uma melhoria vibratória, que fornece um tempo mínimo de clareza mental e relativa tranquilidade para o obsessor. Isto permitiria que tal Espírito pudesse proceder a uma mínima reforma de valores e ideais, fazendo o mesmo desistir do esforço obsessivo.
Por outro lado, o processo obsessivo pode ser eliminado ou minimizado pela mudança de atitude do obsidiado, se o mesmo modificar sua conduta moral, de maneira que a eventual ascendência do Espírito perturbador seja atenuada. Realmente, do ponto de vista do obsidiado, a ocorrência do “Choque Anímico” com o seu respectivo obsessor também seria uma oportunidade valiosa de autocura, uma vez que o obsessor poderia dar uma “trégua” em seu processo de simbiose espiritual durante certo tempo. Isto permitiria uma reforma moral por parte do Espírito encarnado, fomentando o início de um mecanismo preliminar de “imunização espiritual” do encarnado em relação ao desencarnado, em função da sua mudança de faixa vibratória para melhor do habitante da crosta terrestre.
Algo semelhante ao Eletrochoque provavelmente também ocorreria, pelo menos parcialmente, no tratamento de passes aplicados a encarnados obsidiados. A vibração dos passistas (encarnados e desencarnados) – juntamente com o esforço do recebedor dos passes – geraria uma espécie de “choque fluídico” no Espírito desencarnado, o qual, mesmo que em menor intensidade, pode ser altamente eficiente.
Todavia, é bom que se destaque que, por mais eficaz que o tratamento seja, a médio e longo prazos a cura definitiva somente ocorrerá a partir de uma melhoria comportamental geral por parte do obsidiado. Isso fica evidente, por exemplo, na obra “Missionários da Luz” (André Luiz/Chico Xavier). Nesta obra, no capítulo 19 intitulado “Passes”, o autor espiritual narra um “caso de décima vez”, que consiste em uma situação em que um mesmo indivíduo retorna ao centro espírita para o tratamento de passes, após receber e desperdiçar as intervenções fluídicas completas por dez (10) vezes consecutivas. O orientador espiritual do trabalho de passes recomenda então que o paciente receba uma limpeza psíquica mínima, pois, somente sofrendo as consequências de sua intemperança espiritual, poderia despertar para uma mudança espiritual mais efetiva.
Na obra “Dias Gloriosos” (Joanna de Ângelis/Divaldo Franco), a autora estabelece a necessidade de um “improviso” de reforma íntima para pacientes que acabaram de receber um órgão transplantado. Essa medida faria com que o paciente aproveitasse o intervalo de tempo de administração de imunossupressores para mudar vibratoriamente seu perispírito. Assim, o referido perispírito não provocaria rejeição por motivos espirituais/perispirituais quando o paciente não estiver mais submetido à imunossupressão.
A analogia entre Eletrochoque e Choque Anímico para uma compreensão do fenômeno da obsessão e de alguns procedimentos de tratamento desobsessivo, elaborada pelo Doutor Bezerra de Menezes (“Loucura e Obsessão”), são informações interessantes para o nosso estudo mais amplo abrangendo relevantes tópicos espíritas, tais como propriedades do Perispírito, as interações e comunicações espirituais e mediúnicas, o poder de cura e autocura, as interações fluídico-ectoplásmicas, a ação das chamadas “barreiras magnéticas”, a interação espírito-perispírito-corpo físico, entre outros.
       

O ÓDIO

O ÓDIO


Etapa terminal do desarranjo comportamental, o ódio é tóxico fulminante no oxigênio da saúde mental e física. O ódio é estágio primevo da evolução, atavicamente mantido no psiquismo e no emocional da criatura, que necessita ser transformado em amor, mediante terapias saudáveis de bondade, de exercícios fraternais, de disciplinas da vontade. Agentes poluidores e responsáveis por distúrbios emocionais de grande porte, são eles os geradores de perturbações dos aparelhos respiratório, digestivo, circulatório. Responsáveis por cânceres físicos, são as matrizes das desordens mentais e sociais que abalam a vida e o mundo. A saúde da criatura humana procede do ser eterno, vem das experiências em vidas anteriores, conforme ocorre com as enfermidades cármicas, no entanto, dependendo da consciência, do comportamento, da personalidade e da identificação do ser com o que lhe agrada e com aquilo a que se apega na atualidade.

O SER CONSCIENTE
DIVALDO FRANCO